Especialistas alertam para a necessidade de equilibrar o uso da tecnologia com hábitos saudáveis durante a infância
A obesidade infantil segue em crescimento no país e é considerada um dos principais desafios de saúde pública da atualidade. Em 2025, mais de 3 milhões de crianças e adolescentes de até 19 anos acompanhados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apresentavam excesso de peso, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). O cenário acende um alerta para fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação inadequada, redução da prática de atividades físicas e aumento do tempo de exposição às telas.
Em um contexto em que celulares, tablets, computadores e videogames ocupam cada vez mais espaço na rotina infantil, especialistas observam uma mudança significativa nos hábitos das crianças. Horas dedicadas à atividades sedentárias frequentemente substituem brincadeiras ao ar livre, esportes e outras formas de movimento essenciais para o desenvolvimento físico e emocional.
O excesso de peso na infância está associado a um maior risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações metabólicas, problemas ortopédicos e transtornos relacionados à saúde mental, além de aumentar as chances de obesidade na vida adulta.
De acordo com a psicóloga Giorgia Ocinschi, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o uso excessivo de telas não deve ser analisado isoladamente, mas como parte de uma mudança de hábitos que influencia diretamente a saúde infantil. "O problema não está apenas na tecnologia, mas no tempo que ela ocupa dentro da rotina. Quando as telas passam a substituir atividades físicas, momentos de interação social, brincadeiras e até horas de sono, há impactos importantes no desenvolvimento físico e mental, além do impacto na auto estima, o que dificulta o controle do peso corporal", explica.
Outro fator que merece atenção é a influência do ambiente digital sobre os hábitos alimentares. Crianças são frequentemente expostas a conteúdos e publicidades que promovem produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas, o que pode influenciar suas escolhas e preferências alimentares desde cedo.
Segundo a nutricionista Ana Paula Leal da Costa, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, além da redução do gasto energético, o uso prolongado de dispositivos eletrônicos também pode influenciar o comportamento alimentar. "É cada vez mais comum que crianças façam refeições diante das telas. Isso reduz a atenção aos sinais de fome e saciedade e pode favorecer o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura e sódio", afirma.
Embora a obesidade infantil tenha causas multifatoriais, a prevenção passa pela construção de hábitos saudáveis dentro de casa. Estabelecer limites de tempo de tela, incentivar a prática regular de atividades físicas, promover uma alimentação equilibrada e garantir uma rotina adequada de sono estão entre as principais recomendações dos especialistas.
"O exemplo dos pais e responsáveis têm papel fundamental na formação dos hábitos das crianças. Quando a família adota uma rotina equilibrada, com alimentação saudável, prática de atividades físicas e uso consciente da tecnologia, a criança tende a incorporar esses comportamentos de forma natural, fortalecendo a prevenção da obesidade ao longo da vida", conclui a psicóloga.



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