Médico da UnP/Inspirali explica sintomas, fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce
| Foto: Magnific |
O diagnóstico de pielonefrite divulgado recentemente pela atriz Carolina Dieckmann chamou a atenção para uma doença que pode ser confundida com uma infecção urinária comum, mas que apresenta riscos maiores. A pielonefrite acomete os rins e, quando não é tratada precocemente, pode evoluir para complicações sérias, como insuficiência renal e extensão para outros órgãos.
Segundo Felipe Guedes, nefrologista e professor da Universidade Potiguar (UnP), integrante da Inspirali, ecossistema da Ânima Educação que atua na gestão de 15 escolas médicas em diversas regiões do Brasil, a pielonefrite é uma infecção bacteriana que atinge os rins e a pelve renal, estrutura responsável pela coleta da urina.
“A pielonefrite é considerada a forma mais grave da infecção urinária porque acomete um órgão altamente vascularizado. Isso faz com que a bactéria possa alcançar a corrente sanguínea e desencadear uma sepse, que é uma infecção generalizada e potencialmente fatal”, explica.
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a doença nem sempre provoca os sintomas clássicos das infecções urinárias, como ardor ao urinar e aumento da frequência urinária.
“Em muitos casos, os primeiros sinais são febre alta, calafrios, suor excessivo, perda de apetite, dor na região lombar e mal-estar intenso. O paciente pode, inclusive, não apresentar qualquer desconforto urinário, o que dificulta a identificação precoce da doença e pode retardar a busca por atendimento médico”, complementa o especialista.
Grupos de risco
Embora possa acometer qualquer pessoa, a pielonefrite é mais frequente entre as mulheres devido às características anatômicas. Como a uretra feminina é mais curta, as bactérias conseguem alcançar a bexiga com mais facilidade e, em alguns casos, chegar aos rins.
Além disso, algumas condições aumentam o risco de desenvolver a doença, como diabetes, imunossupressão, transplante renal, uso prolongado de sonda vesical e o hábito de reter a urina por longos períodos.
“O simples hábito de adiar a ida ao banheiro pode favorecer a proliferação bacteriana. Manter uma boa ingestão de líquidos e urinar sempre que houver vontade são medidas importantes de prevenção”, orienta Guedes.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico inicial é realizado por meio do exame de urina, complementado pela urocultura, que identifica a bactéria causadora da infecção e auxilia na escolha do antibiótico mais adequado.
Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento é feito com antibióticos. Nos casos mais críticos, pode ser necessária a internação hospitalar para administração da medicação por via intravenosa. “A rapidez no diagnóstico e no início do tratamento é fundamental para evitar agravamentos, como insuficiência renal aguda e sepse”, ressalta o nefrologista.
Atenção à saúde dos rins
Além de reforçar a importância do tratamento adequado das infecções urinárias, o caso da atriz também chama a atenção para a necessidade de acompanhar regularmente a saúde dos rins. Diversas doenças renais podem evoluir de forma silenciosa.
“Nem toda alteração renal causa sintomas. Exames simples, como a dosagem de creatinina no sangue e a análise de urina, conseguem identificar precocemente alterações da função renal, especialmente em pessoas que pertencem aos grupos de risco”, afirma.


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