Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne produções das cinco regiões do país e filmes internacionais.
Mostra vai de 15 a 24 de outubro, incluindo encontros e debates.
De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. O Rio Grande do Norte é um dos estados mais bem representados na mostra, entrando com 10 filmes.
Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes das cinco regiões do país, dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror. A programação inclui ainda debates, encontros e bate-papos com realizadores. Toda a programação é gratuita.
Rio Grande do Norte entra com 10 produções
Um dos filmes do RN é o SOM DAS SERRAS, documentário de Eduarda Araújo, produzido em Caicó. O filme retrata duas serras emblemáticas do Seridó Potiguar: Sant'Ana e Formiga. Enquanto uma já convive com os impactos de uma grande intervenção, a outra receia um destino semelhante. Pelos relatos das comunidades, o curta revela como uma interferência externa transformou o cotidiano de quem escolheu, há muito tempo, a tranquilidade das serras.
A MARÉ, de 21min., é um documentário de Natal, dirigido por Jair Libanio. O filme aborda questões socioambientais relacionadas ao Rio Potengi e às comunidades que vivem em suas margens, discutindo a degradação do manguezal, os impactos da poluição e da dragagem sobre o ecossistema, a diminuição de espécies importantes para a pesca artesanal e as transformações provocadas pelo crescimento urbano. Ao mesmo tempo, valoriza os saberes tradicionais, a relação de cuidado com o território e a importância da preservação ambiental como parte da memória, da cultura e da sobrevivência das populações ribeirinhas. A obra propõe uma reflexão sobre a convivência entre cidade e natureza, destacando o rio como um patrimônio vivo e essencial para a identidade local.
AKAÎUTĨ (RN), curta de 17 minutos, é um documentário filmado em João Câmara, sobre a produção de castanha do caju. Entre o fogo que torra a castanha do caju e os cantos sagrados, Akaîutĩ narra a trajetória do povo Mendonça Potiguara. Guiado pelas vozes entoadas que cuidam da terra, o curta mostra uma ciência viva - onde cada gesto é resistência, cada melodia, proteção.
POTY’KARÜ é um documentário sobre os hábitos alimentares e a preservação de valores de populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Produzido com apoio do edital Cine Natal 2022 (Prefeitura de Natal), Poty’karü resgata a culinária potiguar, caiçara, cabocla e popular, registrando hábitos alimentares das populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas, preservando a bio-memória dos sabores e saberes transmitidos entre gerações.
NILSÃO, de 17min, é um documentário de Nícolas Rodrigues de Sousa, produzido em Areia Branca, sobre o tema da reciclagem. NILSÃO é o retrato de um homem que assim como muitos brasileiros, não lhe foi dado o direito de sonhar. Através do artesanato, Nilsão criou um futuro diferente pra si. Fazendo arte com reciclagem, Nilsão sabe que a hora de agir é sempre aqui e agora. O filme foi produzido com apoio da Lei Paulo Gustavo.
PARQUE DAS SERRAS é um documentário de 24 minutos, produzido em Natal com apoio da Lei Paulo Gustavo, que fala sobre o direito à cidade pelo viés da preservação ambiental. Diante da especulação imobiliária, da poluição e do desmatamento, moradores se mobilizam para criar uma área de preservação no coração da cidade. O documentário acompanha mais de 30 anos de história do Horto Florestal Parque das Serras, área verde que se tornou símbolo de resistência ambiental, educação e mobilização coletiva na cidade.
YBY KATU é uma ficçao indígena de 18 min., dirigida por Kaylany Cordeiro, Jessé Carlos, Ladivan Soares, Geyson Fernandes e Rodrigo Sena. Produzido na aldeia potiguara Katu RN (Canguaretama e Goianina), o filme foi produzido por jovens indígenas potyguaras alunos do curso de formação em audiovisual oferecido pelo projeto: "Territorio Katu Digital, em 2024. YBYKATU (terra fértil) apresenta através da cosmovisão Potyguara do Katu, a retomada ancestral de Maria e suas amigas que vivem entre a cultura agrícola indígena e o centro urbano da Grande Natal.
BEM DE PERTO, produçao conjunta com o Espírito Santo, é uma animaçao de 10 minutos que atravessa questoes como território, moradia e modos de vida. Em uma cidade muito alta, muito perto do firmamento, os moradores temem que o céu cair sobre o lugar. O filme foi realizado por crianças e adolescentes da Escola Municipal Senhora Santana/Projeto Animação e Equipe Instituto Marlin Azul.
FIANDO O TEMPO é outra animaçao, de 7 minutos, realizada por crianças e adolescentes, dessa vez da Escola Municipal Professor Osvágrio Rodrigues de Carvalho/Projeto Animação /Instituto Marlin Azul. Produzido em Santana do Matos, o filme aborda temas como território, moradia e memória. Num dia de chuva, uma menina dorme e sonha com mulheres coloridas que bordam sóis, afofam nuvens e tecem a noite. Trata-se de uma livre interpretação do conto No Horizonte tem Chuva Fiando, de Bia Crispim.
HISTÓRIAS DE UM RIO, de 11 minutos, é outro documentário, dessa vez dirigido por Arielly Barros, em Mossoró. O filme fala da urgência da conscientização da população mossoroense diante dos sérios problemas ambientais enfrentados pelo rio, como a poluição e a degradação, enquanto explora as razões por trás da inércia da sociedade e das autoridades locais. Realizado com apoio da Lei Paulo Gustavo, o curta retrata a importância social e econômica do rio para cidade, como também as marcas de degradação que assolam seu leito na zona urbana. A narrativa se desenha por meio de relatos comoventes de indivíduos cujas vidas foram entrelaçadas com as águas do rio, desde pescadores e lavadeiras até poetas que encontraram inspiração nas suas margens.
Cinema, território e emergência ambiental
Para essa edição da mostra foram selecionados filmes que trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual atravessam a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro.
Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; e Pernambuco e Bahia, com oito cada um. Minas Gerais aparece com seis filmes na programação; Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, com quatro cada; Amazonas, Espírito Santo, Goiás e Rondônia, três cada; Distrito Federal, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins, dois cada; Ceará, Mato Grosso do Sul e Paraíba, com um cada. Há também produções feitas em parceria por estados diferentes, como uma de Rio de Janeiro e São Paulo; uma de Goiás e Distrito Federal, e outra unindo Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás e Pará.
Destaques do ano
A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.
Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, nessa edição chama a atenção a quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, do Amazonas. Também há nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo, que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.
Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.
Seis edições de cinema independente
A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.
“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.
A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.
SOBRE A MOSTRA
Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.
SERVIÇO
6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada franca
Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
Site: https://mostradofilmemarginal.com/



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