Segue a todo vapor a campanha eleitoral para escolher, no dia 4 de outubro, o melhor dançarino do Rio Grande do Norte. Os principais concorrentes têm se dedicado, com admirável disciplina e verdadeiro espírito olímpico, ao mais alto padrão performático das dancinhas do TikTok, dos pulinhos estratégicos e das corridas no meio da rua. Há candidato que corre tanto que, se continuar nesse ritmo, chegará ao dia da eleição em excelente forma física e absolutamente exausto de ideias.
Cadu Xavier, cognominado Cadu de Lula, resolveu transformar a campanha numa espécie de preparação para a São Silvestre. Corre debaixo do sol potiguar com tamanha convicção que, até outubro, poderá perder uns trinta quilos. Corre bem, mas a dança anda meio travada como a elegância de quem está procurando a sombra de um juazeiro.
Allyson Bezerra, vindo das terras de Mossoró, é outro candidato de notável vocação coreográfica. Especializou-se naquela modalidade eleitoral em que o político arregala os olhos, faz uma muganga facial, dá dois pulinhos e continua andando como se tivesse acabado de descobrir a solução para todos os problemas do Estado e é especialista em fazer o "passinho da Dismed".
E há Álvaro Dias, cuja dança merece capítulo à parte.
Álvaro dança quando Ponta Negra permite. Como o ex-prefeito conhece bem a relação entre praia, maré e política municipal, prefere esperar que as areias não estejam alagadas antes de iniciar sua performance.
É especialista numa modalidade raríssima: a dança que não engorda.
O eleitor potiguar, portanto, está diante de uma eleição histórica. Antigamente, votava-se para escolher governador. Hoje, tudo indica que votaremos para escolher o campeão estadual de dança.
*O texto é uma sátira*



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