"Nos próximos meses, a desaceleração ainda deve prevalecer. A política monetária atua com defasagem, o que significa que parte do aperto realizado continua chegando à atividade", André Matos, CEO da MA7 Capital.
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| Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil |
“Os dados parecem contraditórios apenas à primeira vista. A pesquisa da PwC mostra que 68% dos CEOs do setor financeiro esperam uma aceleração da economia brasileira em 2026, mas a parcela confiante no crescimento da própria receita caiu de 62% para 48%. O executivo está precificando uma virada que ainda não apareceu integralmente nos pedidos, nas vendas ou no caixa. A expectativa está concentrada no ciclo de queda dos juros, porque um custo financeiro menor altera desde a rolagem das dívidas empresariais até a disposição das famílias para consumir e parcelar. O otimismo, portanto, olha para o que pode vir depois; a cautela com as receitas descreve o presente. Nos próximos meses, a desaceleração ainda deve prevalecer. A política monetária atua com defasagem, o que significa que parte do aperto realizado continua chegando à atividade. A prévia do PIB, o recuo do investimento produtivo e a queda do consumo das famílias no segundo trimestre, mesmo com o mercado de trabalho aquecido, mostram que os juros já alcançaram a demanda. Uma aceleração mais consistente tende a ficar para 2027 e 2028, pois depende primeiro da continuidade dos cortes e, depois, da transmissão para crédito, consumo e investimento. A condição é que o risco fiscal não obrigue o Banco Central a interromper esse processo antes do esperado. No caso da dívida, a resposta é essencialmente aritmética. O avanço atual decorre principalmente do custo de carregar e refinanciar um estoque elevado em um ambiente de juros altos, não apenas da criação de novas despesas. Existem 3 alavancas: elevar o crescimento, produzir superávits primários e reduzir o prêmio de risco embutido nas taxas. A primeira demora a produzir efeitos; a segunda exige decisões fiscais e políticas; a terceira pode ter transmissão mais rápida, mas depende de uma trajetória confiável para receitas, despesas e resultados primários. Por isso, previsibilidade fiscal não é apenas discurso. É o que pode reduzir o custo da dívida e decidir se a projeção de endividamento superior a 100% do PIB em 2034 será confirmada ou revertida”, André Matos, CEO da MA7 Capital.
“As duas leituras não são contraditórias porque tratam de horizontes diferentes e isso precisa ficar claro na leitura dos dados. A pesquisa da PwC capta uma expectativa de ciclo de curto prazo, enquanto a trajetória da dívida revela uma restrição estrutural, de longo prazo. Logo, é possível ter alguma atividade econômica positiva no curto prazo e, ao mesmo tempo, conviver com uma piora fiscal que tem seus efeitos perniciosos no médio e longo prazo. O dado mais revelador da PwC é a queda de 62% para 48% na confiança sobre a própria receita: melhora da economia agregada não significa, necessariamente, melhora equivalente para as empresas. Economia aquecida por estímulos e subsídios não gera, necessariamente consumo sustentável e margem econômica. Nos próximos meses, o cenário mais provável é de desaceleração gradual na medida que os juros seguem restritivos e seus efeitos aparecem com defasagem sobre crédito, consumo e investimento. Ao mesmo tempo, o risco fiscal mantém elevados os prêmios de risco e os juros de longo prazo. Portanto, não é uma escolha entre aceleração cíclica e deterioração fiscal: as duas podem coexistir por algum tempo. Agora, para evitar que a dívida ultrapasse 100% do PIB em 2034, seria necessário mudar essa trajetória com superávits primários relevantes e persistentes, junto com um patamar mais baixo de juros para evitar o aumento exponencial do estoque da dívida. Nas condições atuais, as estimativas apontam para algo acima de 3% do PIB como condição necessária para estabilização, mas esse esforço também depende do crescimento e do custo da dívida. Um ajuste dessa magnitude exigiria controlar despesas obrigatórias, rever mecanismos de indexação e construir um programa fiscal crível capaz de reduzir o prêmio de risco e o custo de financiamento”, Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital.
"A maioria dos CEOs financeiros ouvidos pela PwC espera uma aceleração econômica em 2026, enquanto o mercado projeta que a dívida pública poderá superar o PIB em 2034. As duas leituras tratam de dimensões diferentes. Uma melhora da atividade no curto prazo pode elevar a demanda por crédito, mas não elimina os desequilíbrios acumulados nas contas públicas nem reduz automaticamente o custo de financiamento da economia. Nesse ambiente, os FIDCs ganham relevância como instrumentos capazes de direcionar recursos do mercado de capitais para empresas, fornecedores e cadeias produtivas sem depender exclusivamente do crédito bancário. Uma eventual aceleração, porém, precisa vir acompanhada de análise mais rigorosa dos recebíveis, da capacidade de pagamento dos devedores, da concentração das carteiras e das garantias de cada operação. Crescimento nominal pode aumentar o volume de crédito sem representar, necessariamente, melhora equivalente da sua qualidade. Para impedir que a dívida ultrapasse o tamanho da economia, será necessário controlar despesas permanentes, produzir resultados fiscais consistentes e reduzir o prêmio de risco. Nos FIDCs, esse cenário reforça a importância da estruturação, da administração fiduciária, da governança e do monitoramento contínuo das carteiras. Quanto maior a participação do mercado de capitais no financiamento da economia, maior também precisa ser a precisão dos controles que protegem gestores e investidores", Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos.
