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sábado, 13 de junho de 2026

Mundo registra maior número de conflitos armados entre Estados desde a Segunda Guerra Mundial

Relatório do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo aponta 65 conflitos estatais em 2025 e cerca de 245 mil mortes relacionadas a combates

Guerra em Gaza dura há três anos Foto: Eyad Baba / AFP


O mundo viveu, em 2025, o maior número de conflitos armados entre Estados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A constatação é de um relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (PRIO), que aponta a existência de 65 conflitos estatais ao longo do ano, superando o recorde anterior e revelando um cenário de crescente instabilidade internacional.


Segundo o estudo, os conflitos provocaram aproximadamente 245 mil mortes relacionadas a batalhas, um aumento significativo em relação às 188 mil registradas em 2024. Grande parte dessas vítimas está concentrada em três grandes guerras: a invasão russa da Ucrânia, o conflito no Sudão e a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.


O relatório destaca que os elevados índices de mortalidade decorrem, frequentemente, de poucos conflitos de grande escala. No entanto, os pesquisadores observam que, diferentemente do que ocorria antes de 2020, quando normalmente havia apenas uma grande guerra em curso, os últimos anos têm sido marcados pela sobreposição simultânea de vários conflitos de alta intensidade.


A violência no Sudão foi apontada como um dos principais fatores para o aumento das mortes entre 2024 e 2025. De acordo com dados do Programa de Dados de Conflitos da Universidade de Uppsala (UCDP), cerca de 60 mil pessoas morreram apenas na última semana de outubro de 2025 durante ataques atribuídos às Forças de Apoio Rápido (RSF) na cidade de El Fasher, na região de Darfur.


Outro foco de agravamento da violência foi a República Democrática do Congo, onde o número de mortos quase dobrou em relação ao ano anterior. O aumento está relacionado à ofensiva lançada pelo grupo rebelde Movimento 23 de Março (M23), que intensificou os confrontos no país.


Os pesquisadores alertam, contudo, que os números apresentados são conservadores. As estatísticas contabilizam apenas mortes diretas em combate, incluindo combatentes e civis mortos em ataques e confrontos armados. Ficam de fora milhares de mortes indiretas causadas pelo colapso de sistemas de saúde, pela destruição de infraestrutura, pela insegurança alimentar e por ferimentos que resultaram em óbito posteriormente.


Segundo o relatório, a falta de dados confiáveis em diversas regiões torna extremamente difícil calcular com precisão o número real de vítimas indiretas, o que significa que o impacto humanitário dos conflitos pode ser muito maior do que o registrado oficialmente.


Violência estatal em níveis históricos


O estudo revela ainda que os 65 conflitos estatais registrados em 2025 ocorreram em 35 países, número superior ao observado em 2024. Foram aproximadamente 153 mil mortes diretamente ligadas a esses conflitos, um total inferior apenas aos registrados em 2021, 2022 e 2024.


Para os pesquisadores, os dados demonstram um nível persistentemente elevado de violência estatal. Nos últimos cinco anos, o número de mortes associadas a conflitos entre Estados superou o acumulado registrado nas duas décadas anteriores a 2021.


Outro aspecto destacado pelo relatório é o crescimento do número de países que enfrentam múltiplos conflitos simultaneamente. O Myanmar lidera essa lista, com cinco conflitos em andamento. Já Israel aparece envolvido em cinco frentes distintas, sendo duas guerras civis e três conflitos internacionais.


Também figuram entre os países com múltiplos conflitos o Afeganistão, os Camarões, o Mali, a Nigéria e o Paquistão, todos com três conflitos registrados.


Para o PRIO, esse cenário evidencia uma crescente complexidade das guerras contemporâneas, caracterizadas pela participação de múltiplos atores armados, pela existência de várias frentes de combate e por uma forte dimensão regional.


A pesquisadora Siri Aas Rustad, uma das responsáveis pelo estudo, afirmou que os conflitos atuais estão cada vez mais interligados. Segundo ela, a sobreposição de interesses, grupos armados e disputas territoriais amplia as dificuldades para alcançar soluções negociadas e aumenta significativamente os riscos para a estabilidade internacional.


“Os conflitos hoje estão cada vez mais conectados. Eles envolvem mais atores, frentes sobrepostas e uma abrangência regional maior. Isso os torna muito mais difíceis de resolver e aumenta significativamente o risco”, concluiu a pesquisadora.



Informações da Agência Lusa

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