"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 14 de setembro de 2013

Cantora Pitty afirma que o Pastor Silas Malafaia deveria ser preso por crimes contra a humanidade

Em entrevista para o portal UOL a cantora Pitty falou sobre diversos assuntos, como seu novo trabalho, sexualidade, política e se mostrou irritada com a ligação da religião com a política, além de afirmar que o Pastor Silas Malafaia e o deputado Jair Bolsonaro deveriam ser presos por crimes contra a humanidade.

Pitty, agnóstica assumida, também se mostrou indignada com a proibição do kit gay feito pela Presidente Dilma Rousseff, “me sinto no século passado. Política não tem que ter vínculo com religião, somos um país laico, não há o menor sentindo envolver religião em uma discussão como essa”. Para a cantora o Brasil é um país atrasado e arcaico em questões sobre homossexualidade.

Quando perguntada sobre a posição do deputado Jair Bolsonaro e do Pastor Silas Malafaia sobre o homossexualidade a cantora foi enfática: “Esses caras deveriam ser depostos dos seus cargos e julgados por crimes contra a humanidade. Preconceito é crime!”, Pitty se mostrou a favor da criminalização da homofobia: “Ainda não criminalizaram a homofobia, mas eu considero um crime”, mas ponderou: “Gostaria mesmo é que essa lei não precisasse existir, queria que as pessoas tomassem consciência por si só.”

A roqueira também comemorou o reconhecimento da união gay pelo STF, além de afirmar que não deveria haver qualquer ligação entre a políticos e religião: “Vivemos em um país laico e não acho certo poder eleger um candidato que representa uma doutrina. [...] Eu acho que uma coisa que prega o respeito e o amor ao próximo não pode, ao mesmo tempo, pregar o preconceito e o racismo. Por isso religião e política não podem andar lado a lado”, acredita a cantora que afirma ter tentado seguir algumas religiões, mas “todas as vezes que tentei seguir me deparei com os dogmas e não consigo seguir em frente”.

 Fonte:Gospel+

Grécia: Milhares de pessoas protestam contra ataque de nazis a nove militantes do KKE

Esta sexta feira, milhares de pessoas ocuparam as ruas de Atenas em protesto contra o violento ataque levado a cabo por cerca de cinquenta elementos do partido neonazi Aurora Dourada, na sequência do qual nove militantes do Partido Comunista grego (KKE) foram encaminhados para o hospital com ferimentos graves.
Naquele que, segundo avança o jornal Guardian, foi descrito como um ataque assassino, e o mais violento desde a eleição do Aurora Dourada para o parlamento grego, cerca de cinquenta membros desse partido neonazi, munidos com bastões e barras de ferro, atacaram um grupo de militantes do Partido Comunista grego (KKE), que distribuíam propaganda num bairro operário da capital, na passada quinta feira.
“A forma como atuaram e as armas utilizadas... são a prova da natureza assassina do ataque. Entre os membros do Aurora Dourada, alguns dos quais com a cara tapada ou capacetes ou t-shirts do partido, estavam os seus líderes, bem conhecidos fascistas e bandidos”.
O autor Dimitris Psarras, que tem narrado a ascensão do Aurora Dourada ao longo de quase quatro décadas desde a queda do regime militar, defende que a agenda do partido neonazi passa por “criar uma atmosfera de guerra civil na Grécia, uma divisão onde as pessoas têm de escolher entre esquerdistas e direitistas”.
O ataque foi “muito bem organizado e o mais sério até à data. Eles já não estão a atacar apenas imigrantes durante a noite. Estão a aumentar deliberadamente as tensões, a espalhar a sua agenda de ódio indo através de militantes de esquerda”, avançou Psarras em declarações ao Guardian.
No início do ano, a Associação Muçulmana da Grécia recebeu uma carta com a insígnia do Aurora Dourada na qual era referido que se os muçulmanos não abandonassem o país seriam “abatidos como galinhas”. Esta semana, o partido publicou no seu site um comunicado violento onde identifica o sionismo no mundo como o “arquiteto do terrorismo global”.
Mediante o apoio de alguns clérigos ao partido neonazi, os comentadores questionam-se se a Nova Democracia não deverá unir forças com o Aurora Dourada, com quem partilha pontos de vista semelhantes sobre questões de ordem pública.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

China: Um problema demográfico sem precedentes

A sociedade chinesa está em vésperas de uma transformação estrutural ainda mais profunda que o longo e penoso projeto de reequilíbrio económico, que o Partido Comunista da China (PCC) está ansiosamente a começar a impulsionar.
A população chinesa está a envelhecer mais depressa do que enriquece, gerando um forte desequilíbrio demográfico que terá importantes implicações nos esforços do PCC para transformar a economia chinesa e conservar o seu próprio poder na próxima décadas.

Duas reportagens publicadas na mídia chinesa destacam diferentes aspectos da crise demográfica que está a evidenciar-se neste país. O Ministério de Educação informou, a 21 de agosto, que, em 2012, tinham fechado mais de 13.600 escolas primárias em todo o país. O relatório alude à mudança pronunciada do perfil demográfico de Chinesa para justificar esses encerramentos, assinalando, que entre 2011 e 2012, o número de alunos nas escolas primárias e secundárias desceu de quase 150 milhões para 145 milhões. Também confirmou que, entre 2002 e 2012, o número de alunos matriculados na escola primária desceu quase 20%. O relatório ministerial surge um dia após um artigo publicado no Diário do Povo, o jornal do governo, ter advertido para a iminente crise da segurança social chinesa perante a expectativa de que o número de idosos aumentará de 194 milhões em 2012 para 300 milhões em 2025.
O PCC já está a propor medidas para contrariar, ou pelo menos limitar, o impacto no curto prazo das mudanças demográficas na sociedade chinesa. Por um lado, acaricia a ideia de relaxar a política do filho único numa tentativa de incrementar a taxa de fertilidade, mais recentemente com um potencial programa piloto em Shanghái que permitiria aos casais que têm um único filho ter um segundo. Por outro lado, o governo propôs aumentar a idade legal da reforma dos 55 para os 60 anos para as mulheres e dos 60 para os 65 anos para os homens. Se implementada, esta medida aproximaria a política de aposentação chinesa aos standards internacionais e adiaria algumas das pressões financeiras e sociais geradas pelo forte aumento de aposentados dependentes das pensões públicas e do cuidado dos seus filhos.
Mas, até uma mudança radical da política de filho único ou um ajuste drástico da idade legal de reforma apenas criariam amortecedores temporários e parciais face ao problema da mudança demográfica. Já não é claro que a política de filho único tenha algum efeito relevante no crescimento da população chinesa. A baixa taxa de fertilidade do país (1,4 filhos por mãe, comparada a uma média de 1,7 nos países desenvolvidos e de 2,0 nos EUA) é, pelo menos, tanto um reflexo da luta dos casais urbanos para fazer frente ao rápido aumento do custo da vida e da educação em muitas cidades chinesas, como da aplicação draconiana da política.
Do mesmo modo, o atraso de cinco anos da idade da reforma não fará mais que adiar parcialmente o inevitável, e, além disso, chocará com uma tenaz oposição de importantes sectores profissionais, entre eles numerosos funcionários públicos. Ao ajustar a idade da reforma, o governo também corre o risco de agravar a crise do emprego entre o número rapidamente crescente de licenciados universitários no desemprego, muitos dos quais esperam aceder ao mercado de trabalho à medida que os trabalhadores mais velhos abandonam o mercado de trabalho. Neste contexto, o PCC tem de ponderar cuidadosamente os ajustes da sua política, já que qualquer mudança que introduza num área gerará provavelmente novas tensões noutro sector da força de trabalho.
O cerne do desafio demográfico na China reside no facto de que, ao contrário do Japão, Coreia do Sul, EUA e dos países da Europa ocidental, a população chinesa envelhecerá antes de a maioria estar sequer perto de um nível de rendimento médio, e, muito menos, alto. Isto não tem antecedentes históricos, e as suas implicações tornam-se ainda mais imprevisíveis pela sua coincidência com a mudança forçada da economia chinesa, que se afasta do modelo baseado na exploração de uma mão de obra barata e inesgotável, aproximando-se de outro modelo em se que se espera que os jovens chineses sustentem a vida económica do país como trabalhadores e consumidores. Um adiamento temporário da crise demográfica será difícil, mas possível, com a reforma, mas a longo prazo a solução parece fora do alcance.

