Levantamento indica que uma aparição vespertina com brilho igual ou superior a esse patamar só voltará a ocorrer em 2029
Vênus ficará especialmente brilhante no céu nesta sexta-feira, 18 de setembro, quando atingirá o máximo de brilho de sua atual aparição vespertina. O planeta chegará a aproximadamente magnitude −4,80 e poderá ser observado do Brasil a olho nu, pouco depois do pôr do Sol.
O Prof. Dr. Marcos Calil destacou, durante a live da Urânia Planetário realizada em 15 de setembro, que o dia 18 marca o pico de brilho desta passagem de Vênus pelo céu do entardecer. Para encontrá-lo, basta procurar um ponto extremamente luminoso no céu oeste, na mesma direção em que o Sol se põe.
Não é necessário telescópio ou binóculo. Vênus estará muito mais brilhante do que qualquer estrela visível nas proximidades e poderá ser observado ainda durante o crepúsculo.
Na escala de magnitudes utilizada pela Astronomia, quanto menor, e mais negativo o número, maior é o brilho aparente do objeto. Portanto, magnitude −4,90 representa um objeto ligeiramente mais brilhante que magnitude −4,80 e, com brilho próximo a esse valor, Vênus estará entre os objetos naturais mais brilhantes do céu terrestre, atrás apenas do Sol e da Lua (dependendo da sua fase).
O máximo não acontece porque Vênus esteja mostrando toda a sua face iluminada para a Terra. O planeta apresenta fases, de maneira semelhante à Lua. À medida que se aproxima da Terra, seu tamanho aparente aumenta, enquanto a fração iluminada que observamos diminui. Existe um momento em que a combinação entre distância, tamanho aparente e parcela iluminada produz seu máximo de brilho.
Efemérides podem apresentar pequenas diferenças nos valores e no horário exato desse máximo, principalmente em razão dos modelos utilizados para calcular o brilho aparente dos planetas. Para o observador, porém, essas pequenas diferenças não são perceptíveis a olho nu, e Vênus permanecerá excepcionalmente brilhante nas noites próximas ao dia 18.
“Não é necessário esperar o céu ficar completamente escuro. Vênus estará tão brilhante que, em condições favoráveis e sabendo exatamente onde procurar, pode inclusive ser identificado com o céu ainda claro. Após o pôr do Sol, o principal cuidado é escolher um local com o horizonte oeste livre de prédios, árvores ou montanhas”, explica o Prof. Dr. Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário.
Quando Vênus voltará a ficar tão brilhante?
Um levantamento realizado pelo Prof. Dr. Marcos Calil, adotando como critério magnitude aparente igual ou mais negativa que −4,80, mostra uma sequência interessante.
Na aparição vespertina anterior, Vênus atingiu aproximadamente magnitude −4,9 em fevereiro de 2025. Depois, durante a aparição matutina, voltou a alcançar brilho próximo de −4,8 em abril daquele ano.
Após o máximo vespertino desta sexta-feira, Vênus continuará sua trajetória aparente em direção ao Sol até passar entre a Terra e o Sol no fim de outubro. Depois reaparecerá no céu da madrugada e atingirá um novo máximo de brilho em sua aparição matutina, em 29 de novembro de 2026. Pelos dados consultados, poderá chegar a aproximadamente magnitude −4,89.
A pesquisa também mostra que a aparição vespertina de 2028, embora muito brilhante, não atinge, sem arredondamento, o limite adotado para esta comparação.
Pelo mesmo critério, uma nova sequência vespertina com magnitude igual ou mais negativa que −4,80 aparece somente a partir de 21 de novembro de 2029, prolongando-se até dezembro. Nesse período, os valores calculados chegam a aproximadamente −4,91.
A comparação precisa ser entendida dentro do mesmo modelo de cálculo. Diferentes efemérides podem apresentar pequenas diferenças na magnitude prevista de Vênus e algumas publicações arredondam os valores para apenas uma casa decimal. Por isso, um valor como −4,76, por exemplo, pode aparecer publicado simplesmente como −4,8, embora não alcance matematicamente o limite de −4,80 quando analisado com maior número de casas decimais.
O dado de 2029, portanto, refere-se especificamente ao levantamento realizado e ao critério de magnitude −4,80 ou mais negativa, sem arredondamento.
Para quem deseja aprender a localizar Vênus e acompanhar outros fenômenos astronômicos, a Urânia Planetário realiza lives todas as terças-feiras, às 19h30, em seu canal no YouTube. Na transmissão de 15 de setembro, o Prof. Dr. Marcos Calil mostrou como encontrar e observar o planeta.


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