por Pedro Raffy Vartanian
Na próxima quarta-feira, 16 de setembro, poderá ocorrer um cenário incomum no mercado de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Por aqui, espera-se que o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central (BC) promova um corte na taxa de juros, reduzindo a Selic dos atuais 14% para 13,75% ao ano. Nos EUA, aumentaram as apostas para que a taxa de juros seja elevada em 0,25%, passando o intervalo de juros para a faixa de 3,75% a 4% ao ano.
O que provoca cenários tão distintos? No caso brasileiro, a Selic permaneceu em patamares elevados por muito tempo, de junho de 2025 até janeiro de 2026, e ainda que a inflação não tenha convergido para a meta de 3%, os números recentes sugerem uma convergência gradual, com a inflação acumulada em 12 meses de 4,22%. Ao se considerar a meta mais a margem de tolerância de 1,5%, os preços no Brasil se encontram dentro da margem de tolerância estabelecida no contexto do regime de metas de inflação.
Já no caso dos EUA, a situação é completamente diferente, pois o núcleo da inflação e os preços dos serviços vêm mostrando a pressão dos preços, em um cenário pouco favorável ao processo desinflacionário, que busca uma convergência para uma inflação de 2% ao ano. Diferentemente do Brasil, os EUA não têm um regime de metas de inflação. O Federal Reserve (FED), que é o comitê equivalente ao Copom no Brasil, persegue concomitantemente estabilidade dos preços com máximo emprego.
No caso norte-americano, a inflação está acima do objetivo de 2% ao ano desde março de 2021. Já são 66 meses consecutivos com inflação acima do objetivo do FED. A persistência da inflação por lá tem múltiplas causas, mas o início da Guerra do Irã, que elevou o preço médio do galão de gasolina de cerca de US$ 3,30 em março de 2026 para US$ 4,30 em setembro, contribuiu muito para que a inflação acelerasse e se mantivesse em patamares elevados.
Além disso, o aumento nos preços do petróleo impacta o preço de outras commodities, seja pelo fato de serem parcialmente substitutas, como o gás natural, ou ainda, pelo fato de o aumento dos preços do petróleo aumentar os custos de produção em praticamente todas as atividades produtivas e comerciais.
Mudanças nas taxas de juros costumam impactar os fluxos de capitais, as decisões de poupança e de investimento produtivo. Também impactam a rentabilidade das empresas. Nesse contexto, espera-se muita volatilidade nos mercados financeiros, com os agentes aguardando os efeitos das decisões de política monetária e seus efeitos sobre a produção, a renda das famílias e os níveis de emprego.
Pedro Raffy Vartanian é Professor do Mestrado Profissional em Economia e Mercados e da Graduação em Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).


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