 

21 de Agosto de 2013
Tradução para espanhol: VIENTO SUR
Tradução para português: Mariana Carneiro - esquerda.net

Tecnologia de guerra como atrativo

Comercial exibido nas TV´s de Natal-RN a empresa se orgulha de usar tecnologia israelense. O Comercial é de uma rastreadora de veículos por satélite.

"Tecnologia de Guerra" é  a atração mais fortemente expressada para atrair clientes, faz parte da política do medo oferecer a confiança em uma segurança, quanto mais excessiva melhor.  Quanto maior o medo melhor as vendas.

Os Estados Unidos tem usado o terror para aumentar a restrição a direitos. Segundo levantamento do jornal The Washington Post, o “black budget”, o orçamento destinado aos serviços de inteligência do governo dos Estados Unidos, soma US$ 52,6 bilhões ao ano – mais de 68% disso vai para a CIA, a NSA e o NRO (Escritório Nacional de Reconhecimento, órgão responsável por desenvolver, construir e operar satélites de reconhecimento). O valor reservado para as áreas de inteligência e vigilância dobrou em relação a 2001. A maior parcela de gastos é com coleta, exploração e análise de dados. Apenas a CIA tem um gasto previsto de US$ 11,5 bilhões para coleta de dados em 2013. As empresas contratadas são mantidas em segredo.

WIKILEAKS: QUEM LUCRA COM A ESPIONAGEM DIGITAL



As dez empresas que mais ganham com as guerras

As dez empresas tiveram, no seu conjunto em 2011, vendas superiores a 200 mil milhões de dólares e mais de 24 bilhões de dólares de lucros. Nenhum setor económico cresceu tanto como a indústria de armamento o que dá conta de um entusiasmo demencial pelas guerras. Por Marco Antonio Moreno
Correlação dívida – gasto militar, imagem de El Blog Salmón

O Instituto de Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI) resume no seu anuário de 2013, as vendas mundiais de armas e serviços militares das 100 maiores empresas de armamento e equipamento bélico para o ano de 2011. As vendas destas cem empresas atingiram 465.770 milhões de dólares em 2011, contra 411 mil milhões de dólares em 2010, o que representa um aumento de 14 por cento. Desde o ano de 2002, as vendas das 100 maiores empresas produtoras de armas e equipamento bélico aumentaram cerca de 60 por cento, confirmando que estas empresas estão longe de sofrer os impactos da crise financeira que tem sacudido o mundo.
Destas 100 empresas que o anuário do SIPRI analisa, as dez primeiras tiveram vendas de 233.540 milhões de dólares, isto é cerca de 50 por cento do total alcançado pelas Top Cem. Nenhum setor económico cresceu tanto como a indústria de armamento o que dá conta de um entusiasmo demencial pelas guerras. Já temos assinalado os perigos que envolvem o lucrativo negócio da guerra e o detalhado relatório do instituto sueco confirma as nossas suspeitas. Este Instituto deveria pedir contas a essa Academia, também sueca, que outorga o Nobel da Paz, sobretudo por entregar o prémio a alguém que valida o orwelliano mundo de a guerra é a paz.
Um mundo demencial
Se há algo demencial e irracional no facto das fábricas de armamento terem mais lucros que qualquer outro setor industrial, também é de insanidade profunda que isto não seja informado publicamente. As fábricas de armamento, de origem privada, absorvem parte importante dos orçamentos públicos. Ou seja, é o contribuinte, uma vez mais, o principal financiador dos senhores da guerra. Uma despesa que só com as cem primeiras chega ao meio bilião de dólares anuais. E agora que está em moda a tecnologia dos drones (aviões não tripulados) não é de estranhar que 7 das 10 primeiras empresas operem no espaço aéreo. Muito menos é de estranhar que destas 100 empresas, 47 sejam dos Estados Unidos. As empresas norte-americanas garantem cerca de 60 por cento das vendas totais de armamento que estas top cem produzem. Daí a correlação entre a dívida pública e a despesa militar que estabelecemos para alguns anos para compreender o problema da dívida pública dos Estados Unidos.
Estas são as primeiras 10 empresas da lista no ranking 2011 (os dados entre parênteses correspondem ao ranking 2010):
1 (1). Lockheed Martin (EUA) Mísseis, eletrónica e espaço aéreo. Vendas de 36.270 milhões dólares em 2011. Lucros líquidos: 2.655 milhões de dólares. 123.000 empregados (132.000).
2 (3). Boeing (EUA) Aviões, eletrónica, mísseis, espaço aéreo. Vendas de 31.830 milhões de dólares. Lucros líquidos de 4.018 milhões de dólares. 171.700 empregados (160.500).
3 (2). BAE Systems (Reino Unido) Aviões, artilharia, mísseis, veículos militares, naves. Vendas de 29.150 milhões de dólares. Lucros líquidos de 2.349 milhões de dólares. 93.500 empregados (98.200).
4 (5). General Dynamics (EUA) Artilharia, eletrónica. Vendas de 23.760 milhões de dólares. Lucros líquidos de 2.526 milhões de dólares, 95.100 empregados (90.000).
5 (6). Raytheon (EUA) Mísseis, eletrónica. Vendas de 22.470 milhões de dólares. Lucros líquidos de 1.896 milhões de dólares. 71.00 empregados (72.400).
6 (4). Northrop Grumman (EUA) Aviões, eletrónica, mísseis, navios de guerra. Vendas de 21.390 milhões. Lucros líquidos de 2.118 milhões de dólares. 72.500 empregados (117.100).
7 (7). EADS (UE) Aviões, eletrónica, mísseis. Vendas de 16.390 milhões de dólares. Lucros líquidos de 1.442 milhões de dólares. 133.120 empregados (121.690).
8 (8). Finmeccanica (Itália) Aviões, veículos de artilharia, mísseis. Vendas de 14.560 milhões de dólares. Lucros líquidos de 902 milhões de dólares. 70.470 empregados (75.200).
9 (9). L-3 Communications (EUA) Eletrónica. Vendas de 12.520 milhões de dólares. Lucros líquidos de 956 milhões de dólares. 61.000 empregados (63.000).
10 (10). United Technologies (EUA) Aeronaves, eletrónica, motores. Vendas de 11.640 milhões de dólares. Lucros líquidos de 5.347 milhões de dólares. 199.900 empregados (208.220).
Estes números confirmam que a guerra é um dos melhores negócios para alguns países, e que inclusive põe à prova as recessões e as crises financeiras. E, apesar de terem importantes lucros, também criam desemprego. O grande problema é que precisam de se alimentar diariamente com novas guerras, por isso há que as inventar. Que fariam estas empresas se houvesse paz? Por isso, todas as guerras baseiam-se no engano e na manipulação das massas, como as armas químicas de destruição em massa de Saddam Hussein que há dez anos permitiram aos Estados Unidos invadir o Iraque, perante a complacência de todo o mundo. Repetir-se-á outra vez?
Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmón

