Pessoas que passam a semana sem praticar atividades físicas e concentram exercícios intensos aos finais de semana podem colocar o coração sob sobrecarga sem preparo adequado
A busca por uma rotina mais saudável tem levado muitas pessoas a incluírem esportes na agenda, mas um comportamento cada vez mais comum entre profissionais com jornadas intensas de trabalho chama a atenção dos especialistas: passar a semana inteira em uma rotina sedentária e tentar compensar a falta de exercícios com treinos de alta intensidade aos sábados e domingos.
Conhecido popularmente como “Síndrome do Coração de Fim de Semana”, esse padrão envolve pessoas que não mantêm uma frequência regular de atividade física e, de repente, submetem o organismo a esforços elevados, como longas corridas, partidas prolongadas de beach tennis, ciclismo ou treinos intensos. Embora a prática esportiva seja uma das principais aliadas da saúde cardiovascular, a falta de preparo pode aumentar o risco de eventos cardíacos, especialmente em pessoas que possuem fatores de risco ainda não identificados.
“O exercício físico é essencial para a prevenção de doenças cardiovasculares, mas o coração também precisa de adaptação. Quando uma pessoa passa dias ou meses sem uma rotina de atividade e, de repente, realiza um esforço muito acima do que está acostumada, existe uma exigência maior do sistema cardiovascular”, explica o Dr. André Brandão, médico cardiologista da Kora Saúde.
Segundo o especialista, um dos principais desafios está no fato de que muitas pessoas associam disposição para praticar esportes com preparo físico, mas esses fatores nem sempre caminham juntos. Um indivíduo pode se sentir bem durante a atividade e ainda assim apresentar condições silenciosas, como alterações de pressão arterial, arritmias ou doenças cardiovasculares que precisam de acompanhamento.
“Não significa que a pessoa deve evitar esportes ou atividades intensas. Pelo contrário, o exercício é recomendado e traz inúmeros benefícios. A questão é respeitar o processo de adaptação do organismo e entender que cada pessoa possui uma condição cardiovascular diferente”, reforça o cardiologista.
Antes de iniciar uma rotina esportiva mais intensa, principalmente após um longo período de sedentarismo, a avaliação médica pode ajudar a identificar possíveis riscos e orientar a melhor forma de evolução dos treinos. Histórico familiar de doenças cardíacas, idade, pressão arterial, níveis de colesterol, tabagismo e sintomas como dor no peito, falta de ar fora do habitual ou palpitações são fatores que devem ser considerados.
O alerta também vale para pessoas que mantêm uma rotina profissional exigente e passam grande parte do dia sentadas. Pequenas mudanças ao longo da semana, como caminhadas, pausas para movimentação, exercícios de fortalecimento e uma progressão gradual da intensidade, podem ser mais eficazes para a saúde do coração do que concentrar todo o esforço físico em apenas um ou dois dias.
“O coração responde melhor à regularidade do que aos excessos pontuais. O objetivo deve ser construir uma rotina sustentável, que combine prazer, segurança e acompanhamento adequado”, finaliza Dr. André Brandão.


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