Fernando Carreteio*
A transformação digital da indústria brasileira é uma agenda em curso, impulsionada pela necessidade imediata de aumentar a produtividade, reduzir custos operacionais e garantir maior previsibilidade no setor industrial.
Diante desse cenário, a Inteligência das Coisas (IoT) assume um papel fundamental ao conectar ativos, gerar dados em tempo real e permitir decisões mais rápidas e assertivas. Trata-se, sobretudo, de uma mudança de paradigma que desloca a gestão baseada em reações para um modelo orientado por previsibilidade e eficiência.
Esse movimento já pode ser observado em aplicações concretas que avançam no país, especialmente em áreas críticas como logística de insumos e gestão de ativos industriais. Entre elas, destacam-se o monitoramento remoto de tanques de gás e a manutenção preditiva de máquinas rotativas, que deixam de ser conceitos futuros e passam a gerar resultados mensuráveis no dia a dia das operações.
Na gestão de tanques de gás, sejam eles de GLP, gases industriais ou aplicações químicas, temos um grande desafio, pois ainda é comum a baixa visibilidade em tempo real sobre níveis e consumo. Isso resulta em entregas desnecessárias, rotas ineficientes e, em casos mais críticos, risco de desabastecimento.
Com o avanço das soluções de telemetria desenvolvidas pela WIKA, em parceria com a Sensile Technologies, o quadro começa a mudar. O sistema de monitoramento remoto de tanques de gás da Sensile, integrado ao ecossistema IIoT da WIKA, utiliza dispositivos autônomos que permitem o acompanhamento contínuo de nível, pressão e consumo, com transmissão de dados por redes de baixo consumo energético (LoRaWAN®). A solução opera com bateria de longa vida, sem necessidade de cabeamento, e já conta com as certificações dos órgãos reguladores nacionais — ANATEL (homologação obrigatória para dispositivos de radiofrequência no Brasil) e INMETRO — garantindo conformidade legal plena para comercialização e operação em território brasileiro. Isso traz ganhos diretos em planejamento logístico, redução de custos, menor emissão de carbono e maior confiabilidade no abastecimento.
Em um país com dimensões continentais como o Brasil, essa inteligência aplicada à logística representa uma vantagem competitiva.
Outro avanço importante está na gestão de máquinas rotativas, como bombas, motores e compressores. Presentes em praticamente todos os setores, suas falhas podem interromper operações inteiras e causar grandes impactos em produção, custos e segurança.
Apesar disso, ainda predominam modelos de manutenção que não evitam paradas inesperadas. É nesse ponto que o IIoT (Internet Industrial das Coisas) demonstra seu valor.
Para enfrentar esse desafio, a WIKA desenvolveu o “Rotating Machinery Manager”, uma solução IIoT de manutenção preditiva que combina um sensor multivariável autônomo, capaz de monitorar simultaneamente vibração, temperatura e ultrassom, com um motor de inteligência artificial que analisa o comportamento dos ativos em curtos intervalos e prescreve potenciais causas de falha. A instalação é rápida e não exige cabeamento: o dispositivo opera via LoRaWAN® e bateria, permitindo acesso remoto aos parâmetros da máquina de qualquer lugar. Assim como na solução de tanques, o produto já possui certificação ANATEL e INMETRO, atendendo plenamente às exigências regulatórias brasileiras para dispositivos IoT sem fio. Com isso, torna-se possível acompanhar continuamente o comportamento dos equipamentos e identificar sinais de falha com antecedência, permitindo agir antes que o problema se materialize.
O resultado é uma operação mais eficiente, com maior disponibilidade de ativos e menor custo total ao longo do ciclo de vida dos equipamentos.
A adoção dessas soluções no Brasil dialoga com desafios estruturais conhecidos na indústria, como logística cara, necessidade de eficiência energética e pressão por sustentabilidade.
Ao transformar dados em inteligência operacional, o IIoT permite que empresas avancem nesses pontos sem exigir mudanças complexas em infraestrutura.
Ao mesmo tempo, a evolução de tecnologias como redes de baixo consumo energético e longo alcance, computação em borda e algoritmos de aprendizado de máquina tem viabilizado soluções cada vez mais acessíveis, escaláveis e seguras.
Esses avanços reforçam a importância da digitalização industrial, que definirá o nível de competitividade das empresas nos próximos anos.
Na WIKA, acompanhamos de perto esse movimento e entendemos que o futuro da indústria será cada vez mais conectado, inteligente e orientado por dados, impulsionado por novos investimentos e pela necessidade de tornar as operações mais eficientes e resilientes.
*Fernando Carreteio é Diretor Comercial da WIKA, multinacional alemã especializada em instrumentos de medição industrial https://www.wika.com/pt-br/


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