- COP17 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação é realizada até 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia
- Banco leva à Conferência experiências como Sertão Vivo, Recaatingar e Sanear Amazônia e participa de debates sobre financiamento à restauração e agricultura resiliente
Agência BNDES - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresenta, na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17/UNCCD), experiências brasileiras de financiamento à restauração de terras, adaptação climática, segurança hídrica e agricultura resiliente. A conferência vai até 28 de agosto, em Ulaanbaatar, na Mongólia, e o Banco integra a delegação oficial brasileira.
Ao longo da programação, o BNDES leva aos debates iniciativas desenvolvidas em diferentes biomas e territórios brasileiros, com destaque para o Sertão Vivo, Recaatingar e Sanear Amazônia, além da experiência do Fundo Amazônia e de instrumentos financeiros capazes de combinar recursos públicos, privados e internacionais para ampliar investimentos em restauração, convivência com a seca e desenvolvimento sustentável.
“A recuperação de terras degradadas, o acesso à água e a adaptação da produção aos eventos climáticos extremos são desafios ambientais, sociais e econômicos. O Brasil vem construindo soluções que articulam financiamento, políticas públicas e atuação nos territórios, e o BNDES tem instrumentos para ajudar a transformar essas soluções em investimentos de maior escala. A COP17 é uma oportunidade para compartilhar essa experiência e ampliar as parcerias internacionais nessa agenda”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
O Banco está sendo representado nos painéis por Julio Salarini, gerente do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, que participa de quatro eventos. As discussões abordam desde soluções para convivência com a seca no Semiárido brasileiro até mecanismos para mobilizar capital público e privado para restauração de paisagens e sistemas agrícolas.
“A COP17 é uma oportunidade para mostrar como instrumentos financeiros distintos podem ser combinados de acordo com a realidade de cada território. A experiência brasileira mostra que restauração, segurança hídrica, produção sustentável e inclusão social podem fazer parte de uma mesma estratégia. Também queremos ampliar o diálogo com bancos de desenvolvimento e organismos multilaterais para identificar soluções que permitam levar esses investimentos a uma escala cada vez maior”, afirma Julio Salarini.
Agenda do BNDES – O BNDES participou do evento “Financiamento Climático para Regiões Semiáridas”, nessa segunda-feira, quando discutiu mecanismos financeiros para adaptação climática, restauração ecológica e resiliência à seca. O Banco apresentou a trajetória e os resultados do Fundo Amazônia e discutiu elementos que podem contribuir para a estruturação de mecanismos voltados à Caatinga e a outras regiões semiáridas. O debate também abordou blended finance, fundos climáticos, financiamento multilateral e formação de carteiras de projetos capazes de atrair novos recursos.
Nessa terça, 25, o Banco participou do painel From Commitments to Coordinated Action: Aligning Agricultural Landscapes to Deliver Land Degradation Neutrality (Dos compromissos à ação coordenada: alinhando paisagens agrícolas para alcançar a neutralidade da degradação da terra), organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e pela Regen10. O BNDES apresentou a perspectiva dos bancos públicos de desenvolvimento sobre como mobilizar investimentos de longo prazo e articular governos, produtores, empresas e demais parceiros para transformar compromissos de recuperação de terras em projetos implementados nos territórios.
Também nessa terça-feira, no Pavilhão Brasil, o Banco participou do evento Access to Water in the Semi-Arid Region: The Case of DAKI-Semiárido Vivo and Sertão Vivo (Acesso à água no Semiárido: os casos do DAKI-Semiárido Vivo e do Sertão Vivo). Sua apresentação tratou do papel do Sertão Vivo na replicação de soluções de adaptação climática e convivência com o Semiárido. O painel reuniu experiências brasileiras de acesso à água, articulação entre Estado e sociedade civil, inclusão produtiva e agricultura familiar.
Nesta quinta, 27, o BNDES participa ainda do evento Restoring Agricultural Lands and Preventing Degradation: Financing Solutions through Public Development Banks (Restauração de terras agrícolas e prevenção da degradação: soluções de financiamento por meio de bancos públicos de desenvolvimento), organizado pela UNCCD, Asia-Pacific Rural and Agricultural Credit Association (APRACA), Agence Française de Développement (AFD) e Agri-PDB Platform. O Banco integra o painel sobre operacionalização do financiamento à restauração por bancos públicos de desenvolvimento, com foco em blended finance, instrumentos de redução de risco, estruturação de projetos e mobilização de capital privado para recuperação de terras e agricultura sustentável. O debate também abordará o acelerador RAIZ – Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation, lançado na COP30, em Belém.
Iniciativas brasileiras
Sertão Vivo – Realizado pelo BNDES em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Fundo Verde para o Clima (GCF), o Sertão Vivo reúne R$ 1,025 bilhão em contratos e prevê beneficiar cerca de 250 mil famílias, aproximadamente 1 milhão de pessoas, na Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe. Entre as metas estão a implantação de 20 mil sistemas de acesso à água e 84 mil hectares de sistemas produtivos resilientes, além da redução ou prevenção estimada de cerca de 11 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 20 anos.
A iniciativa combina adaptação climática, segurança hídrica e agricultura familiar para criar sistemas produtivos resilientes. Esses sistemas utilizam tecnologias que se adaptam ao semiárido, contribuindo para manter a estabilidade econômica e a segurança alimentar das famílias mesmo diante de eventos extremos, como secas e mudanças climáticas.
Recaatingar – Lançado pelo BNDES e pelo Banco do Nordeste (BNB), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o edital Recaatingar destina R$ 60 milhões à recuperação socioprodutiva de terras degradadas na Caatinga. A chamada abrange municípios prioritários de nove estados e apoia ações que podem combinar restauração ecológica, sistemas agroflorestais, agroecologia, recuperação de solos e corpos hídricos, conservação da água e fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade. Com a iniciativa, a atuação do BNDES com impacto direto na Caatinga e no Semiárido supera R$ 1,28 bilhão em ações de restauração, adaptação climática, segurança hídrica, agricultura familiar e inclusão produtiva.
Sanear Amazônia – Financiado pelo Fundo Amazônia, o Sanear Amazônia leva tecnologias sociais de acesso à água, saneamento e apoio à produção sustentável a comunidades da região. Em sua primeira fase, a iniciativa beneficia 4.626 famílias no Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia. A estratégia combina acesso à água de qualidade com assistência técnica e inclusão produtiva, utilizando soluções adaptadas a comunidades rurais e tradicionais. A experiência foi ampliada com o Sanear Indígena, que destinará outros R$ 150 milhões do Fundo Amazônia para beneficiar 4.417 famílias indígenas — mais de 20,8 mil pessoas — em 351 aldeias de 63 Terras Indígenas no Acre, Amazonas e Pará.
A agenda na COP17 também permitirá ao BNDES aprofundar o diálogo com bancos públicos de desenvolvimento, organismos multilaterais e potenciais parceiros financeiros, com foco na cooperação e na mobilização de recursos para iniciativas de restauração, adaptação climática, segurança hídrica e desenvolvimento sustentável em territórios vulneráveis à seca e à degradação da terra.



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