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

População aprova o Mais Médicos

Em pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) 73,9% das 2.002 pessoas entrevistadas, apoiam o programa e 49,6% delas acreditam que o Mais Médicos solucionará problemas graves relacionados à saúde no país.

A pesquisa mostra que a deficiência do setor faz com quê a população veja o programa do governo como uma possibilidade de melhora do serviço púbico de Saúde, contrastando com o plano das entidades médicas de criarem má impressão sobre, principalmente, a vinda de estrangeiros.

Emissões das 500 maiores empresas do planeta continuam a subir

Um relatório alerta que a libertação de gases do efeito de estufa das grandes companhias já chega a 3,6 mil milhões de toneladas métricas. As 50 maiores empresas avaliadas respondem por 2,54 mil milhões de toneladas de GEEs. 

Por Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil
As 50 maiores empresas avaliadas respondem por 2,54 mil milhões de toneladas de GEEs. Essas companhias - incluindo gigantes como BP, Shell, Chevron, Arcelor Mittal e RWE - registaram conjuntamente um aumento de 1,65% nas suas emissões nos últimos quatro anos.
Se as 500 maiores companhias do globo fossem um país, as emissões anuais de gases do efeito estufa (GEEs) dessa nação, 3,6 mil milhões de toneladas métricas, seriam mais de sete vezes maiores do que as do Brasil, 488 milhões de toneladas. O mais preocupante é que essas empresas provavelmente emitirão quantidades ainda maiores de GEEs nos próximos anos, uma vez que a economia mundial está em recuperação.
Essa é uma das conclusões de um levantamento das emissões das empresas listadas no FTSE Global 500 Equity Index – índice que reúne as 500 companhias com maior capitalização na Bolsa de Valores de Londres – que foi publicado nesta quinta-feira (12) pelo CDP, ONG britânica que busca estimular o empenhamento climático da iniciativa privada, e pela consultoria PwC.
De acordo com o “Global 500 Climate Change Report 2013”, apenas as 50 maiores empresas avaliadas respondem por 2,54 mil milhões de toneladas de GEEs. Além disso, essas companhias - incluindo gigantes como BP, Shell, Chevron, Arcelor Mittal e RWE - registaram conjuntamente um aumento de 1,65% nas suas emissões nos últimos quatro anos.
Segundo Jonathan Grant, diretor da PwC, a iniciativa privada precisa se esforçar mais para evitar o crescimento das emissões. “Estamos a poucas semanas da publicação do novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que será um dos documentos mais abrangentes já realizados sobre as mudanças climáticas. Apesar de algumas empresas estarem atentas aos riscos e serem transparentes sobre o seu planeamento e reporte sobre mudanças climáticas, as emissões das maiores companhias continuam a subir.”
O relatório aponta que as emissões das cadeias de fornecedores ainda não são contabilizadas de forma completa e que alguns setores são bem mais conscientes do que outros. Por exemplo, enquanto as seguradoras estão muito mais empenhadas e alertadas para o aquecimento global, o setor de energia ainda possui uma enorme quantidade de empresas que não possuem metas para emissões.
“O medo dos impactos futuros das mudanças climáticas está a crescer à medida que presenciamos mais eventos extremos, como o furacão Sandy, que causou 42 mil milhões de dólares em prejuízos. (...) O resultado é que estamos a perceber uma transformação no mundo corporativo, que está a ficar mais alerta para a necessidade de lidar com os riscos das mudanças climáticas e de aumentar a sua resiliência”, explicou Paul Simpson, CEO do CDP.
Rankings
Apesar da preocupação com a falta de metas e de empenhamento das empresas, o relatório traz também com grande destaque os bons exemplos. São apresentados dois rankings para classificar as companhias com melhor desempenho no que diz respeito às ações de adaptação e mitigação climática (CPLI) e as mais transparentes na divulgação de suas informações e impactos (CDLI).
Dezenas das 500 maiores companhias não quiseram participar do levantamento, entre elas Amazon, Kia, Time Warner, Valero Energy, CaterPillar, Facebook, Apple e Prada.
Artigo de Fabiano Ávilado Instituto CarbonoBrasil

Na Polônia protestos contra o neoliberalismo

Durante quatro dias (de 11 a 14 de setembro) realizam-se na Polônia protestos contra a política do Governo da direita neoliberal, convocados por três centrais sindicais. Os trabalhadores exigem aumento do salário mínimo e combatem a precariedade e o aumento da idade da reforma. No primeiro dia, os protestos juntaram mais de 10 mil pessoas e os sindicatos esperam 100 mil manifestantes no sábado.
Manifestação em Varsóvia - 11 de setembro de 2013
Nesta quarta-feira (11 de setembro de 2013), teve início o protesto de quatro dias convocado pelas três maiores centrais sindicais da Polónia: OPZZ (aliança de sindicatos da Polónia), "Solidarność" (Solidariedade) e FZZ (Fórum de sindicatos).
No primeiro dia, tiveram lugar concentrações junto a vários ministérios em Varsóvia. Os trabalhadores concentrados dirigiram-se depois em manifestações para o parlamento polaco. Os protestos decorrerão quinta e sexta-feira e culminarão no sábado com uma grande manifestação na capital, Varsóvia, em que os sindicatos esperam juntar mais de 100 mil pessoas.
A primeira razão para os protestos é a alteração do código de trabalho que cria um novo contrato temporário com menos direitos.
Os protestos são também contra o aumento da idade da reforma para os 67 anos, já em vigor, defendendo os sindicatos que a idade da reforma volte a ser aos 65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres.
Outra importante reivindicação é a exigência de aumentos salariais, nomeadamente o aumento do salário mínimo.
As centrais sindicais protestam contra o Governo e a política do primeiro-ministro Donald Tusk do partido Plataforma Cívica, de direita neoliberal, combatem os cortes nos direitos sociais e laborais e responsabilizam o executivo pela estagnação da economia polaca. A popularidade do governo está em queda acentuada e a maioria parlamentar afunda-se.

Desperdício e fome

Se pelo menos 1 bilhão dos 7 bilhões de humanos que habitam a terra convivem com a falta de alimentos a cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas, aqui vemos de fato a supremacia do dinheiro sobre o direito de ser humano, já que isto necessita de alimentação.

