Iniciativa visa fortalecer o turismo sustentável na região
| Casa de Pedra - Martins (RN) - Foto Daniel Menin |
Para avaliar medidas de preservação, pesquisa e uso público de cavernas com sítios arqueológicos no Rio Grande do Norte, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (ICMBio/Cecav), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema-RN) se uniram em uma visita técnica nos municípios de Martins e Baraúna. A iniciativa faz parte das ações da Rota das CaveRNas, iniciativa desenvolvida pelo ICMBio/Cecav em parceria com prefeituras da região, Governo do Estado e o Sebrae-RN.
A equipe visitou sítios arqueológicos na caverna Casa de Pedra, no município de Martins, Abrigo do Letreiro e o Lajedo em Pé, localizados no município de Baraúna, no interior do Parque Nacional da Furna Feia. Foram avaliadas as condições atuais de preservação desses locais e discutidas diretrizes e estratégias voltadas ao seu uso sustentável.
Vistoria no Abrigo do Letreiro - Parque Nacional da Furna Feia (RN) - Foto Diego Bento
No sítio Casa de Pedra, inserido no Monumento Natural Estadual Cavernas de Martins, foram analisadas medidas relacionadas à organização da visitação turística já estabelecida. A iniciativa busca assegurar que o acesso público ocorra de forma compatível com a conservação do patrimônio arqueológico e da própria caverna.
O sítio apresenta elevada relevância científica. Estudos arqueológicos desenvolvidos desde a década de 1980 identificaram centenas de vestígios associados à ocupação de povos indígenas pré-coloniais, contribuindo significativamente para a ampliação do conhecimento sobre a presença humana no interior do Nordeste brasileiro.
| Abrigo do Letreiro - Parque Nacional da Furna Feia (RN) - Foto Daniel Menin |
No Abrigo do Letreiro, que em breve será aberto à visitação, a equipe técnica avaliou o ordenamento da visitação e a proposta voltada à acessibilidade a cadeirantes. Entre as alternativas em análise, destacam-se a implantação de passarelas de baixo impacto, concebidas para minimizar riscos e evitar danos aos depósitos arqueológicos preservados no local.
“A partir da visita realizada, o Iphan providenciará documentos técnicos que apontarão as possíveis melhorias que deverão ser implementadas. No caso do Abrigo do Letreiro, o local poderá ser aberto à visitação com as regras já estabelecidas no plano de manejo espeleológico (tais como visitas exclusivamente guiadas por condutores locais capacitados, o isolamento das pinturas do alcance dos turistas e a proibição de uso de flash nas fotos, por exemplo). O projeto de acessibilidade a cadeirantes foi previamente aprovado, no entanto serão necessárias algumas medidas como o acompanhamento de arqueólogo durante a execução. O Iphan poderá ainda sugerir outras medidas para minimizar os impactos da intervenção”, afirmou o analista ambiental e chefe da Base Avançada do ICMBio/Cecav no Rio Grande do Norte, Diego Bento.
Durante a visita técnica, também foram discutidas medidas de proteção dos painéis rupestres, como o controle de cupins por exemplo. As instituições também vistoriaram o sítio arqueológico Lajedo em Pé, cuja configuração incomum, com grandes lajes de calcário dispostas verticalmente, tem despertado interesse científico e levantado hipóteses sobre possíveis intervenções humanas antigas. Na ocasião, também foram realizados procedimentos de caracterização, georreferenciamento e cadastramento dos sítios, além de atualizações no Abrigo do Letreiro e recomendações preliminares para medidas emergenciais de preservação e conservação.


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