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quinta-feira, 12 de março de 2026

Em dez anos, câncer de pele cresce 1.500% no Brasil

Bruno Fantini comenta dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a qual registrou 74 mil casos em 2024, e aponta vários fatores que desencadeiam a doença

Em meio ao envelhecimento da população e exposição solar, casos de câncer de pele aumentam e alertam para a importância do tratamento precoce – Foto: Linda LaBonte Britt/Wikimédia


Por Luis Martins - Jornal da USP


Atualmente, o Brasil enfrenta um salto expressivo no número de casos de câncer de pele. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os diagnósticos cresceram cerca de 1.500% em dez anos — passando de pouco mais de 4 mil, em 2014, para mais de 72 mil, em 2024. Embora existam vários fatores de risco, um dos mais importantes para o aumento expressivo do número de casos registrados é a diferença das épocas, na opinião do professor Bruno Fantini, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.


“Lá atrás, na infância e juventude de muita gente, tomar muito sol era comum, seja trabalhando ou por lazer, e ninguém naquela época falava em protetor solar. Como a nossa pele tem memória e o câncer de pele pode demorar décadas para aparecer, essa conta chegou agora”, explica. Segundo o especialista, outro fator relevante é o envelhecimento da população, que também ajuda a explicar o salto dos números. Com o aumento da expectativa de vida, mais pessoas atingem a faixa etária em que os efeitos acumulados da radiação solar ao longo dos anos se tornam clinicamente visíveis, fazendo com que os casos disparem nos registros atuais.


No crescimento dos casos, Estados do Sul e do Sudeste aparecem na liderança, o que, de acordo com Fantini, tem relação com dois fatores. “O primeiro é a genética. O Sul e o Sudeste concentram uma população com a pele mais clara, que é naturalmente mais sensível e vulnerável ao sol. Segundo, é nessas regiões que existe um acesso maior e mais rápido aos exames médicos. Sendo assim, a gente acaba registrando um número maior de casos.”


Diagnósticos e cuidados

A maior incidência de casos também traz a análise sobre os diagnósticos e sua letalidade. A Sociedade Brasileira de Dermatologia reconhece que houve melhora na identificação de casos em todo o País, mas, apesar disso, o câncer de pele tem causado alta mortalidade, com registros superiores a 30 mil óbitos em uma década. O especialista ressalta a diferença de tratamento com o diagnóstico precoce. “O tempo faz toda a diferença. Descobrir cedo é uma palavra-chave. Quando a gente identifica o câncer de pele bem no comecinho, a chance de cura é altíssima e o tratamento é super simples, deixando marcas ou cicatrizes mínimas. Agora, se a pessoa demora a buscar ajuda, esse tumor cresce e as consequências podem ser graves.”


De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de pele é um dos mais diagnosticados no Brasil, representando cerca de 30% dos casos de tumores malignos no País, e, ainda assim, é cercado por muitos mitos em relação ao diagnóstico e ao tratamento. Para isso, além da conscientização da população, também são necessários avanços nos serviços de saúde pública. 


Fantini afirma que a saúde pública precisa investir pesado em três frentes. “A primeira é a educação nas escolas, ensinando as crianças a se protegerem do sol. Em segundo lugar, deve ser facilitada e acelerada a chegada do paciente ao dermatologista, permitindo o diagnóstico precoce. E é fundamental também que as campanhas de prevenção ao câncer de pele sejam ampliadas para o ano todo, e não apenas no verão, uma vez que a informação salva vidas.”


Com números em alta e impacto nos registros oficiais, o professor ressalta os cuidados necessários para a prevenção da doença. “Cuidem da sua pele todos os dias e não apenas naqueles dias em que forem à praia. Usem o protetor solar, não esqueçam de reaplicá-los a cada quatro horas e fujam daquele sol forte que ocorre entre as 10h e as 16h.” Segundo ele, a atenção com a própria pele também é fundamental. “Se você notar uma pinta diferente que mudou de cor ou formato ou uma ferida que nunca cicatriza, procure logo um médico, já que a diferença entre um tratamento simples e uma cirurgia complexa, muitas vezes, só depende do diagnóstico precoce.”

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