No mundo todo o agronegócio cultiva as melhores terras, e o direito à alimentação fica á  segundo plano. Um contradição no tempo em que temos uma capacidade de produzir alimentos nunca antes experimentada, apesar de que nunca ter havido mais humanos vivendo nas cidades do quê no Campo. Nesse momento a vida é urbana a produção agrícola cada vez mais é  negócio extensivo e lucrativo, aparece aqui a necessidade de a agricultara ser gerenciada pelo interesse público.

Desperdício de alimentos causa sérios danos ao clima e recursos naturais

A cada ano, 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçadas, causando não somente danos econômicos, mas também prejudicando seriamente os recursos naturais.

O alerta é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. A FAO lançou nesta quarta-feira o primeiro estudo que analisa os impactos do desperdício global de alimentos a partir de uma perspectiva ambiental.

Responsabilidade

Em Roma, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, ressaltou que agricultores, pescadores, supermercados, governos e consumidores precisam evitar o desperdício.

Falando em inglês, Graziano da Silva disse que "simplesmente não se pode permitir que um terço de todos os alimentos sejam perdidos devido a práticas inapropriadas, enquanto 870 milhões de pessoas no mundo passam fome."

Segundo o estudo da FAO, a cada ano, toda a comida produzida, mas não consumida, gera na atmosfera um volume de 3,3 bilhões de toneladas de gases que causam o efeito estufa.

Impacto na Economia

O desperdício de alimentos também tem impacto direto na economia mundial, gerando perdas de US$ 750 bilhões, ou R$ 1,7 trilhão. Os vegetais jogados fora ou estragados são os principais responsáveis por essas perdas.

Na sequência, estão carnes, frutas e cereais não consumidos. A Ásia é a região que mais contribui para o desperdício de alimentos, segundo o estudo.

Em todo o mundo, 54% do desperdício ocorre durante a produção e armazenamento e o restante na fase de consumo. Países em desenvolvimento sofrem mais com o desperdício durante a produção, enquanto em nações ricas, isso ocorre durante o consumo.

Ásia e América Latina

A perda de cereais, na Ásia, em especial do arroz, é um problema significativo, com grandes impactos na emissão de carbono e no uso da terra e da água.

Juntos, países de renda alta e a região da América Latina são responsáveis por 80% de todo o desperdício de carne. A perda de frutas contribui de forma séria para gasto excessivo de água na Ásia, América Latina e Europa.

A FAO aponta o comportamento dos consumidores, que compram mais do que o necessário, e a falta de comunicação na cadeia de produção como dois fatores para tanto desperdício.

A agência indica medidas para mudar o quadro, como reduzir o desperdício alimentar e doar o excesso de comida produzida para as camadas mais vulneráveis da sociedade.

Nova York, da Rádio ONU, Leda Letra.

Quem são os terroristas?

A palavra “democracia”, ou a expressão “mundo livre”, é colocada à lapela dos partidários de novas invasões e novas chacinas.
“Dia 11 de Setembro. Desviados da sua missão normal por pilotos decididos a tudo, os aviões mergulharam contra o coração da grande cidade, decididos a abater os símbolos de um poder político detestado. Rapidamente: explosões, fachadas a voar em estilhaços, o estrondo infernal de desmoronamentos, sobreviventes aterrados, fugindo cobertos de destroços. E os media transmitiram em direto... Nova Iorque, 2001? Não, Santiago do Chile, 11 de Setembro de 1973”1.
É incómodo para muita gente que recordemos a data do golpe de Pinochet e dos EUA contra o presidente socialista Salvador Allende. A reação é como se quiséssemos negar a violência de 11 de Setembro de 2001. Não queremos. Queremos é que não se silencie a história do “terrorismo” dos próprios EUA, não por ontem mas por hoje. Essa palavra tão útil aos poderosos não encontra nem prevejo que encontre definição no direito internacional público, porque “terroristas” são sempre os Outros.
Desde 11 de Setembro de 2001, que “terrorista islâmico” é para muita gente um pleonasmo, apesar das centenas de milhões de pessoas islâmicas do mundo nada terem a ver com os ataques de organizações que até foram treinadas pelos EUA, quando o inimigo era Outro.
Na Europa, os cúmulos a que esta ideia chega podem ser ilustrados pelos atentados de Oslo. Em julho de 2011, 92 pessoas foram mortas num duplo atentado: mais de 80 mortos no acampamento de jovens do Partido Trabalhista na ilha de Utoeya e os 7 mortos e 2 feridos do atentado à bomba em Oslo com que a tragédia começou. Depois da acusação imediata e sem rosto aos “terroristas islâmicos”, afinal o autor tinha sido um membro da extrema-direita norueguesa chamado Anders Behring Breivik, europeu nórdico de 32 anos, fundamentalista cristão, anti-islâmico.
Assim que se soube que o autor dos atentados de Oslo era um fundamentalista cristão, a reação dos media foi literalmente: “afinal não era um terrorista”. Não era terrorista por ser cristão e um loiro de olhos azuis. E passou a ser simplesmente um louco, aliás uma vítima. Entre outros, o conservador Brussels Journal chegou desenhar a seguinte teoria: "A sua raiva, alimentada por jogos de vídeo, também pode ter sido causada pela falta de discussão real sobre as mudanças radicais causada pelo multiculturalismo"2. É a teoria da “xenofobia soft”.
Voltando aos EUA e aos seus passeios pelo mundo: do Chile ao Iraque, da Líbia à Síria… Para que o poder das potências e dos oligopólios se mantenha, os aliados de anteontem são os terroristas de ontem e os aliados de hoje. Os EUA e todos os apoiantes europeus do imperialismo NATO, na alegada tarefa de implantação da democracia através de bombas, preparam-se para voltar a dar força à Al-Qaeda.
Seria errado comparar qualquer ditador ao presidente chileno eleito democraticamente e que pela via democrática começava a cumprir as aspirações emancipatórias de uma grande frente popular. No entanto, há que recordar que sempre que a palavra “democracia”, ou a expressão. “mundo livre” é colocada à lapela dos partidários de novas invasões e novas chacinas, há povos em todo o mundo que sofrem o terror da ingerência imperialista.

1 Ignacio Ramonet - Guerras do Século XIX. Novos medos, novas ameaças. Porto: Campo das Letras, 2002. p. 45.
2 Norwegian Tragedy And Absence Of Debate, http://www.brusselsjournal.com/node/4773

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A Assembleia Itinerante é mais um circo

Diversas vezes aqui já comentamos sobre o oligarquismo do Rio Grande do Norte e também mencionamos eleições, mas não me parece esta via a adequada para a modificação, a não ser que seja uma forma de denúncia do fracasso do poder instituído. Michel Foucault estudou o poder e para ele havia na sociedade vários centros de poder, parece também que o Oligarquismo é uma consequência da falta de um poder político ou vários na sociedade civil.

Hoje a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, um centro de demagogia, esteve "funcionando" em Caicó tratando de temas que não pode modificar, é o discurso oco. Não há sustentação para um modelo deste, os Parlamentares são como criaturas adotadas de quem se precisa esperar algo, mas sabe-se que nunca fará, perde o sentido a existência do poder.

