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quinta-feira, 26 de março de 2026

Violência Vicária: entenda como identificar e se proteger

Especialista explica sinais de alerta, impactos sobre filhos e medidas de proteção



A violência vicária é uma forma de abuso psicológico em que o agressor utiliza terceiros, como filhos, parentes ou animais de estimação, para causar sofrimento emocional à mulher. O problema é silencioso, muitas vezes invisível, mas extremamente prejudicial. Reconhecer os sinais é essencial para interromper o ciclo de violência e proteger toda a família.

A primeira dica é conhecer os padrões da violência vicária. O agressor manipula filhos, ameaça a mãe e interfere nos vínculos familiares como forma de controle. Dra. Silvana Campos, advogada especialista em direito da família e da mulher, alerta que “essa forma de violência é estratégica. O agressor usa filhos ou familiares como instrumentos de dor, minando a autoestima da mulher e mantendo o poder sobre ela de forma indireta”.

Em segundo lugar, é importante identificar frases de alerta. Comentários aparentemente comuns podem ser ferramentas de controle emocional. Dra. Silvana explica que “expressões como ninguém vai te querer além de mim ou você não é nada sem mim não são apenas palavras. Elas têm a função de desestabilizar a vítima e fazê-la se sentir vulnerável e isolada”.

A terceira dica é observar o início do ciclo abusivo. Pequenas restrições disfarçadas de cuidado podem sinalizar possessividade extrema, muitas vezes ainda no namoro. Segundo Dra. Silvana Campos, “proibições sobre roupas, batom ou saídas com amigas não são preocupações triviais. Na maioria dos casos, indicam padrões de controle absoluto, que se intensificam com o tempo”.

O impacto da violência vicária sobre os filhos é a quarta dica. Mesmo sem marcas físicas, as consequências emocionais podem ser duradouras. A especialista alerta que “crianças e adolescentes expostos a esse tipo de abuso podem desenvolver culpa, vergonha, ansiedade e dificuldades de relacionamento. É um sofrimento silencioso, que afeta autoestima e comportamento por muitos anos”.

A quinta dica é diferenciar violência vicária de alienação parental. Apesar de parecerem semelhantes, os objetivos são diferentes. Dra. Silvana explica que “a violência vicária visa prejudicar emocionalmente a mãe usando terceiros, enquanto a alienação parental foca na manipulação da criança para rejeitar um dos genitores. Identificar corretamente é fundamental para que a denúncia seja eficaz”.

A sexta dica é entender os limites das medidas protetivas. Apesar de serem ferramentas legais importantes, muitas vezes não impedem que o agressor continue o abuso emocional. A especialista comenta que “o agressor encontra meios de manter o controle, independentemente da proibição de contato. Por isso, o registro cuidadoso de cada situação e o acompanhamento profissional são essenciais para proteger a vítima”.

A sétima e última dica é buscar apoio e denunciar. Professores, familiares e vizinhos podem identificar sinais de mudança no comportamento das crianças e adolescentes, como ansiedade ou desinteresse pelos estudos. Dra. Silvana Campos ressalta que “a denúncia deve ser feita aos órgãos competentes como 180, Disque 100, Delegacia da Mulher e Ministério Público. A legislação específica que está sendo aprovada vai reforçar a proteção, garantindo segurança para mulheres, filhos e familiares usados como instrumentos de sofrimento emocional”.

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