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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Programa Brasil Contra o Crime Organizado apreende 82,5 toneladas de drogas e prende quase 8 mil pessoas em 30 dias

Iniciativa coordenada pelo Ministério da Justiça mobilizou quase 10 mil agentes em operações realizadas em todo o país e estima prejuízo de R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas

82,5 toneladas de drogas foram apreendidas em todo Brasil. Foto: Divulgação/ Departamento de Operações de Fronteira (DOF)


O Programa Brasil Contra o Crime Organizado completou seus primeiros 30 dias de execução com a apreensão de 82,5 toneladas de drogas, 356 armas, 20.686 munições e a prisão de 7.961 pessoas em todo o país. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), as ações também provocaram um prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às organizações criminosas.


Lançado pelo Governo Federal em 12 de maio, o programa tem como objetivo intensificar o combate ao crime organizado por meio da asfixia financeira das facções, do enfrentamento ao tráfico de armas, da qualificação das investigações de homicídios e do fortalecimento da segurança no sistema prisional.


Durante o primeiro mês, foram realizadas 11 operações em todas as unidades da Federação, mobilizando 9.964 profissionais de segurança pública. As ações foram coordenadas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) e executadas em conjunto por forças federais, estaduais e municipais, incluindo polícias civis, militares, penais e científicas, além da Força Nacional de Segurança Pública.


De acordo com o ministério, foram investidos R$ 31,4 milhões em operações conjuntas no período. Entre os materiais apreendidos estão mais de 19 mil unidades de drogas sintéticas, 312 armas de fogo, 44 armas artesanais, 2,5 quilos de explosivos e 93,2 mil pés de maconha destruídos.


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, afirmou que os resultados demonstram a capacidade de atuação integrada das forças de segurança. Segundo ele, a retirada de drogas, armas e recursos financeiros das organizações criminosas contribui para reduzir sua capacidade operacional e ampliar a presença do Estado em áreas vulneráveis.


Além das apreensões, o programa concentrou esforços no enfraquecimento financeiro das facções. Nos primeiros 30 dias, foram apreendidos R$ 523,3 milhões em bens, bloqueados R$ 22,2 milhões em ativos financeiros e aplicados R$ 10,4 milhões em multas. Também foram recuperados ou preservados R$ 6,5 milhões em receitas tributárias.


Entre as operações com maior impacto financeiro estimado estão a Renoe, responsável por R$ 528,2 milhões em prejuízos ao crime organizado; a Fronteiras, com R$ 485 milhões; a Divisas, com R$ 368,7 milhões; a Renarc, com R$ 130,7 milhões; e a Biomas, com R$ 88,5 milhões.


A Força Nacional de Segurança Pública atuou em 81 frentes operacionais distribuídas em 13 estados e no Distrito Federal. As equipes realizaram mais de 34,6 mil abordagens a pessoas e 20,3 mil abordagens a veículos, resultando na apreensão de 1,68 tonelada de drogas, 14 armas, 27 veículos e mais de 31 mil litros de combustível, além de 41 prisões.


Outra frente de atuação do programa é o fortalecimento da inteligência e da perícia criminal. Nos últimos 30 dias, foram promovidos cursos de comparação balística, papiloscopia e cadeia de custódia, capacitando 131 profissionais. Somadas às ações da Força Nacional, as iniciativas de formação alcançaram 474 agentes de segurança pública.


No sistema prisional, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) intensificou medidas para reduzir a comunicação entre lideranças criminosas e integrantes de facções fora das unidades prisionais. A 11ª fase da Operação Mute resultou na apreensão de 680 celulares em 124 presídios, após a vistoria de 3.728 celas.


O Projeto Padrão Segurança Máxima prevê a modernização de 138 unidades prisionais com a entrega de equipamentos como bloqueadores de sinal, scanners corporais, câmeras com reconhecimento facial, drones e viaturas blindadas. Segundo a Senappen, essas unidades concentram cerca de 80% das organizações criminosas catalogadas no país.


O programa também conta com a atuação da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), responsável por um sistema de alerta rápido para identificação de novas substâncias ilícitas. Desde sua criação, o mecanismo já gerou 14 alertas que subsidiaram ações de inteligência e operações policiais.


Na Amazônia Legal e em regiões de fronteira, a Senad lançou o programa Território Seguro, Amazônia Soberana, que prevê investimentos de R$ 209 milhões para combater organizações criminosas por meio de ações de inteligência, prevenção e fortalecimento de oportunidades econômicas para populações locais.


Outra estrutura incorporada à estratégia nacional é a Rede de Laboratórios Estratégicos contra o Crime (Rede-Lab Crim), coordenada pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus). Criada em março deste ano, a rede reúne 65 laboratórios especializados em rastreamento financeiro e identificação de ativos ilícitos, apoiando investigações relacionadas ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.


Segundo o Ministério da Justiça, os resultados do primeiro mês reforçam a estratégia de integração entre União, estados e municípios no enfrentamento ao crime organizado, combinando ações de repressão, inteligência, capacitação e fortalecimento institucional das forças de segurança.


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