"Quando 68% dos CEOs financeiros afirmam à PwC que esperam aceleração econômica em 2026, eles estão olhando para os próximos meses. Os indicadores atuais, porém, ainda carregam os efeitos dos juros elevados dos trimestres anteriores. A cautela aparece na própria pesquisa, já que a confiança no crescimento das receitas caiu de 62% para 48%. Soma-se a isso a projeção reunida pelo Banco Central de que a dívida bruta poderá passar de 82,5% para 100,1% do PIB até 2034. O crédito será o principal teste desse otimismo. Uma redução da Selic pode estimular a demanda, mas não garante queda proporcional do custo final dos empréstimos. Se o risco fiscal continuar pressionando as taxas longas e os spreads, parte do alívio monetário não chegará integralmente às famílias e às empresas. Para mudar esse quadro, o governo precisa controlar despesas permanentes e apresentar resultados fiscais capazes de reduzir o custo de refinanciamento da própria dívida. Durante essa transição, operações estruturadas com garantias, prazos adequados e parcelas compatíveis com a capacidade de pagamento permitem organizar o acesso à liquidez com maior previsibilidade", Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco
"A pesquisa da PwC mostra que 68% dos CEOs financeiros esperam uma aceleração da economia brasileira em 2026, embora a confiança no crescimento das próprias receitas tenha recuado. Ao mesmo tempo, projeções reunidas pelo Banco Central indicam que a dívida bruta poderá ultrapassar o tamanho da economia em 2034. Não há necessariamente uma contradição. Os executivos podem enxergar melhora no consumo e nos investimentos no curto prazo, enquanto mantêm cautela diante dos juros elevados e da incerteza fiscal. Para o venture capital, essa diferença entre o ciclo presente e as expectativas futuras é decisiva. A perspectiva de juros menores tende a melhorar a avaliação de empresas cujo valor depende do crescimento de longo prazo, facilitar novas rodadas e ampliar o interesse por fusões e aquisições. O risco fiscal, porém, pode manter o capital seletivo mesmo durante uma recuperação da atividade. Isso direciona os recursos para startups com receitas consistentes, eficiência operacional e capacidade de crescer sem depender continuamente de novos aportes. Para evitar que a dívida ultrapasse o PIB, o Brasil precisa controlar despesas permanentes e elevar sua produtividade. Nesse processo, o venture capital cumpre um papel econômico relevante ao financiar tecnologia e modelos de negócio capazes de produzir mais com menos recursos", Antônio Patrus, diretor da Bossa Invest.
“A diferença de 20 pontos percentuais entre os CEOs financeiros que esperam aceleração da economia, 68%, e os que confiam no crescimento das próprias receitas, 48%, é o dado mais revelador da pesquisa da PwC. PIB maior não significa automaticamente faturamento maior. Entre uma coisa e outra estão o custo do capital, as margens, a concorrência e a capacidade de cada empresa de transformar crescimento econômico em receita. Enquanto isso, as projeções coletadas pelo Banco Central indicam que a dívida bruta poderá avançar dos atuais 82,5% para 100,1% do PIB em 2034. Nos próximos meses, a economia deve favorecer mais as empresas capazes de ganhar produtividade do que aquelas que dependem apenas da expansão do consumo. Para afastar a projeção da dívida, o país precisa combinar controle de despesas, regras fiscais confiáveis e medidas que ampliem produtividade e formalização. Depender somente de mais arrecadação mantém o Estado preso à necessidade de extrair receita de uma economia que já cresce pouco. No setor privado, a resposta passa por eficiência financeira. Crédito, pagamentos, contas e capital de giro podem deixar de ser apenas custos operacionais e se tornar instrumentos de relacionamento, economia e geração de novas receitas, desde que estruturados com governança e controle de risco”, Letícia Moschioni, sócia da Finscale.
“O otimismo registrado pela PwC, com 68% dos CEOs financeiros esperando aceleração da economia brasileira em 2026, precisa ser analisado dentro do cenário internacional. O Fed mantém os juros entre 3,5% e 3,75%, a inflação global voltou a apresentar resistência e o crescimento mundial permanece moderado. Ao mesmo tempo, a confiança desses executivos no avanço das próprias receitas caiu de 62% para 48%. No campo fiscal, o mercado projeta que a dívida brasileira, atualmente em 82,5% do PIB, alcance 100,1% em 2034. Uma retomada doméstica é possível, especialmente com a redução da Selic, mas sua intensidade dependerá também do dólar, dos juros americanos e do fluxo internacional para países emergentes. Se o risco fiscal brasileiro aumentar, investidores globais poderão exigir retornos maiores, pressionando o câmbio e limitando o espaço para novos cortes de juros. Para alterar a trajetória da dívida, o país precisa apresentar um plano executável por vários anos, com resultados primários, melhor composição dos gastos e aumento de produtividade. Para o investidor, esse cenário recomenda combinar oportunidades brasileiras com ativos internacionais e exposição a moedas fortes, evitando que todo o patrimônio dependa de uma única economia”, Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.



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