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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Pesquisa da USP vai acompanhar pacientes com Parkinson para identificar risco de quedas e perda de equilíbrio

Divulgação Dra Erica Tardelli


A doença de Parkinson, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma urgência de saúde pública, avança rapidamente em todo o mundo. No Brasil, estimativas apontam que o número de pessoas vivendo com a doença pode ultrapassar 1,2 milhão até 2060. Embora o tremor seja o sintoma mais conhecido, especialistas alertam que o Parkinson começa muito antes dos sinais motores clássicos. Alterações do sono, depressão, constipação intestinal e mudanças cognitivas podem surgir anos antes do diagnóstico. Quando a doença é identificada, estima-se que entre 60% e 70% das células responsáveis pela produção de dopamina já tenham sido perdidas.


Nesse contexto, o estudo busca antecipar fatores de risco, ampliar estratégias de prevenção e uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) pretende identificar os fatores que antecipam a perda de equilíbrio em pessoas com Parkinson e o consequente risco de quedas. O estudo é conduzido pela fisioterapeuta Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP) e doutoranda do Programa de Ciências da Reabilitação da USP.


Segundo Erica Tardelli, o foco do estudo é compreender o impacto do equilíbrio dinâmico — capacidade de manter o controle corporal durante atividades cotidianas, como caminhar, virar ou mudar de posição — e identificar se fatores motores ou cognitivos são os principais responsáveis pelo seu declínio.


“O objetivo é encontrar marcadores simples e acessíveis que permitam identificar precocemente quem tem maior risco de queda, possibilitando intervenções antes da perda de autonomia”, afirma a pesquisadora.


Dados utilizados pela Associação Brasil Parkinson indicam que cerca de 60% das pessoas com a doença sofrem quedas, sendo que dois terços enfrentam episódios recorrentes. A incidência é aproximadamente o dobro da registrada entre idosos sem Parkinson, enquanto o risco de fratura de quadril pode ser até quatro vezes maior.


Além das consequências físicas, o medo de cair também impacta diretamente a qualidade de vida, levando à redução da mobilidade, ao isolamento social e ao agravamento dos sintomas.


Para Erica Tardelli, o desafio é mudar a lógica atual do cuidado. “Hoje, muitas intervenções começam apenas depois da queda. A proposta é atuar de forma preventiva, antes que o impacto aconteça”, destaca.


Para a Associação Brasil Parkinson, o estudo representa também um avanço institucional, ampliando o papel da entidade na produção e disseminação de conhecimento científico voltado às pessoas que convivem com a doença.

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