Discursos meramente agraciadores, vazio pela falta de rebate, passividade, desorganização social.

Esses atos quando ocorrem são como espetáculos, espetáculos do agrado sem sentido, uma desestabilização fora do ciclo de esmolas que ainda insiste em se manter.

Brasil perder 1,54 bilhão de barris de petróleo para petroleiras internacionais em 2012

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) pediu à presidenta Dilma Rousseff a suspensão imediata do leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos, marcado para 21 de outubro. A preocupação é uma reação à denúncia de que a Petrobras foi espionada pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos.

Em carta entregue ao planalto, a FUP reitera que "não há dúvidas sobre as motivações comerciais na espionagem comandada pelo governo dos Estados Unidos e aliados, como a Inglaterra, cujas petrolíferas já se manifestaram interessadas nas reservas do pré-sal, e, particularmente, em Libra”.

Segundo estimativas iniciais da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as reservas desse campo podem ultrapassar os 12 bilhões de barris de óleo.

A FUP ressalta que o Campo de Libra equivale a mais de 80% de todas as reservas provadas da Petrobras, ao longo de seus 60 anos de atuação.

Em entrevista ao portal de notícias do Instituto Humanitas Unisinos (IHU), o engenheiro Paulo Metri declara que o atual modelo de concessão fez o Brasil perder 1,54 bilhão de barris de petróleo para petroleiras internacionais em 2012.

Metri defende que o Campo de Libra deveria “ser entregue à Petrobras, sem leilão, para esta assinar um contrato de partilha com a União, se comprometendo a remeter 80% do lucro líquido para o Fundo Social, o que nenhuma empresa privada fará”.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

O Chile de Allende era um "mau exemplo" para a região

Se se quer um sistema global subordinado às necessidades dos investidores norte-americanos, não se pode deixar que partes do sistema se percam. É notável a clareza com que isso é declarado nos arquivos oficiais - às vezes, até nos arquivos públicos. Veja o Chile no governo de Allende. O Chile é um país consideravelmente grande, com muitos recursos naturais, mas, repetindo, os Estados Unidos não desmoronariam se o Chile se tornasse independente. Por que estávamos tão preocupados com esse país. Segundo Kissinger, o Chile era um "vírus" que "infectaria" a região, com reflexos até na Itália." (Chomsky)

Há 40 anos um Golpe comandado por militares punha fim a uma experiência de governo popular na América do Sul. O Chile naquele momento se tornava um "vírus" perigoso para toda a região subordinada a interesses econômicos, principalmente os Estados Unidos, anos atrás, em 1959, uma revolução de Camponeses chegava ao poder em Cuba, na América do Sul, região grande produtora de produtos primários o risco de governos populares tinha que ser "controlado", anos antes um golpe Militar retirava Jão Goulart do Governo no Brasil, a partir daqui uma série de Ditaduras Militares se instalavam na Região. Por que os Militares?

"Os EUA esperam contar com a força e fazer alianças com os militares - "o grupo menos antiamericano da América Latina", como disseram os estrategistas de Kennedy -, de modo que se pode confiar neles para esmagar qualquer grupo popular local que saia do controle". (Chomsky)

Acontece agora no Egito uma caso parecido, apesar de o Governo de Mursi não representar um caso de Governo Popular, mas colocar o exército na frente antes que as manifestações contra Mursi conseguisses fazer viável um governo popular por exemplo.

Segundo Chomsky governos como o de Allende, com programas de Reforma agrária, no setor de bancos, indústria etc por representar o exemplo a ser seguido por outros países na mesma condição, apoia-se o exército para por fim a esses programas, lembrem em 2010 no Equador, o Presidente Rafael Correa um "mau exemplo" por uma mudança histórica não fora assassinado.

Allende era um socialista que acreditava ser possível chegar ao poder através do voto, e partir de então modificar as estruturas do Estado com reformas que beneficiem as massas populares. Fazia parte de seus planos nacionalizar as grandes indústria, isso incluía as grandes transnacionais estadounidenses, exportadoras de minerais e produtos agrícolas.

"Há uma razão para isso, o país mais fraco e mais pobre é mais perigoso como exemplo. Se uma nação pequena e pobre como Granada pode ser bem sucedida, alcançando um melhor nível de vida para seu povo, em outro lugar que tenha mais recursos as pessoas poderão perguntar: "E nós, por que não?"

Documentos revelados recentemente por Edward Snowden revelam conversas onde  diplomatas americanos se perguntam se o Brasil, com a influência que representa na Região pode ser considerado uma ameaça.

"...é fácil entender a política dos EUA para o Terceiro Mundo. Somos radicalmente opostos à democracia se seus resultados não podem ser controlados. O problema com as democracias verdadeiras e que elas podem fazer seus governantes caírem na heresia de responderem às necessidades de sua própria população, em vez das dos investidores norteamericanos." (Chomsky)


Chile e a experiência do Poder Popular

Desta vez não se tratava de trocar um presidente, seria o povo chileno, organizado e politizado, que estava disposto a construir um Chile bem diferente. Uma cultura popular explodia com uma radicalidade. E se a esquerda abraçou o povo e seus anseios, o povo abraçou as bandeiras da esquerda e o socialismo tornou-se um fenómeno de massa. Por Mauro Iasi.
"Desta vez não se tratava de trocar um presidente, seria o povo chileno, organizado e politizado, que estava disposto a construir um Chile bem diferente" - Foto de gap/flickr
Porque esta vez no si trata
De cambiar un presidente
Será el pueblo que construya
Un Chile bien diferente”

