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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Um debate mais civilizado


Nesta quinta-feira (3), ocorreu mais um debate entre quatro dos candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, realizado pela TCM, em Mossoró, com a participação de Robério Paulino (PSOL), Álvaro Dias (PL), Cadu Xavier (PT) e Allyson Bezerra (União). Ao contrário do debate do dia anterior, houve uma redução significativa no nível de agressividade e mais tempo para a exposição de propostas. Talvez os próprios candidatos tenham tomado consciência da baderna que protagonizaram no encontro anterior.


Algumas coisas, entretanto, já estão postas e deverão se repetir ao longo de toda a campanha. Robério Paulino mantém sua defesa do plantio de milhões de árvores e sua preferência por uma política de saúde voltada para a prevenção. Entre Allyson e Álvaro, permanece a chamada “guerra dos hospitais”, um hospital que foi inaugurado sem funcionar e uma policlínica denominada de hospital. Já a disputa envolvendo o IDEMA e a engorda de Ponta Negra coloca Cadu Xavier e Álvaro Dias em lados opostos.


Outro assunto recorrente foi a Operação Mederi, que envolve o candidato Allyson Bezerra. O tema foi levantado durante o debate e provocou reações do candidato do União Brasil, que passou a fazer questionamentos e a levantar implicações judiciais contra Álvaro e Cadu. Robério, mais uma vez, permaneceu fora da troca de acusações.


Cadu tem uma necessidade curiosa de "pertencimento", de ter que demonstrar de quem ele é, se de Lula ou se de Fátima, procura demonstrar que Allyson é de Robinson Faria. Desse modo se torna uma candidato sem personalidade própria que depende da imagem de outras pessoas.


A questão mais tensa, porém, foi justamente a temática do chamado “Trem da Alegria”, levantada por Allyson contra Álvaro Dias. O assunto parece ser um dos pontos mais sensíveis para o candidato do PL, que perdeu o equilíbrio em alguns momentos. Com os microfones desligados, Álvaro chegou a afirmar que acionaria Allyson judicialmente e, durante o debate, interrompeu mais de uma vez a fala do candidato do União Brasil.


Fora esses episódios, o tom foi consideravelmente mais ameno. Houve boas perguntas elaboradas pelos jornalistas, os candidatos tiveram mais espaço para apresentar suas ideias e a quantidade de temas discutidos aumentou significativamente.


Ainda estamos no início de uma campanha que promete ser longa e acirrada. É natural que os candidatos façam críticas uns aos outros, questionem adversários e exponham contradições. Isso faz parte da disputa democrática. O que não pode fazer parte dela é a transformação do debate político em uma sucessão de insultos, interrupções e acusações sem espaço para o eleitor compreender o que cada candidato pretende fazer caso seja eleito.


O debate desta quinta-feira mostrou que é possível discordar, confrontar e até mesmo atacar politicamente um adversário sem transformar o palco em uma briga de botequim. Que os próximos encontros sigam esse caminho. Afinal, mais importante do que saber quem grita mais alto é permitir que o eleitor consiga ouvir, comparar e decidir.

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