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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Tempo integral na educação: um avanço que precisa ir além das horas

Paloma Herginzer
Rodrigo Leal


*Paloma Herginzer  


A ampliação da educação em tempo integral representa uma transformação relevante na educação brasileira. A permanência dos estudantes por mais tempo na escola ganhou espaço nas políticas públicas. A criação do Programa Escola em Tempo Integral, instituído pela Lei nº 14.640, de 31 de julho de 2023, demonstra o esforço do poder público para ampliar essa oferta.  


Os dados do Censo Escolar 2025, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), confirmam esse avanço. O percentual de matrículas presenciais em tempo integral na rede pública passou de 15,1%, em 2021, para 25,8%, em 2025, um crescimento de 10,7 pontos percentuais. O resultado mostra a expansão do modelo e o avanço em direção à meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que prevê a oferta de educação em tempo integral para pelo menos 25% dos estudantes da educação básica pública. 


O crescimento também foi expressivo no ensino médio: o percentual de estudantes da rede pública matriculados em tempo integral passou de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025. Os números mostram a expansão do modelo na educação básica.  


Mais horas na escola não garantem, por si só, mais aprendizagem. Segundo os critérios do Censo Escolar, considera-se tempo integral a permanência do estudante na escola ou em atividades escolares por pelo menos sete horas diárias ou 35 horas semanais. Porém, o desafio não deve ser apenas cumprir essa carga horária, garantir qualidade e propósito pedagógico para esse tempo adicional.  


Uma jornada ampliada pode possibilitar atividades culturais, esportivas, artísticas, tecnológicas, projetos interdisciplinares e acompanhamento pedagógico. Dessa forma, a escola pode contribuir para o desenvolvimento intelectual, social, cultural e emocional dos estudantes.  


 A educação em tempo integral também pode contribuir para reduzir desigualdades educacionais. Para muitos estudantes, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, a escola representa um espaço de aprendizagem, convivência, alimentação e acesso à cultura, ao esporte e à tecnologia. Contudo, para que isso aconteça, é indispensável garantir infraestrutura adequada, alimentação de qualidade, materiais pedagógicos, profissionais suficientes, formação continuada e condições dignas de trabalho para os professores.  


O Censo Escolar 2025 mostra que esse processo ocorre em cenário mais amplo. O Brasil registrou aproximadamente 46 milhões de matrículas em 178,8 mil escolas de educação básica, enquanto o acesso à internet nas escolas aumentou de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025. Esses dados reforçam que a ampliação da jornada precisa estar acompanhada de investimentos em infraestrutura, conectividade e recursos pedagógicos.   


Também é fundamental diferenciar educação em tempo integral de educação integral. A primeira está relacionada principalmente à ampliação da jornada escolar; a segunda envolve uma concepção mais ampla de formação humana. Portanto, o verdadeiro avanço não deve ser medido somente pelo número de matrículas, mas pela qualidade das experiências oferecidas aos estudantes. 


Agora, o desafio é transformar esse avanço quantitativo em qualidade, equidade e aprendizagem. Afinal, uma escola em tempo integral só cumprirá plenamente seu papel quando conseguir transformar o tempo ampliado em mais oportunidades, conhecimento e possibilidades para os estudantes. 




Paloma Herginzer é formada Em Licenciatura Em Educação Física, Especialista Em Educação Especial E Inclusiva E Formação Docente EAD. Professora Tutora Dos Cursos Da Área Da Educação de Pós-graduação Do Centro Universitário Uninter. 

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