Falando-nos sobre as características da revolução proletária, Marx disse certa vez que as nossas revoluções “encontram-se em constante autocrítica, (…) retornam ao que aparentemente conseguiram realizar, para recomeçar tudo de novo, (…) parecem jogar o seu adversário por terra somente para que ele sugue dela novas forças e se reerga diante delas em proporções ainda mais gigantescas” (O 18 de brumário de Luís Bonaparte,p.30). De facto não se aprende com o passado a não ser o que deveríamos ter feito no passado. O que importa no estudo da nossa experiência de classe pregressa é descobrir os caminhos por onde passou o futuro em construção, os impasses e erros que nos distanciaram de nossa meta, para, assim, olhar para frente com mais segurança. Nossa revolução não tira sua poesia do passado, mas do futuro, como também disse o velho mestre, pois se antes a frase vazia das revoluções burguesas iam além do conteúdo, agora é o conteúdo proletário que não cabe na fraseologia vazia do ideário burguês.
O que a revolução chilena nos ensina neste olhar para o futuro?
Ao lado de características comuns a todos os povos da América Latina – tais como a dependência em relação aos interesses externos, a economia agro-exportadora, o domínio das oligarquias reacionárias, a concentração de terras – existiam no Chile alguns fatores que davam certa singularidade a sua formação social. Entre eles, uma história política que acabou por constituir uma estabilidade ordenada constitucionalmente e a presença de forças armadas inspiradas por anseios nacionais e progressistas, chegando mesmo a apoiar uma República Socialista que se manteve no poder por 12 dias em 1932.
Ainda que tal facto não tenha impedido episódios de reacionarismo e repressão (como a Lei de Defesa da Democracia, conhecida como “lei maldita” de 1948) as eleições foram diretas desde 1924 e acompanharam um lento, mas crescente, amadurecimento de uma alternativa popular e socialista.
Em 1951 socialistas e comunistas se unificam em uma Frente do Povo e lançam Salvador Allende que obtêm 6% dos votos perdendo para o general Ibañez Del Campo. Em 1957 o Partido Socialista (PS) define uma linha de Frente de Trabalhadores e abre caminho para a unidade com o Partido Comunista (PC). A direita e as classes médias, temerosas com o crescimento da esquerda, contra-atacam com a formação do Partido Democrata Cristão (PDC).
Em 1958 o PDC derrota Allende por uma diferença de 35 mil votos e alguns anos depois irá defender uma alternativa que não seria “nem socialista, nem capitalista” prometendo uma “revolução sem sangue”. Em 1964 o candidato do PDC, Eduardo Frei (56%), derrota Salvador Allende (39%) em uma eleição na qual a CIA despejou 425 mil dólares. Naquela oportunidade 0,7% dos proprietários controlavam 61,6% das terras chilenas e o imperialismo monopolizava todos os setores chaves da economia, a começar pela mineração. O desemprego era de 300 mil e a inflação corroía os salários. Isabel Parra cantava:
Linda se ve la patria señor turista,
Pero no le han mostrado las callampitas.
Mientras gastan millones en un momento,
De hambre se muere gente que es un portento.
Mucho dinero en parques municipales
Y la miseria es grande en los hospitales.
Al medio de alameda de las delicias,
Chile limita al centro de la injusticia.”

Eduardo Frei edita três leis sobre reforma agrária bastante moderadas. Os partidos populares (entre eles, o MIR, que havia sido fundado em 1965) e a CUT passam a organizar os camponeses e chegam a uma greve geral camponesa marcada por intensa mobilização e confrontos entre 1967 e 1969. Estas mobilizações serão violentamente reprimidas pelo governo do PDC. Como outras vezes ocorreu em nosso sofrido continente, a revolução sem sangue virou sangue sem revolução.
Estes acontecimentos aceleraram a formação da Unidade Popular, formada pelo PC, pelo PS e por outros setores como o Partido Radical, a Ação Popular Independente e um racha do PDC chamado Movimento de Ação Popular (MAPU). A maior divergência que se expressava neste momento entre as forças de esquerda era sobre a possibilidade de uma vitória eleitoral e sua relação com a estratégia socialista. Os comunistas colocavam a meta socialista como algo a ser alcançado em um horizonte longínquo, enquanto os socialistas defendiam que uma vitória eleitoral poderia ser o início da construção socialista.
Apresentaram um programa que refletia esta tensão. Propunha-se a nacionalização da economia, aprofundar a reforma agrária, retomar o crescimento económico, ampliar a oferta de emprego e provocar uma melhora significativa na qualidade de vida das camadas populares.
Em 1970, em uma eleição disputadíssima, Salvador Allende venceu com 36,5% ao candidato do Partido Conservador, Jorge Alessandri (35%) e Rodomiro Tomic do PDC (27,8%). A diferença foi de 39 mil votos e, por não ter alcançado a maioria absoluta, o candidato socialista deveria ser confirmado pelo Congresso, de maioria conservadora.
A CIA tinha outras alternativas e acalmou os conservadores. Como ficou demonstrado por um bilhete de um agente chamado Helms que descrevia um plano de nome TracII, o departamento de Estado Norte Americano apostava em uma complexa operação de desestabilização.
Em setembro de 1970 o povo trabalhador tomou as ruas e festejou pacificamente sua vitória.
Porque desta vez no se trata
de cambiar un presidente
será el pueblo que construya
un Chile ben diferente”

