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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Descoberta de novas espécies de escorpião na Amazônia amplia conhecimento sobre a biodiversidade da região

Para professora que liderou expedição científica em Roraima, achado viabiliza prospecção de novas moléculas de aplicação farmacológica a partir do veneno desses artrópodes

Duas novas espécies descobertas na região amazônica (Crédito: Projeto AT-Biota-FAPESP)


Em uma área de floresta próxima a uma cachoeira frequentada por turistas em Roraima, duas espécies de escorpiões permaneceram desconhecidas até serem encontradas por pesquisadores brasileiros. Nomeadas de Brotheas cernii e Cayooca puchus, os novos artrópodes foram identificadas durante expedições realizadas nas proximidades da Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, localizado a cerca de 60 quilômetros da capital Boa Vista.


Liderados pela professora Manuela Berto Pucca, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, no câmpus de Araraquara, os pesquisadores encontraram exemplares que apresentavam características incomuns, como diferenças na coloração, no tamanho do corpo, na granulação das pinças, entre outros aspectos morfológicos. Essas particularidades chamaram a atenção da equipe, que iniciou uma investigação para verificar se os animais pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência. A descoberta acaba de ser publicada na revista Diversity e colabora para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica, além de abrir caminhos para a prospecção de novas moléculas com potencial farmacológico presente no veneno desses animais.


“Os achados demonstram o quanto a floresta Amazônica, especialmente em estados como Roraima, ainda é pouco explorada cientificamente. Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?”, destaca Pucca. A descoberta representa o primeiro trabalho fruto do projeto AT-Biota: Desvendando a Riqueza Oculta de Aracnídeos e Triatomíneos em Regiões Inexploradas dos Biomas Brasileiros, coordenado pela professora Manuela Pucca, que é coordenado pela docente da Unesp e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).



As duas espécies foram encontradas em um ambiente bastante peculiar conhecido como inselberg, formações rochosas isoladas que se elevam em meio à floresta e funcionam como verdadeiras “ilhas ecológicas”. Por permanecerem relativamente isoladas ao longo de milhares de anos, essas áreas favorecem o surgimento de espécies exclusivas, adaptadas a condições ambientais muito específicas. Além disso, a descoberta de Cayooca puchus trouxe uma relevância adicional pois o gênero Cayooca é considerado raro e conta com pouquíssimos representantes conhecidos pela ciência.


Segundo Pucca, as novas espécies são extremamente sensíveis às condições ambientais. Mesmo com tentativas de reproduzir no laboratório a temperatura, a umidade e os demais aspectos encontrados na floresta, alguns exemplares não sobrevivem por muito tempo no cativeiro. “São animais altamente especializados e adaptados a um ambiente muito específico. Mesmo quando tentamos reproduzir essas condições em laboratório, nem sempre conseguimos garantir sua sobrevivência”, explica a docente.



Para confirmar que os dois novos exemplares pertenciam a espécies ainda desconhecidas foi necessário um longo trabalho que começou nas primeiras expedições científicas à região, ainda em 2016, quando Pucca estava vinculada à Universidade Federal de Roraima (UFRR). Ao longo dos anos, as equipes retornaram aos locais diversas vezes em períodos diferentes do ano para coletar exemplares machos e fêmeas, além de indivíduos jovens e adultos.


O objetivo das expedições era reunir evidências suficientes para comparar os animais com todas as espécies já descritas. Somente após análises detalhadas realizadas pelo professor André Lira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFPE), e posteriormente validadas por outros dois especialistas: Antônio D. Brescovit, do Instituto Butantan, em São Paulo, e Edmundo González-Santillán, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), é que a equipe chegou ao veredicto. “A descrição de novos exemplares exige um conjunto robusto de evidências e a validação por diferentes pesquisadores. É um trabalho minucioso que envolve análises morfológicas detalhadas”, afirma Pucca.


Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp.

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