Oftalmologista do HU-UFPI/HU Brasil recomenda iniciar exames periódicos a partir dos 35 anos; pessoas com fatores de risco devem começar mais cedo
Teresina (PI) - O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo e, por evoluir de forma silenciosa, costuma ser diagnosticado apenas em estágios mais avançados. Para prevenir a perda permanente da visão, a recomendação é que a população realize consultas oftalmológicas periódicas a partir dos 35 anos, com avaliação da pressão intraocular e exames específicos para investigação da doença.
De acordo com o oftalmologista Napoleão Bonaparte de Sousa Junior, do HU-UFPI/HU Brasil, a incidência do glaucoma aumenta com a idade, tornando o acompanhamento regular indispensável. "O rastreamento é recomendado principalmente após os 35 anos, período em que a incidência da doença cresce ", explica.
Embora a recomendação geral seja iniciar a investigação nessa faixa etária, algumas pessoas precisam antecipar o acompanhamento. Pacientes com histórico familiar de glaucoma, diabetes, hipertensão arterial, alta miopia ou alta hipermetropia, além daqueles que fazem uso prolongado de corticoides — seja por comprimidos, xaropes ou colírios —, apresentam maior risco de desenvolver a doença e devem ser avaliados precocemente.
Também merecem acompanhamento diferenciado pessoas com alterações congênitas, mutações genéticas, traumas oculares, uveítes e doenças inflamatórias ou reumatológicas que possam comprometer os olhos.
Ladrão silencioso da visão
O glaucoma geralmente não provoca sintomas nas fases iniciais. O tipo mais frequente da doença, o glaucoma primário de ângulo aberto, evolui de forma lenta e silenciosa, fazendo com que muitos pacientes só descubram o problema quando já houve perda significativa do campo visual.
"O maior desafio é o diagnóstico precoce, porque o paciente não sente dor nem percebe alterações importantes no início da doença. Quando procura atendimento, muitas vezes já perdeu uma parte importante da visão", alerta o oftalmologista.
O glaucoma compromete primeiro a visão periférica e, progressivamente, avança em direção ao centro. Como um olho acaba compensando parcialmente a perda do outro, o cérebro se adapta, dificultando que o paciente perceba a redução do campo visual. "Sem consultas regulares, aferição da pressão intraocular e avaliação do nervo óptico, a doença pode evoluir sem ser percebida”, ressalta o médico.
Casos podem apresentar sintomas agudos
Embora a forma mais comum seja assintomática, existem tipos de glaucoma que podem provocar sintomas intensos.
"No glaucoma primário de ângulo fechado, por exemplo, a pressão intraocular pode aumentar rapidamente em determinadas situações, causando dor ocular intensa e exigindo atendimento de urgência. Já os glaucomas secundários, decorrentes de traumas, inflamações ou outras doenças, também podem apresentar manifestações mais evidentes", pontua o oftalmologista Napoleão Bonaparte de Sousa Junior.
Controle da doença
O glaucoma não tem cura, mas pode ser controlado quando diagnosticado precocemente. O tratamento tem como objetivo reduzir a pressão intraocular e impedir a progressão da perda visual.
Na maioria dos casos, o controle é feito com colírios de uso contínuo. Quando os medicamentos não são suficientes, o paciente pode ser submetido a procedimentos a laser ou a cirurgias para controlar a pressão intraocular.
"O diagnóstico precoce é fundamental porque, uma vez iniciado o tratamento, conseguimos controlar a doença e evitar que ela continue provocando perda da visão. Quanto mais cedo identificarmos o glaucoma, maiores serão as chances de preservar a qualidade de vida do paciente", conclui Napoleão Bonaparte de Sousa Junior.


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