Desta vez não se tratava de trocar um presidente, seria o povo chileno, organizado e politizado, que estava disposto a construir um Chile bem diferente. Uma cultura popular explodia com uma radicalidade que, como dizia Victor Jara, não era apenas música de protesto, mas música popular que nascia da identidade compartilhada com o povo e suas lutas. E se a esquerda abraçou o povo e seus anseios, o povo abraçou as bandeiras da esquerda e o socialismo tornou-se um fenómeno de massa. O Partido Comunista, por iniciativa e trabalho do próprio Jara, chegou a organizar vários conjuntos musicais, entre eles o Quilapayun e o Inti-Illimani.
O presidente eleito cumpriu o programa pelo qual se elegeu: nacionalizou a mineração (responsável por 80% da receita do país e que antes era monopolizado pela Anaconda, Kennecolt, Serro Co. e outras), estatizou o sistema financeiro e colocou normas de controle sobre os monopólios industriais e as empresas de telecomunicações, entre elas a poderosa ITT. Assumindo o governo, mais do que simplesmente o posto, a Unidade Popular tinha ferramentas para dirigir a economia, ainda que nos marcos do capitalismo.
O resultado já no primeiro ano foi surpreendente. O desemprego caiu pela metade, os salários subiram entre 35% e 60%, o setor industrial cresceu 12% e o PIB 8,3%, a reforma agrária é imediatamente estendida a 30% das terras, e apesar destas heresias, inflação declinou (coisa que certos economistas ilustres de hoje teriam grande dificuldade de explicar, não é?). O povo cantava: “venceremos, venceremos… a miséria sabemos vencer”.
A tensão cresce no campo, o MIR e o MAPU organizam o Movimento Revolucionário Camponês, cada criança tem direito a um litro de leite, os proprietários de terra sabotam a colheita, os operários se organizam em cordões industriais, 300 mil cabeças de gado são contrabandeadas para a Argentina, 96% do crédito bancário está na mão do governo, 10 mil litros de leite jogados no rio e as senhoras da classe média, aquelas que moravam “en las casitas del barrio alto”, fazem passeatas porque as crianças gastaram o leite e o preço dos cosméticos subiu. Os trabalhadores cantam: “não nos moverão, e aquele que não creia que faça a prova, unidos em sindicatos, não nos moverão, construindo o socialismo, não nos moverão”!!
O imperialismo joga. Manobra para baixar o preço do cobre, sabota as minas, o Exibank suspende o crédito internacional, os jornais burgueses, entre eles o maior – El Mercúrio– faz o trabalho de desinformação. A dívida passa de 2,5 mil milhões em 1970 para 4 mil milhões em 1973. As reservas de 350 milhões tornam-se um défice de 400 milhões. Os empresários fecham as fábricas em um lockoutem 1972 e os proprietários de camiões, financiados pela CIA, paralisam os transportes rodoviários. Os trabalhadores nos cordões ocupam as fábricas e se armam. E cantam: “levántatee mira a tus manos, para crescer estreita-las a tus hermanos”.
Allende diz: “comprometi-me a agir dentro das leis e da constituição e ninguém me fará abandonar este caminho”. No parlamento os conservadores, aqueles a quem o povo chamava carinhosamente de “múmias”, exigem a aplicação da lei do desarmamento. E Angel Parra cantava: “me gusta la democracia en neste hermoso país, pois permite a negros e blancos admirar los monumentos… soy democrata, tecnocrata, plutocrata y hipócrita”!
A inflação volta a subir e passa de 22% em 1971 para 163,4% em 1972 e chega a 325% em 1973. Os monetaristas de Chicago podiam festejar sua profecia autorrealizável. John Marc Cone diz: “vamos lançar o Chile num verdadeiro caos económico”. O governo reage aos boicotes e cria as Juntas de Abastecimento e Preços e os Comandos Comunais. O Ministro da Defesa, General Prats, fiel ao governo da Unidade Popular, comunica ao presidente que setores das forças armadas planeiam interromper o processo constitucional e se dispõe a prender os líderes. O comando das forças armadas considera este ato uma ingerência e exige o afastamento de Prats. Assume o ministério o General Augusto Pinochet. O povo canta: “no nos moveran… nin con un golpe de estado, no nos moveran”!
No dia 29 de junho os tanques fazem seu ensaio no Tankazo e cercam o palácio. Dia 11 de setembro eles voltariam acompanhados de aviões que bombardeiam La Moneda, o palácio presidencial. Operários, estudantes e camponeses cantam: “traicionar a la pátria jamás”. A marinha faz manobras conjuntas com as tropas norte-americanas em Valparaiso. Fidel, em sua visita ao Chile, deu de presente a Allende uma metralhadora e oferece os serviços de um de seus principais generais e assessor militar, general Uchoa. Allende está isolado em La Moneda, o povo… desarmado. Os soldados e oficiais fieis ao governo socialista são fuzilados nos quartéis. A constituição está rasgada e o congresso canta: “soy democrata, tecnocrata, plutocrata… hipócrita”.
O presidente Allende falou em sua posse em 1970: “isto que hoje germina é uma larga jornada, eu só peguei em minhas mãos a tocha que acenderam todos aqueles que antes de mim lutaram ao lado e pelo povo, este triunfo devemos oferecer em homenagem aos que caíram nas lutas sociais e regaram com seu sangue a fértil semente da revolução chilena que vamos realizar”. Mas a semente exigia ainda mais sangue.
Em 11 de setembro de 1973 o presidente falará pela última vez ao povo:
“Companheiros trabalhadores, eu não vou renunciar. Colocado nesta transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo e digo que tenho a certeza que a semente que entregamos à consciência digna de milhões de chilenos não poderá ser negada porque não se detêm os processos sociais, nem com o crime, nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos (…) Neste momento decisivo o único que posso dizer a vocês é que aprendam a lição. O capital estrangeiro, o imperialismo, criou o clima para que as forças armadas rompessem sua tradição (…) Trabalhadores de Chile, tenho certeza que mais cedo que tarde se abriram novamente as grandes alamedas por onde passarão os homens livres para construir uma sociedade melhor. Viva Chile, viva o povo, viva os trabalhadores…”
O presidente Allende está morto. Serão mais de 30 mil mortos e milhares de presos e desaparecidos. O Estádio Nacional se transforma em um presídio onde serão confinados milhares de trabalhadores. Entre eles está Victor Jara que canta desafiando seus algozes: “Venceremos, venceremos… socialista será el porvenir…”. É abatido a golpes de fuzil e suas mãos são esmagadas a coronhadas. O povo chora:
Hijo de la rebeldía
Lo siguen veinte más veinte,
Porque regala su vida
Ellos le quieren dar muerte.
Correlé, correlé, correlá,
Por aquí, por allí, por allá,
Correlé, correlé, correlá,
Correlé que te van a matar,
Correlé, correlé, correlá”.

Ernesto Che Guevara dizia que a maior qualidade de um revolucionário é de encontrar as táticas adequadas a cada momentoe explorá-las ao máximo sendo um erro descartar qualquer tática a princípio. Desta forma seria, ainda segundo Che, um “erro imperdoável descartar por princípio a participação em algum processo eleitoral”, mas alerta: “quando se fala em alcançar o poder pela via eleitoral, nossa pergunta é sempre a mesma: se um movimento popular ocupa o governo de um país sustentado por ampla votação popular e resolve em consequência iniciar as grandes transformações sociais que constituem o programa pelo qual se elegeu, não entrará imediatamente em choque com os interesses das classes reacionárias desse país? O exército não tem sido sempre o instrumento de opressão a serviço destas classes? Não será então lógico imaginar que o exercito tomará partido por sua classe e entrará em conflito com o governo eleito? Em consequência, o governo será derrubado por meio de um golpe de estado e aí começa de novo toda a velha história”.
Brasil, ano 2002. O candidato popular vence as eleições por ampla margem de votos. Os mercados se acalmam, o presidente do Banco Central vigia, os salários perderam entre 2003 e 2005 14,56% de seu valor real, os juros vão caindo pouco a pouco, os bancos seguem privados e lucrando como nunca, a reforma agrária patina sem sair do lugar, o judiciário nega a primeira liminar de desapropriação, os ruralistas se armam, o presidente diz que na marra ninguém ganha nada, criticando o MST, os militares ficam fora da reforma da previdência, os aposentados e funcionalismo público não, o equilíbrio monetário está salvo, a fome persiste, os superavits primários são maiores que o combinado com o FMI, as demandas sociais terão que ser tratadas focalizadamente. As 500 maiores empresas aumentam seus lucros: seus ganhos saltaram de 2,9 mil milhões de dólares em 2002 para 43,3 mil milhões em 2006. Entre 2002 e 2009 o fundo público transferiu o equivalente a 45% do PIB para o capital financeiro (dava para manter o Bolsa família por 108 anos). O 1% dos mais ricos tem uma renda maior que os 50% mais pobres. Quase 6 milhões de pessoas saíram da linha da miséria absoluta, quando ganhavam 1 dólar por dia – agora ganham 2 dólares por dia. Entre 1990 e 2012 os 10% mais ricos saltam do controle de 53% da riqueza nacional para 72,4%. As massas vão às ruas em 2013 contra o aumento das passagens, pela saúde e pela educação… a presidente garante à burguesia que manterá a ordem e a responsabilidade fiscal… o PT lança nota dizendo que sua aliança prioritária em 2014 será com o PMDB, o perigo de golpe esta afastado para o momento… “me gusta la democracia em neste hermoso país”.
E Violeta Parra canta:
Miren como sonríen los presidentes
cuando hacen promesas a inocentes,
miren como prometen a los sindicatos
este mundo y el otro los candidatos,
miren como redoblan los juramentos,
pero después del voto doble tormento

Artigo de Mauro Iasi. Versão modificada de texto escrito em 2003, para esta publicação no Blog da Boitempo

Degradação da Floresta Amazônica aumentam 35% em um ano

O número de alertas sobre desmatamento e degradação da Floresta Amazônica aumentou em 35% entre agosto de 2012 e julho de 2013 na comparação com agosto de 2011 a julho de 2012. As imagens de satélites usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), mostraram que, entre agosto de 2012 e julho deste ano, as áreas possivelmente devastadas chegaram a 2.766 quilômetros quadrados ao passo que, entre agosto de 2011 e julho do ano passado, a devastação ocorreu em 2.051 quilômetros quadrados.


