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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Trend da foto dos anos 80: até onde vai a autorização para usar a própria imagem com IA?

Viralização de retratos que recriam usuários na estética da década de 1980 chama atenção para direitos de imagem, consentimento e uso posterior das fotos enviadas às ferramentas de inteligência artificial

Alexander Coelho é especialista em Direito Digital, IA e Cibersegurança
Divulgação/M2 Comunicação


A trend que transforma fotos atuais em retratos inspirados nos anos 1980 tomou conta das redes sociais. Com ferramentas de inteligência artificial, usuários enviam uma fotografia própria e recebem uma nova versão, com mudanças em roupas, cabelos, cenários e estética, mas preservando características reconhecíveis da pessoa. A brincadeira parece inofensiva, mas também abre uma discussão jurídica sobre o que acontece com a imagem utilizada para gerar o conteúdo e quais usos podem ser feitos posteriormente.


Para Alexander Coelho, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Digital, IA e Cibersegurança, o primeiro cuidado está em compreender que o envio voluntário de uma fotografia para uma ferramenta não significa, necessariamente, autorização irrestrita para qualquer utilização daquele material. “É preciso diferenciar o consentimento dado para uma finalidade específica da autorização para usos posteriores. Ao inserir uma fotografia em uma plataforma de IA, o usuário deve verificar quais são as condições de utilização, armazenamento e tratamento daquele conteúdo, porque a imagem não deixa de ser um dado relacionado àquela pessoa simplesmente porque foi transformada pela tecnologia”, afirma.


O advogado explica que outro ponto de atenção está nos termos de uso das plataformas. Dependendo das regras aceitas pelo usuário, a fotografia original, a imagem gerada e os dados associados à interação podem estar sujeitos a diferentes formas de tratamento.


“Antes de aderir a uma trend, vale olhar, ainda que de forma objetiva, o que a plataforma informa sobre retenção, compartilhamento e utilização dos conteúdos enviados. A lógica de que ‘é apenas uma brincadeira’ não elimina a necessidade de compreender a que tipo de tratamento aquele material estará submetido”, acrescenta.


Cuidados ao usar IA em trends com fotos:


  • Confira onde a foto será enviada: antes de fazer upload, veja se a plataforma informa como a imagem será armazenada, processada ou reutilizada.
  • Evite fotos de terceiros sem autorização: transformar a imagem de outra pessoa com IA pode gerar problemas relacionados ao direito de imagem e à privacidade.
  • Atenção a crianças e adolescentes: o cuidado deve ser ainda maior ao utilizar imagens de menores, especialmente em plataformas de IA.
  • Não confunda diversão com autorização: o fato de uma ferramenta permitir a edição não significa que qualquer uso da imagem esteja juridicamente autorizado.
  • Cuidado com alterações que mudem o contexto: uma imagem gerada ou modificada por IA pode associar uma pessoa a situações, ambientes ou comportamentos que nunca ocorreram.
  • Pense antes de publicar: mesmo uma imagem criada como brincadeira pode ser reproduzida, compartilhada ou retirada do contexto original.
  • Leia os termos da ferramenta: algumas plataformas estabelecem condições específicas sobre o conteúdo enviado e sobre o uso das imagens geradas.

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