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sexta-feira, 24 de julho de 2026

FMI avalia que impacto das tarifas dos EUA de 25% ao Brasil deve ser modesto



Brasília, 23 jul 2026 (Lusa) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou hoje que o impacto das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deverá ser “modesto”, devido às isenções previstas e à limitada dependência do mercado norte-americano.


O FMI assinalou que o efeito sobre a economia brasileira tende a ser limitado, porque os Estados Unidos respondem por 11% das exportações brasileiras e vários produtos ficaram isentos da sobretaxa, a exemplo do café, carne bovina, energia e peças aeronáuticas.


No relatório, recorda que as tarifas norte-americanas sobre a maioria das importações brasileiras chegaram a 50% em agosto de 2025, o que elevou a taxa efetiva para 29,1%, acima da média aplicada a outros países.


Posteriormente, destaca o FMI, houve reduções em novembro de 2025 e em fevereiro de 2026, levando a taxa efetiva para 12,2%.


As exportações brasileiras para os EUA diminuíram após o aumento das tarifas em 2025, mas recuperaram gradualmente desde novembro desse ano, observou o organismo internacional


O FMI atribui parte dessa resiliência ao crescimento das exportações para outras regiões e ao aumento das vendas de soja para a China.


Apesar do contexto de tensões comerciais, o FMI destacou que o setor externo brasileiro continua a apresentar fatores de robustez, incluindo reservas internacionais de 358 mil milhões de dólares no final de 2025 e um regime cambial flexível.


Ainda no relatório divulgado após a conclusão da consulta anual do Artigo IV, o FMI sublinha que o gigante da América-Latina tem procurado diversificar os seus parceiros comerciais.


Nesse sentido, cita o acordo Mercosul-União Europeia, já ratificado e em fase de implementação, como um elemento que pode reforçar a resiliência da economia perante choques externos.


O FMI advertiu, contudo, que uma escalada das tensões comerciais globais poderá pesar sobre o investimento estrangeiro e o comércio internacional, sendo o setor agrícola um dos mais expostos a eventuais perturbações nas cadeias de abastecimento, nomeadamente de fertilizantes.


“O principal risco é a escalada das tensões geopolíticas, especialmente no Médio Oriente, que poderia aumentar a inflação e, por condições financeiras mais restritivas e menor demanda global, reduzir a atividade económica” destaca o FMI.


Na avaliação geral, a instituição manteve a projeção de crescimento de 2,4% para a economia brasileira em 2026 e de 2,5% no médio prazo, considerando que o país continua “notavelmente resiliente” perante choques externos, embora enfrente desafios fiscais e de produtividade.


O FMI afirma que será necessário “um esforço fiscal mais ambicioso” para colocar a dívida pública numa trajetória firme de queda e criar espaço para investimentos prioritários, sendo uma das sugestões a de reduzir benefícios tributários considerados pouco eficazes.


O Fundo avalia ainda que o ajuste fiscal atualmente previsto não é suficiente para reduzir a dívida pública e defende medidas adicionais, como guardar parte da receita extra gerada pelo petróleo e tornar o orçamento menos engessado.


Segundo o Fundo, a dívida bruta do Governo brasileiro deverá atingir 97,8% do PIB em 2026 e estabilizar em torno de 106% do PIB até 2035, na metodologia utilizada pela instituição.


No relatório também projeta que a inflação atingirá 5,6% no fim de 2026, convergindo gradualmente para a meta de 3% apenas em meados de 2028.


Em reação ao relatório, o Banco Central brasileiro avaliou que a equipa do “FMI reconhece o papel desempenhado pelo regime de metas para a inflação e pelo arcabouço de políticas económicas do país”.

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