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segunda-feira, 15 de junho de 2026

O Futuro do Futebol é na África



Precisamente na África Ocidental e no Norte do continente. A cada Copa do Mundo, o futebol africano deixa de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade cada vez mais evidente. Hoje, os nossos compatriotas de língua portuguesa de Cabo Verde estrearam em Copas do Mundo com um honroso empate por 0 a 0 diante da Espanha, resultado que certamente deixou a pequena nação insular em estado de êxtase. Para um arquipélago de pouco mais de meio milhão de habitantes, dividir o palco com uma das maiores potências do futebol mundial já é uma conquista histórica.


O crescimento africano não é novidade. Na Copa do Mundo de 2022, o Marrocos alcançou as semifinais pela primeira vez na história do futebol africano, derrubando gigantes europeus e demonstrando ao mundo que o continente possui talento, organização e ambição suficientes para disputar os mais altos degraus do esporte. Aquela campanha não foi um acidente, mas o resultado de décadas de investimento, planejamento e aproveitamento de uma matéria-prima abundante: jogadores talentosos.


Há muito tempo os principais clubes europeus contam com supercraques africanos em seus elencos. Em 1995, George Weah, da Libéria, tornou-se o primeiro e até hoje único africano eleito melhor jogador do mundo. Depois dele vieram nomes como Didier Drogba, da Costa do Marfim, Samuel Eto'o, de Camarões, Yaya Touré, Mohamed Salah, Sadio Mané, Riyad Mahrez, Kalidou Koulibaly e tantos outros que ajudaram a transformar a imagem do futebol africano perante o planeta. Hoje é praticamente impossível encontrar uma grande equipe europeia que não tenha ao menos um jogador africano entre seus destaques.


O Norte da África concentra atualmente as seleções mais organizadas do continente. O Marrocos tornou-se referência em planejamento esportivo e formação de atletas. A Argélia já havia demonstrado sua força na Copa de 2014, realizada no Brasil, quando protagonizou um jogo memorável contra a Alemanha nas oitavas de final, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Os alemães só conseguiram a classificação na prorrogação, após um dos confrontos mais emocionantes daquele Mundial. Nesta Copa, os argelinos voltam a despertar expectativas e amanhã tentarão surpreender a poderosa Argentina.


O Egito, maior campeão da Copa Africana de Nações, talvez seja o caso mais curioso do futebol do continente. Embora domine historicamente as competições africanas, nunca conseguiu repetir esse sucesso nos Mundiais. Ainda assim, estreou nesta Copa com um respeitável empate diante da Bélgica, mostrando que pode ser um adversário difícil para qualquer seleção.


A África Ocidental, por sua vez, continua sendo um celeiro inesgotável de talentos. Senegal, Costa do Marfim, Gana, Nigéria e agora Cabo Verde produzem jogadores que brilham nos maiores campeonatos do mundo. Em muitos aspectos, a região ocupa hoje o papel que a América do Sul desempenhou durante grande parte do século XX: uma fonte permanente de craques para o futebol internacional.


Já a África Meridional, onde se localizam os nossos irmãos de língua portuguesa Angola e Moçambique, ainda busca alcançar o mesmo nível competitivo. Angola participou apenas uma vez de uma Copa do Mundo, em 2006, na Alemanha, sob a liderança do inesquecível Zé Kalanga, personagem folclórico e querido pelos amantes do futebol. Moçambique, por sua vez, ainda sonha com a primeira classificação para um Mundial. São países que possuem paixão pelo esporte, mas enfrentam dificuldades estruturais e econômicas que limitam o desenvolvimento de suas seleções.


O futuro do futebol mundial talvez não esteja mais apenas nas tradicionais potências da Europa e da América do Sul. Com uma população jovem, apaixonada pelo esporte e cada vez mais integrada aos grandes centros de formação e competição, a África desponta como a grande fronteira do futebol do século XXI. O que hoje parece novidade poderá, em poucas décadas, tornar-se rotina. E quando isso acontecer, talvez nos lembremos de que os sinais já estavam todos ali, espalhados entre as areias do Saara, as montanhas do Atlas, as ilhas de Cabo Verde e os campos vermelhos da África Ocidental.


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