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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Acabou a Copa

FIFA


Como todas as coisas raras e intensamente esperadas, acabou a Copa do Mundo. Para nós, brasileiros, ela já havia terminado no domingo, 5 de julho. Restava apenas conhecer o novo campeão. A Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação e conquistou o segundo título mundial de sua história.


A Espanha agora é a única seleção a vencer duas Copas do Mundo no século XXI. No século passado, jamais havia chegado à decisão. Hoje soma duas finais e duas estrelas no peito. A Fúria, que durante décadas carregou a fama de sucumbir nos momentos decisivos, finalmente passou a integrar, com mérito, o restrito clube das grandes campeãs do mundo.


O Brasil continua soberano na história, com seus cinco títulos, mas vive um período em que faltam perspectivas reais de voltar ao topo. A seleção parece ter perdido a própria identidade. Sobram jogadores talentosos, mas faltam personalidade, liderança e espírito coletivo. Muitos se preocupam mais com contratos publicitários, apostas esportivas e a imagem de celebridade do que com a responsabilidade de vestir a camisa mais vitoriosa do futebol. O Brasil deixou de impor seu estilo e passou a tentar derrotar os europeus jogando como os europeus — e quase sempre perde nesse jogo.


Para voltar a vencer será preciso renascer. Será necessário aprender com quem faz melhor, abandonar algumas ilusões e reconstruir o futebol brasileiro desde a base. A integração entre as seleções de formação e a equipe principal precisa deixar de ser discurso e se transformar em projeto. Também será preciso recuperar fundamentos esquecidos — como formar grandes laterais — e entender que uma equipe campeã não se faz apenas com nomes brilhantes. O Brasil do passado encantava porque reunia craques; o Brasil de hoje ainda não aprendeu que um grande time pode ser formado apenas por bons jogadores comprometidos com uma ideia de jogo.


Um dia o Brasil voltará a ganhar a Copa do Mundo. A história ensina que nenhuma potência permanece para sempre no alto ou no fundo. Nunca é tempo demais para uma camisa que já levantou cinco vezes o maior troféu do futebol. Difícil, porém, imaginar que isso aconteça na próxima edição. A travessia parece ainda estar longe do fim.


Mas o futebol, como a própria vida, é feito de ciclos. Quando o Brasil reencontrar sua identidade, compreender que seleção não é palco para celebridades, mas espaço para líderes e vencedores, voltará a conquistar o mundo. E, quando esse dia chegar, a sexta estrela parecerá menos um milagre e mais o desfecho natural de um renascimento há muito esperado.

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