O Piauí passou a utilizar inteligência artificial para integrar informações de diferentes bases de segurança pública e acelerar a resposta das forças policiais. A iniciativa reúne videomonitoramento, leitura automática de placas, reconhecimento facial, consulta a mandados de prisão e cruzamento de dados oficiais em uma única estrutura operacional.
O sistema, chamado de SPIA (Sistema de Policiamento por Inteligência Artificial), foi implantado pela Secretaria da Segurança Pública e começou a funcionar em 16 de agosto de 2025. A proposta é reduzir o tempo entre a identificação de uma ocorrência ou de uma pessoa suspeita e o acionamento das equipes que estão nas ruas.
Antes da implantação, informações importantes para o trabalho policial estavam distribuídas em diferentes sistemas. Bases de mandados, cadastros, câmeras e equipamentos de leitura de placas funcionavam de maneira mais fragmentada, o que dificultava a transformação dos dados em respostas rápidas.
Com o SPIA, essas informações passaram a ser integradas dentro do Centro Integrado de Comando e Controle, permitindo a geração de alertas em tempo real e o encaminhamento das ocorrências para as equipes operacionais.
A estrutura conta atualmente com 629 postes inteligentes, mais de 1,2 mil câmeras de última geração em Teresina e mais de 3,5 mil câmeras conectadas em todo o estado.
Um dos resultados apresentados pelo projeto está relacionado à produção de evidências digitais para investigações. As solicitações de extração de informações passaram de 18 em dezembro de 2025 para 65 em março de 2026, crescimento de aproximadamente 261%.
No período, foram registrados mais de 160 atendimentos a autoridades, com utilização do sistema em investigações de crimes como homicídios, latrocínios, roubos e atos de vandalismo.
Além da integração tecnológica, o projeto estabeleceu uma estrutura própria de governança antes da entrada em funcionamento. Foram definidas diretrizes relacionadas à segurança da informação, padronização tecnológica e uso ético da inteligência artificial.
A preocupação ganha importância diante da utilização de tecnologias como o reconhecimento facial, que envolve o processamento de dados capazes de identificar pessoas. A governança busca estabelecer critérios para a utilização dessas ferramentas dentro da política de segurança pública.
Com menos de um ano de operação, o SPIA representa uma mudança na forma de utilização das informações produzidas pelos equipamentos de segurança. Em vez de manter câmeras, bancos de dados e sistemas de identificação funcionando de maneira isolada, a estratégia adotada pelo Piauí é concentrar essas informações em uma estrutura capaz de transformá-las em alertas e apoio às decisões operacionais.
A experiência mostra como a inteligência artificial pode ser utilizada não apenas para ampliar a quantidade de dados disponíveis às forças de segurança, mas também para diminuir o intervalo entre a obtenção da informação e sua utilização em uma ocorrência ou investigação.


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