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segunda-feira, 31 de março de 2025

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“Adolescência”, a minissérie, é chata no limite do insuportável

Para Marília Fiorillo, não há nada de novo na forma como a produção britânica trata os temas que aborda. Por não diagnosticar nada, se presta a todos os paladares identitários

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Reprodução/Netflix


A minissérie britânica Adolescência, criada por Stephen Graham e Jack Thorne, tem sido alvo de muita atenção e é sucesso de  crítica e público, mas, na opinião da professora Marília Fiorillo, a produção é chata no limite do insuportável, embora pretenda ser severa e uma crítica contundente da letalidade das redes sociais e do vale-tudo da internet.


“Mas por que tamanho  sucesso”?, pergunta ela. ” Data venia aos críticos, encantados com os truques de montagem, planos longos, o final em aberto, etc, o segredo é que, exatamente por não diagnosticar nada, Adolescência se presta a todos os paladares identitários. Comenta-se que é um glossário contra a misoginia, o racismo e a cultura do ódio. Racismo, só se aplicarmos uma lupa para notar que o policial é negro e o adolescente, branco.  Aliás, menino sempre achou menina chata; até que os hormônios aflorem descontrolados, este é um subtema que passa  muito ligeiramente e depõe mais sobre a psicóloga que o paciente. Já a cultura do ódio merece destaque. Mais exatamente porque não se trata de cultura do ódio, e sim de um pervertido culto à popularidade. Ser popular nas redes tornou-se a única forma de existir. Há uma passagem em que o adolescente escuta vários argumentos sobre a gravidade do ato de matar,  mas sua única  reação é a curiosidade sobre o número de seguidores do assassinato”.

“Jamie, o protagonista,  magistralmente interpretado por Owen Cooper, e que tem 13 anos, não pode ser definido como bom ou mau caráter.  Caráter, como bem ou mal, certo ou errado, justo ou injusto, não se aplicam aqui. São noções arcaicas. O que vale para esta geração Z é apenas ver e ser visto, postar ou virar pária. Se isso já é a norma para adultos, imaginem para os moldáveis adolescentes, cuja personalidade ainda está em gestação e para os quais _desde que o mundo é mundo_ o principal  é  ser aceito pela turma, entrosado, e, glória suprema, imitado pela galera. Não há nada de novo nessa discussão. A minissérie sequer resvala pela pergunta sobre  psicopatia e privação, como no filme Precisamos falar sobre Kevin. Também não avança em hipóteses sobre uma sociedade adoecida, cujos rebentos já nascem com o pecado original da indiferença.  O primeiro episódio, que poderia ser reduzido a 15 minutos, em vez de criar expectativa ou aflição, provoca bocejos entediados. Porque não há catarse nem choque. Tudo transcorre na nova normalidade”.

“Conclusão de Adolescência: o lance é fingir e tocar a vida. Talvez este seja o segredo do sucesso da minissérie: o realismo que promove uma identificação imediata e resignada do público. Aquele certo alívio reconfortante”, conclui.

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