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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Debate da Band foi um desastre e transformou eleição em programa de entretenimento



Foi muito ruim o primeiro debate entre os quatro candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, realizado neste domingo (9) pela Band. O formato engessou a discussão ao concentrar na mediação a escolha dos temas e, ao mesmo tempo, favorecer a troca de acusações entre os candidatos. Na prática, um candidato respondia e, em seguida, outro comentava a resposta, sem que houvesse espaço efetivo para perguntas livres entre eles.


Nessa troca de ataques, apenas o candidato do PSOL, Robério Paulino, ficou de fora da mira dos adversários, já que nunca exerceu cargo no Executivo. Quando, por exemplo, acusou Allyson Bezerra de “farmar aura”, acabou ganhando destaque na imprensa nacional. Em 2014, Robério já havia chamado atenção ao impedir a vitória de Henrique Alves no primeiro turno e, com o mesmo estilo nos debates, acabou contribuindo para marcar o fim da carreira política do ex-deputado.


Allyson Bezerra foi o principal alvo dos ataques relacionados à Operação Mederi, recebendo críticas dos três adversários. Álvaro Dias também esteve na mira, principalmente pelas críticas à entrega de um hospital sem funcionamento e pela situação da Praia de Ponta Negra durante sua gestão como prefeito de Natal com a obra da engorda feita de modo equivocado.


Cadu Xavier, estreante em disputas eleitorais, tenta concentrar sua campanha no apoio do presidente Lula, adotando o nome “Cadu de Lula”, uma estratégia que soa quase como uma patacoada de terceiro mundo. No debate, porém, acabou sendo atacado pela impopularidade do governo Fátima Bezerra, que, apesar de ter feito um bom governo, foi duramente desgastado pelos blogs e pelas redes sociais, além de ter governado um Estado que enfrenta dificuldades financeiras há cerca de 30 anos, desde o declínio da economia algodoeira.


Em resumo, o debate foi horrível. Não houve sequer uma linha de argumentação consistente por parte dos candidatos, principalmente porque o formato não permitia. Em boa parte das intervenções, eles tinham apenas 30 segundos para responder, tempo insuficiente para desenvolver qualquer raciocínio mais elaborado.


O resultado foi a transformação de um debate eleitoral em uma espécie de programa de entretenimento, no qual os candidatos acabaram rebaixados ao nível do humor mais sem futuro. Pobre do eleitor.

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