Decreto intensifica a identificação, a fiscalização e o bloqueio de contas de operadores das chamadas “bets ilegais”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (19) o Decreto nº 13.033, que estabelece novos mecanismos para combater a atuação de empresas de apostas esportivas e jogos online que operam sem autorização no Brasil. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União e prevê o bloqueio de recursos financeiros movimentados por operadores ilegais, além da possibilidade de destinação desses valores ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) após a conclusão de processos administrativos.
Segundo o governo federal, o objetivo é dificultar a operação financeira das chamadas "bets ilegais", utilizando instrumentos semelhantes aos empregados no combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, o presidente Lula afirmou que o governo pretende intensificar as ações contra plataformas irregulares de apostas. A medida também foi defendida pelos ministérios da Fazenda e da Justiça, que destacaram o papel da recém-aprovada Lei Antifacção na criação dos novos instrumentos de fiscalização.
Como funcionará o bloqueio
De acordo com o decreto, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável pela regulação do setor, poderá emitir um auto de constatação ao identificar uma empresa explorando apostas sem autorização.
Após a emissão do documento, instituições financeiras e de pagamento deverão bloquear, em até 24 horas, os recursos existentes nas contas relacionadas à operação irregular e impedir novas movimentações financeiras. O cumprimento da medida deverá ser comunicado às autoridades em até 48 horas, sob supervisão do Banco Central.
A investigação administrativa ficará sob responsabilidade da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão conduzirá os processos, garantindo o direito ao contraditório e à ampla defesa das empresas envolvidas.
Durante a apuração, poderão ser requisitados documentos e informações a bancos e órgãos públicos para esclarecer os fatos.
Recursos poderão ser destinados à segurança pública
O decreto estabelece que os valores bloqueados poderão ser declarados perdidos em favor da União ao final do processo administrativo, caso seja comprovada a exploração irregular das apostas.
Nessas situações, os recursos serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, que financia ações de prevenção e combate à criminalidade em todo o país.
Segundo o Ministério da Justiça, a medida busca transformar recursos obtidos de forma ilícita em investimentos para reforçar a segurança pública.
Fiscalização já resultou em bloqueios de sites e remoção de conteúdos
O governo informou que a Secretaria de Prêmios e Apostas mantém ações permanentes de fiscalização desde a regulamentação do mercado de apostas de quota fixa.
Em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mais de 50 mil domínios de plataformas consideradas irregulares foram bloqueados desde outubro de 2024.
No ambiente digital, a fiscalização também resultou na remoção de 780 perfis, 306 publicações e 190 aplicativos que promoviam ou operavam apostas sem autorização, segundo dados apresentados pela pasta.
As ações contam com a colaboração do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e do Conselho Digital do Brasil, que reúne empresas de tecnologia.
Autoexclusão de apostadores
Entre as medidas voltadas ao chamado jogo responsável, o governo destacou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025.
O sistema permite que apostadores solicitem o bloqueio simultâneo de seu acesso a todas as plataformas autorizadas pelo governo federal. Segundo dados oficiais, mais de 650 mil pedidos de autobloqueio já foram registrados.
Operação Conto da Sorte
O Ministério da Fazenda também citou a Operação Conto da Sorte, realizada recentemente em Pernambuco, Ceará e São Paulo, como exemplo das ações de combate ao mercado ilegal de apostas.
De acordo com o governo, a operação resultou no cumprimento de mandados judiciais e na retenção de bens e direitos avaliados em até R$ 145 milhões, destinados à eventual reparação dos danos identificados nas investigações.
Responsabilidade de bancos e divulgadores
Além do decreto, o Ministério da Fazenda publicou nesta semana uma portaria regulamentando a responsabilidade tributária solidária de instituições financeiras e de pagamento que continuarem processando operações para empresas de apostas não autorizadas, mesmo após notificação oficial.
A norma também alcança pessoas físicas e jurídicas que promovam publicidade ou propaganda comercial de operadores sem autorização federal.
O governo afirma que as novas medidas buscam fortalecer a fiscalização do setor, ampliar a arrecadação tributária e reduzir a atuação de empresas clandestinas no mercado brasileiro de apostas, cuja regulamentação foi iniciada pela Lei nº 14.790, de 2023.


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