Comentário de Marcos Freitas, analista macroeconômico da AF Invest
A decisão do Copom de corte de 0,25 na taxa Selic veio em linha com o esperado pelo mercado. Já o comunicado trouxe menos alterações em relação ao que poderia ter acontecido. Esperávamos um ajuste no balanço de riscos para a inflação e a introdução de uma simetria altista do lado dos riscos de alta, por conta de todo o choque do petróleo.
Por outro lado, vimos uma revisão maior do que a estimada para a inflação esperada para 2027.
No geral, o comunicado mudou pouco. O BC seguiu adotando um tom parecido com a reunião passada, de encarar com maior cautela o conflito no Oriente Médio e caracterizando as variáveis domésticas da mesma forma como no comunicado anterior, mesmo com as mudanças correntes, principalmente da inflação.
O que houve foi uma mudança no discurso sobre a expectativa de inflação do Focus. Já era algo esperado também, dadas as últimas comunicações dos próprios diretores do BC. Mas tirando isso, sem grandes mudanças.
Na nossa visão, talvez tenha pendido mais pelo lado dovish, mas mais pelo que não foi alterado na comunicação do que pelo que foi dito em si.
Esperávamos uma mudança para uma simetria altista e talvez deixar mais em aberto o que poderiam ser os próximos passos da política monetária em se persistir o conflito do Oriente Médio. Mas, pela forma como foi comunicado, há uma continuidade do ciclo ao longo das próximas reuniões, com passo de 25 pontos base.



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