O país tinha 8,4 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais em 2025, o que corresponde a uma taxa de analfabetismo de 4,9%. É a primeira vez que a taxa de analfabetismo fica abaixo de 5% desde 2016.
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| População com 60 anos ou mais era mais da metade (58%) do total de analfabetos em 2025 - Foto: Silvio Turra/SEED Paraná |
O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica reponderada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 8,4 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais ainda não sabem ler e escrever um bilhete simples, o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária. É a primeira vez que o indicador fica abaixo de 5% desde 2016.
Em relação a 2024, o país reduziu em 592 mil o número de analfabetos. Apesar do avanço, a realidade ainda está distante da meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.
As desigualdades regionais permanecem marcantes. Mais da metade dos analfabetos brasileiros, cerca de 4,8 milhões de pessoas, vive no Nordeste, região que apresentou a maior taxa do país, com 10,6%. Em seguida aparecem o Norte, com 5,7%; o Centro-Oeste, com 3,3%; o Sul, com 2,4%; e o Sudeste, com 2,3%. Entre todas as regiões, apenas o Sudeste registrou redução da taxa de analfabetismo em comparação com o ano anterior, com queda de 0,5 ponto percentual.
A idade também é um fator determinante. Os idosos representam a maior parcela dos brasileiros que não sabem ler e escrever. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais correspondiam a 58% do total de analfabetos do país, somando 4,9 milhões de indivíduos. A taxa de analfabetismo nessa faixa etária alcançou 13,8%. Quando os idosos são excluídos da análise, a taxa nacional cai para 2,6% entre a população de 15 a 59 anos.
Ao mesmo tempo em que o analfabetismo recua, a escolaridade média da população brasileira continua avançando. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, a média de anos de estudo chegou a 10,2 anos em 2025, acima dos 9,1 anos observados em 2016 e ligeiramente superior aos 10,1 anos registrados em 2024. As mulheres mantêm desempenho educacional superior ao dos homens, com média de 10,4 anos de estudo, contra 10 anos entre a população masculina.
As diferenças raciais, embora tenham diminuído, seguem evidentes. Enquanto a população branca alcançou média de 11,1 anos de estudo, pretos e pardos registraram 9,5 anos. A distância de 1,6 ano permanece elevada, embora menor que a diferença de dois anos observada em 2016.
Os dados do IBGE também revelam desafios relacionados à educação infantil. Entre as crianças de até três anos que não frequentavam creches em 2025, a principal justificativa apresentada pelos responsáveis foi a opção familiar de mantê-las em casa. Esse motivo foi citado por 64,1% dos responsáveis por crianças de 0 a 1 ano e por 57,1% daqueles com filhos de 2 a 3 anos. O Centro-Oeste apresentou os maiores percentuais para essa justificativa.
Entretanto, a falta de vagas ou de unidades educacionais próximas continua sendo um obstáculo significativo, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Entre as crianças de 0 a 1 ano, 28,1% estavam fora da creche por inexistência de escola na localidade, falta de vagas ou recusa de matrícula devido à idade. No grupo de 2 a 3 anos, esse percentual chegou a 33,4%. O problema se mostra mais grave no Norte e no Nordeste, onde os índices superam a média nacional.
Na educação básica, o país alcançou uma das metas do Plano Nacional de Educação. Em 2025, 96,1% das crianças entre 6 e 14 anos frequentavam o ensino fundamental na etapa considerada adequada para sua idade. O percentual supera a meta de 95% prevista pelo PNE e representa avanço em relação aos 94,6% registrados em 2024. Ainda assim, o indicador não conseguiu retornar aos patamares observados antes da pandemia de Covid-19.
O abandono escolar, por sua vez, continua sendo um dos principais desafios da educação brasileira. Segundo o levantamento, 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não haviam concluído o ensino médio em 2025, seja porque abandonaram a escola antes do término dessa etapa ou porque nunca chegaram a frequentá-la. Desse contingente, quase 60% eram homens e mais de 72% eram pretos ou pardos.
A maior incidência de evasão escolar ocorre a partir dos 16 anos. Os dados mostram que 18,5% dos jovens deixaram a escola nessa idade, percentual que sobe para 20% aos 17 anos e permanece elevado aos 18 anos, quando alcança 17,6%. Mesmo assim, o abandono precoce ainda preocupa: 7,5% dos jovens interromperam os estudos até os 13 anos e outros 7,6% abandonaram a escola aos 14 anos.
Entre os motivos que levam ao afastamento da educação, a necessidade de trabalhar continua sendo a principal razão. Em 2025, 43% dos jovens de 14 a 29 anos que abandonaram ou nunca frequentaram a escola apontaram o trabalho como causa principal. O percentual representa um leve aumento em relação ao ano anterior.
A falta de interesse pelos estudos aparece como o segundo motivo mais frequente, citado por 25,6% dos jovens, indicando uma reversão da tendência de queda observada anteriormente. Gravidez foi mencionada por 9,9% dos entrevistados, enquanto problemas permanentes de saúde responderam por 4,4% dos casos. Afazeres domésticos e cuidados com outras pessoas foram apontados por 3,9%, e a falta de escola, vagas ou turno adequado foi citada por 2,8%.
As razões para o abandono escolar também variam entre homens e mulheres. Entre os homens com escolaridade inferior ao ensino médio completo, mais da metade apontou a necessidade de trabalhar como principal motivo para deixar a escola. Já entre as mulheres, embora o trabalho também lidere as justificativas, fatores ligados à desigualdade de gênero aparecem com maior peso. A gravidez foi mencionada por quase um quarto das entrevistadas, enquanto as responsabilidades domésticas e o cuidado com familiares foram citados por 8,6%. A falta de interesse pelos estudos também permanece relevante entre as mulheres, alcançando 21,9% das respostas.
Os dados da PNAD Contínua revelam que o Brasil segue avançando em indicadores educacionais importantes, como a redução do analfabetismo e o aumento da escolaridade média. No entanto, desafios históricos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, além da persistência da evasão escolar entre adolescentes e jovens, demonstram que a universalização do acesso e da permanência na educação ainda está longe de ser plenamente alcançada.




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