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| Foto: Bruno Peres/Agência Brasil |
Leia artigo do estatístico Gauss M. Cordeiro, professor emérito da UFPE e membro titular das Academias Brasileira e Pernambucana de Ciências, publicado na Folha de Pernambuco em 17 de junho:
Em jogos bancados de puro azar, a matemática não falha e a casa sempre ganha. A probabilidade é implacável e dita que, no longo prazo, o dinheiro do apostador subsidia o lucro do banqueiro. A única maneira de minimizar as perdas nos jogos de azar é fazer uma única aposta na vida e afastar-se definitivamente do vício. A repetição é a maior aliada das casas de apostas. Essa verdade matemática decorre diretamente do Teorema da Ruína do Jogador.
Sem gerar frutos produtivos, essa dinâmica funciona apenas como extração de renda. O cenário das apostas online, que até 2018 operava só por plataformas internacionais, mudou drasticamente com a legalização das apostas esportivas no Brasil. A oficialização do setor, somada à popularização dos smartphones e à rapidez do Pix, foi o combustível para um crescimento exponencial nos anos seguintes.
O País consolidou-se como o quinto maior mercado de apostas online do mundo, movimentando cifras que chegam a R$ 30 bilhões ao mês. Essa escalada rápida tem gerado graves consequências socioeconômicas, alterando o padrão de consumo das classes de menor renda. Ao priorizar as apostas, as famílias comprometem a aquisição de produtos essenciais, transformando o fenômeno em um dos principais gatilhos para o endividamento.
Além disso, o ciclo desenfreado das apostas virtuais pode culminar na ludopatia, um grave problema de saúde pública. Reconhecida pela medicina, essa dependência vai muito além do prejuízo financeiro: ela sequestra o sistema de recompensa cerebral, gerando alterações neurobiológicas, insônia crônica e quadros severos de depressão.
Segundo o ex-presidente francês Georges Pompidou, há três caminhos para a ruína: o mais prazeroso, através das mulheres; o mais veloz, pelas apostas; e o mais infalível, por meio dos especialistas. Trata-se de uma máxima irônica, cuja lucidez permanece atual.



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