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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Desemprego cai para 5,2% e atinge menor nível da série histórica para o terceiro trimestre

PNAD Contínua do IBGE aponta 5,6 milhões de pessoas desocupadas e recorde de 103,6 milhões de trabalhadores ocupados no país. Massa de rendimentos também alcança maior valor desde 2012.

Ocupação do setor da Construção subiu 2,8%, equivalente a mais 210 mil pessoas no trimestre - Foto: Paulo H. Carvalho - Agência Brasília/Agência Brasil


A taxa de desocupação no Brasil caiu para 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor percentual já registrado para esse período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua.


O índice representa uma redução em relação aos 5,4% registrados no segundo trimestre deste ano e aos 5,6% observados no mesmo período de 2025.


Com o resultado, o país contabilizou 5,6 milhões de pessoas desocupadas, uma redução de 4% em relação ao trimestre anterior, equivalente a 234 mil pessoas a menos à procura de trabalho. Na comparação anual, a queda foi de 6,9%, ou 417 mil pessoas.


A população ocupada também alcançou um novo recorde, chegando a 103,6 milhões de trabalhadores. O contingente cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior, com a incorporação de 581 mil pessoas ao mercado de trabalho, e avançou 1,2% na comparação anual, o equivalente a mais 1,2 milhão de ocupados.


Outro recorde foi registrado entre os empregadores, cujo contingente chegou a 4,5 milhões de pessoas. O número cresceu 4,3% no trimestre, com mais 184 mil pessoas, e 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado, representando um acréscimo de 272 mil empregadores.



O setor público também alcançou recorde, com 13,2 milhões de empregados. O contingente permaneceu estável em relação ao segundo trimestre, mas apresentou crescimento de 2,5% na comparação anual, com mais 317 mil pessoas.


De acordo com o IBGE, a expansão do emprego público com carteira assinada foi impulsionada principalmente pela educação, com a contratação de aproximadamente 45 mil professores da educação infantil e dos ensinos fundamental e médio. A administração pública municipal também contribuiu, com cerca de 30 mil novas ocupações, incluindo escriturários, analistas de sistemas e recepcionistas.


Já o número de empregados do setor privado com carteira assinada, excluindo os trabalhadores domésticos, permaneceu em 39,4 milhões, sem variação significativa no trimestre ou no ano. Os empregados sem carteira assinada somaram 13,7 milhões, enquanto os trabalhadores por conta própria chegaram a 26,1 milhões. O contingente de trabalhadores domésticos ficou em 5,4 milhões.


Na avaliação do analista, a estabilidade desses segmentos pode indicar cautela do mercado de trabalho diante das possíveis mudanças relacionadas ao processo eleitoral. Os efeitos sobre as contratações deverão ficar mais claros nas próximas divulgações da pesquisa.


Subutilização e desalento


Apesar da redução do desemprego, a taxa composta de subutilização da força de trabalho permaneceu praticamente estável, passando de 12,9% no segundo trimestre para 13% no terceiro. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve redução de 0,9 ponto percentual.


A população subutilizada totalizou 14,8 milhões de pessoas, sem alteração significativa no trimestre, mas com queda de 6,1% em relação ao ano anterior, equivalente a 957 mil pessoas.


Esse indicador reúne os desempregados, os trabalhadores que gostariam de trabalhar mais horas e aqueles que integram a força de trabalho potencial, incluindo pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuraram emprego, além das que buscaram uma ocupação, mas não estavam disponíveis.


A população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas chegou a 4,3 milhões de pessoas, crescimento de 5,2% no trimestre, com mais 214 mil trabalhadores nessa condição.


Outro dado que merece atenção é o aumento do desalento. O número de pessoas que desistiram de procurar emprego alcançou 2,5 milhões, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior, embora tenha apresentado redução de 6,8% na comparação anual.


Rendimento e massa salarial batem recordes


O rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.790 no terceiro trimestre, permanecendo estável em relação ao trimestre anterior. Na comparação anual, houve crescimento de 3,6%, correspondente a um aumento de R$ 131.


A massa de rendimento real habitual, que representa a soma dos rendimentos recebidos pelos trabalhadores, alcançou R$ 387,5 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 2012.


O montante cresceu 1,5% em relação ao segundo trimestre, com acréscimo de R$ 5,6 bilhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a expansão foi de 4,7%, equivalente a R$ 17,5 bilhões.


Os dados mostram um mercado de trabalho com desemprego em níveis historicamente baixos, recorde de ocupação e crescimento da massa de rendimentos. Ao mesmo tempo, a elevação da subocupação e do desalento no trimestre indica que a redução do desemprego não eliminou as dificuldades de inserção e permanência dos brasileiros no mercado de trabalho.

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