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quarta-feira, 24 de junho de 2026

O Campeão Voltou

FIFA


No fim do título poderia haver uma exclamação ou uma interrogação. Mas fica sem ponto. Certas verdades dispensam pontuação.


O Brasil encerrou sua participação na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026 com brilho raro. Derrotou a Escócia por 3 a 0, fez a alegria da torcida e devolveu algo que parecia perdido há muito tempo: a confiança. Confiança dos torcedores, dos atletas e, principalmente, daquela entidade invisível que acompanha a Seleção desde 1958, a esperança.


Há um fenômeno curioso na história do futebol brasileiro. Quando o Brasil chega desacreditado, costuma crescer. Foi assim mais de uma vez. E em 2026 a Canarinho desembarcou no Mundial mais por baixo do que em qualquer outra Copa das últimas décadas. Não há lógica científica para essa afirmação. Não existe estatística capaz de comprová-la. Mas o futebol não é apenas um esporte. É também uma peça teatral, uma tragédia grega, uma superstição coletiva. E onde entra a mística, a lógica pede licença e se retira.


Vinícius Júnior simboliza essa transformação. O craque que brilhava no Real Madrid e parecia apagado sob a camisa amarela finalmente acendeu. E não apenas acendeu: reluz como ouro sob o sol do meio-dia. A defesa tornou-se sólida, as laterais deixaram de ser motivo de apreensão e passaram a transmitir segurança. Danilo, que durante anos não gozou da confiança popular, vem cumprindo sua missão com maestria e discrição. Já Douglas Santos, desconhecido para muitos, tomou posse do lado esquerdo do campo como quem encontra um território que sempre lhe pertenceu.


No meio-campo, Bruno Guimarães transformou-se num garçom de luxo, distribuindo bolas para o ataque comandado pelo camisa 7. Ao seu lado, Matheus Cunha também fez sua parte e deixou sua marca. Em três jogos, o Brasil marcou sete gols: quatro de Vinícius Júnior e três de Cunha. Números que não mentem e que explicam boa parte da campanha.


Rayan substituiu Raphinha e talvez tenha sido ainda mais produtivo. Com menos de vinte anos, entrou para uma seleta galeria ao iniciar uma partida de Copa do Mundo pela Seleção entre os mais jovens da história. É um desses personagens que surgem de repente e nos fazem acreditar que o futuro chegou antes do previsto.


Neymar entrou em campo e deu um passe para Vinícius. Apenas um passe. Mas exatamente aí reside sua importância. Há jogadores que correm mais, marcam mais e ocupam mais espaço. Neymar acrescenta algo diferente: a qualidade rara do último toque, da visão que os demais não possuem. Em poucos minutos mostrou aquilo que ainda pode oferecer.


Agora não há que temer os adversários. Respeitá-los, sim. Temê-los, jamais. O Brasil não está nesta Copa para desempenhar papel secundário. Não somos coadjuvantes da festa alheia. Somos o maior campeão da história do torneio. E quando a camisa amarela recupera a confiança, até os fantasmas do passado começam a mudar de lado.

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