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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

No interior paulista, Antonio Candido viveu renascimento intelectual durante período como professor da Faculdade de Letras de Assis

Na antiga FFCL, que se integrou à Unesp em 1976, o sociólogo fez imersões intelectuais inéditas e pôde pela primeira vez atuar como pesquisador e professor de literatura

Antonio Candido em 1959 / Eduardo Ayrosa - Cedap Assis


Ao incorporar, em 1976, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (FFCL), a Unesp trouxe uma contribuição histórica para o ensino universitário de literatura: os anos iniciais de docência na área de um dos maiores intelectuais do Brasil, Antonio Candido (1918-2017). Sua atuação como professor em Assis foi breve, de 1958 até 1960, porém redefinidora para sua carreira profissional. O sociólogo e crítico literário recebeu em 1988 o título de professor emérito da atual Faculdade de Ciências e Letras do câmpus de Assis da Unesp.


Em 1957, Antonio Candido vivia um impasse em sua carreira profissional. Desde 1942 integrava o quadro de docentes da Universidade de São Paulo (USP) onde lecionava Sociologia, sua área de formação. Naquele ano, Candido estava em licença da USP quando chegou o convite de Antonio Soares Amora [então diretor da FFCL] para que fizesse parte do grupo de professores em Assis. No início do ano seguinte, começou a participar das sessões de organização da nova faculdade e mudou-se para a cidade no segundo semestre.


No seu movimento para o interior paulista, causou espanto nos amigos ao deixar a capital. A FFCL começou a funcionar em 1959. No mesmo ano, sua esposa, a também professora Gilda de Mello e Souza (falecida em 2005) e suas filhas juntaram-se a ele em Assis. A rotina na nova cidade foi imediatamente assimilada pelo sociólogo, como relembrou Candido em entrevista ao professor e pesquisador Fábio Ruela de Oliveira em seu livro “História da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (1958-1964)”.


“Na parte da manhã havia apenas estudos dos professores. Todos cuidavam dos seus trabalhos. Eu propus então que nós estabelecêssemos o ‘Pacto do Silêncio’. Isto era uma coisa oficial e essa minha expressão pegou. A ideia era conversar o menos possível um com o outro e trabalhar, produzir. O resultado de nós passarmos quatro horas, todas as manhãs, lendo, tomando nota, preparando aula, escrevendo, era um rendimento extraordinário. Quatro horas por dia, no fim do ano é uma coisa fantástica! (…) Lá nós éramos como alunos de colégio interno, eram quatro horas de estudo. Depois a tarde a gente dava as aulas e atendia os alunos”, recordou Antonio Candido ao pesquisador.


A importância da primeira experiência docente em Letras de Antonio Candido é ressaltada por uma de suas filhas, a escritora e designer Ana Luísa Escorel, no artigo "Antonio Candido e Assis", publicado na revista Miscelânea, da FCL-Unesp: “A cidade e, particularmente, a Faculdade de Letras de Assis tiveram papel decisivo na vida intelectual e na vida privada de meu pai, tendo permitido a ele uma ruptura positiva e o início de nova etapa tanto na esfera profissional quanto na esfera doméstica de sua trajetória”.


Ana Luísa Escorel lembrara que a ida para Assis, em 1958, ofereceu ao pai a chance de se concentrar de maneira praticamente exclusiva no trabalho intelectual, circunstância nunca antes experimentada por ele. “O que Assis proporcionou a Antonio Candido foi a experiência do ensino da literatura e da teoria literária na universidade”, analisa o historiador Paulo Henrique Martinez, professor da FCL-Unesp.


Essa transição profissional de Antonio Candido foi tratada por Martinez no artigo "Estação de muda: Antonio Candido em Assis (1958-1960)". No entanto, para Martinez, o professor de literatura não necessariamente se afastou da sociologia. E o ponto de convergência entre o sociólogo e o estudioso da literatura está na valorização da dimensão humana.


“A cultura nunca foi estranha ao sociólogo e o crítico literário nunca abriu mão da perspectiva sociológica na explicação da literatura, desde que ela não substituísse nem sufocasse o âmbito da criatividade e da realização estética”, diz Paulo Henrique Martinez.


Leia a reportagem completa no Jornal da Unesp, dentro da série "50 anos, 50 histórias", em celebração ao cinquentenário da Unesp.

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