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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Fraude no INSS: investigação aponta repasses de milhões enquanto aposentados aguardam ressarcimento

Novo desdobramento da investigação aponta repasses de cerca de R$ 5 milhões entre empresas ligadas a um dos pivôs do esquema; advogado explica o que aposentados e pensionistas devem observar

Imagem: INSS/Divulgação


A investigação sobre a fraude nos descontos indevidos de aposentadorias e pensões do INSS ganhou um novo desdobramento nesta sexta-feira (11). Segundo levantamento divulgado pelo UOL, uma empresa contratada pela Prefeitura de São Paulo por R$ 43,9 milhões realizou repasses de aproximadamente R$ 5 milhões para empresas ligadas a Maurício Camisotti, apontado pela Polícia Federal como um dos pivôs do esquema que teria desviado recursos de aposentados e pensionistas. As movimentações financeiras também foram alvo de comunicações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).


O caso volta a colocar no centro das discussões não apenas a dimensão financeira das fraudes, mas também a dificuldade enfrentada por beneficiários para identificar descontos não autorizados e buscar a devolução dos valores. Para o advogado Dr. Márcio Coelho, especialista em Direito Trabalhista e Previdenciário, novos desdobramentos como esse reforçam a necessidade de o aposentado acompanhar regularmente o próprio benefício. “Quando surgem novas informações sobre a movimentação dos recursos, é importante lembrar que, na outra ponta desse esquema, existe o beneficiário que teve parte de sua renda retirada sem autorização. Para o aposentado, o primeiro passo continua sendo verificar o extrato do benefício e identificar qualquer desconto que não reconheça”, explica.


De acordo com a investigação divulgada nesta sexta, entre janeiro e julho de 2025, a empresa 123 Tele, posteriormente denominada Health 360, teria transferido R$ 4,4 milhões para a Rede Mais Saúde, administrada por Paulo Otávio Camisotti, filho de Maurício Camisotti. Outros R$ 365 mil teriam sido transferidos para a Brasil Dental, que tinha Camisotti como sócio e administrador. Instituições financeiras comunicaram as movimentações ao Coaf por considerá-las atípicas.


Para o especialista, o avanço das investigações também aumenta a importância de separar a apuração sobre os responsáveis pelo esquema dos direitos de quem foi prejudicado. “Uma investigação pode revelar quem recebeu, movimentou ou eventualmente ocultou os recursos, mas isso não elimina o direito de quem sofreu o desconto de buscar o ressarcimento. São questões que caminham paralelamente”, afirma o advogado.


O cenário ocorre em meio a outras mudanças no sistema previdenciário voltadas justamente à prevenção de fraudes. O governo iniciou a implementação gradual de novas regras de identificação biométrica para beneficiários, com a Carteira de Identidade Nacional (CIN) ganhando papel central no processo. A partir de 2028, a CIN deverá ser a única base biométrica aceita para concessão, manutenção e renovação de benefícios, ressalvadas as exceções previstas nas regras. Segundo Dr. Márcio Coelho, a digitalização dos mecanismos de segurança pode ajudar a reduzir irregularidades, mas não substitui a atenção do próprio segurado. “É fundamental que o beneficiário não espere uma nova notícia de fraude para conferir o seu benefício. A conferência periódica do extrato é uma das formas mais simples de perceber uma cobrança ou desconto que não deveria estar ali”, orienta.

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