A explicação para o aumento se deve aos meses de agosto de 2012 com 522 quilômetros quadrados de área devastada e a maio deste ano, com 465 quilômetros quadrados devastados, em decorrência da degradação, que ocorre quando há remoção parcial da floresta por uso do fogo ou por corte seletivo de árvores. Os dados do Deter incluem o corte raso, que configura o desmatamento ilegal, e ocorre quando há a retirada completa da floresta nativa em uma área.
“Tivemos um alerta de desmatamento causado pela intensificação do fogo em agosto de 2012”, disse o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Volney Zanardi Júnior. Segundo ele, o acréscimo em maio é justificado pelo fato de as nuvens terem se dissipado e, com isso, os satélites do Inpe puderam detectar a degradação dos meses anteriores.
O coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Jair Schmitt, informou que o aumento das áreas degradadas decorre das queimadas originadas por causas naturais e intencionais. “É um típico comportamento de reação à fiscalização. Ante a situação atual de monitoramento por satélite que é praticamente diário que se faz do corte raso e o aumento da fiscalização em campo, o infrator não se arrisca mais a fazer o corte raso imediatamente. Ele primeiro começa fazendo uma degradação pelo fogo. Mas o Ibama consegue interferir nesse processo antes que se converta em desmatamento ilegal”, disse.
A maior parte dos alertas identificados entre agosto do ano passado e julho deste ano representava corte raso (59%). A degradação por uso de fogo respondeu por 33% dos alertas na Amazônia Legal e por exploração florestal foi 3% dos alertas nesse período. Em 5% dos casos, as imagens apontaram um falso positivo, ou seja, algum problema técnico na captação das imagens.
Mato Grosso, Pará, Rondônia e Amazonas são os estados com áreas mais críticas detectadas pelo Deter. Mato Grosso é o campeão em áreas devastadas com 1.184 quilômetros quadrados, um aumento de 25% em relação ao período anterior, em decorrência da pecuária. No Pará, grilagem e pecuária pressionam o desmatamento ao longo do eixo da BR-163 (Cuiabá-Santarém). No Amazonas, a área preocupante, segundo o coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano, é o sul do estado, que explica o aumento de 82% nos alertas de desmatamento e degradação, no eixo da Transamazônica, por pressão da pecuária.
O principal objetivo do Deter, explicou o presidente do Ibama, é identificar as áreas que estão sofrendo degradação florestal para que o governo federal possa ir a campo e evitar que as áreas degradadas sejam convertidas em corte raso e, consequentemente, em desmatamento.
“Temos duas grandes ações no momento: a Onda Verde, com ação preventiva, em que o Ibama está em campo junto com outros órgãos do governo federal para coibir a conversão de áreas degradadas em desmatamento e a Hileia Pátria, que tem como foco terras indígenas e unidades de conservação federal para coibir madeireiras ilegais”, disse Volney Zanardi.
Ainda entre agosto de 2012 e abril deste ano, o Ibama apreendeu 68 mil metros cúbicos de madeira em toras e 17 mil metros cúbicos de madeira serrada, além de 44 armas de fogo, 86 caminhões, 158 tratores e 291 motosserras. Os agentes ambientais emitiram 4 mil autos de infração, com multas que ultrapassaram R$ 1,9 bilhão. No mesmo período, mais de 252 mil hectares foram embargados.

Mapa de alertas de agosto

Mapa de alertas de julho

Mapa de alertas de junho


Reportagem de Ana Cristina Campos, da Agência Brasil

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A depravação política em Caicó

As pequenas e médias cidades aqui do Rio Grande do Norte vivem em meio de um vazio político. As bases postas sobre relações sociais pautadas na troca de favores desmantelam toda a possibilidade de construção política, a dialética não opera, gratifica-se com "boas atitudes" dentre desse ciclo, na verdade representam um entrave para o progresso social.

Aqui em Caicó, por exemplo, o que se espera da "política" são pequenos "lucros" pessoais. Os ocupantes dos cargos públicos se pautam sobre isso afastando da capacidade eletiva qualquer discurso modificador dessa realidade. Um exemplo, em Caicó a justiça ordenou a interdição de bares ambientalmente prejudiciais a mananciais de água do Município, mas como são espaços populares e para o povo deve funcionar todos apoiam a reabertura.

Aliado a isso soma-se a miséria das cores e sabe-se lá como se é leito vereador nessas condições, a discussão parlamentar é aberrante.

Um anacronismo político que imobiliza o progresso sócio-cultural.

Autoridades sírias concordam em entregar armas químicas ao controle internacional

A Síria concordou com a proposta da parte russa de estabelecer o controle internacional sobre as armas químicas estacionadas no território sírio, declarou hoje o chanceler sírio Walid Muallem, no encontro com o presidente da Duma de Estado da Rússia, Serguei Naryshkin, em Moscou.

“Efetuámos ontem uma ronda de negociações muito frutíferas com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, quem avançou uma iniciativa relativa às armas químicas. Já à noite concordámos com a iniciativa russa”, disse Muallem.

Ele frisou que isso foi feito para “fazer a agressão estadunidense perder o equilíbrio”.

Voz da Rússia

Snowden, Manning e Assange são os nossos novos heróis

Os whistleblowers têm um papel crucial na manutenção da “razão pública”. Assange, Manning, Snowden são os nossos novos heróis, casos exemplares da nova ética que convém à nossa era de controlo digital. Artigo de Slavoj Žižek, publicado no Blog da Boitempo.

Todos nos lembramos do rosto sorridente do presidente Obama, cheio de esperança e confiança, na sua primeira campanha: “Yes, we can!” – nós podemos livrar-nos do cinismo da era Bush e trazer justiça e bem-estar para o povo americano. Agora que os EUA continuam as suas operações secretas e expandem a sua rede de inteligência e espionagem até mesmo na direção dos seus aliados, podemos imaginar manifestantes a gritar para Obama: “Como pode usar os drones para matar? Como pode espiar os nossos aliados?” Obama murmura com um sorriso zombeteiro: “Yes, we can.”

Mas a personalização perde o sentido: a ameaça à liberdade revelada pelos whistleblowers tem raízes mais profundas, sistémicas. Edward Snowden deve ser defendido não só por que os seus atos envergonharam os serviços secretos dos EUA; ele revelou algo que não só os EUA, mas também todos os grandes (e não tão grandes) poderes – da China à Rússia, da Alemanha a Israel – estão a fazer (na medida em que são tecnologicamente capazes de fazê-lo) .

Os seus atos forneceram uma base factual para as nossas suspeitas de que estamos a ser monitorados e controlados – a lição é global, muito além do padrão americano. Nós realmente não ficámos a saber de nada através de Snowden (ou Manning) que já não presumíssemos que fosse verdade. Mas uma coisa é suspeitar de maneira geral, outra é obter dados concretos. É um pouco como saber que um parceiro sexual está a traí-lo – pode aceitar-se o conhecimento abstrato, mas a dor surge com os detalhes picantes, as fotos do que eles estavam a fazer etc.

Em 1843, o jovem Karl Marx afirmou que o ancien régime da Alemanha “supõe apenas que acredita em si e pede a todo mundo para compartilhar a sua ilusão”. Em tal situação, colocar a culpa em quem está no poder torna-se uma arma. Ou, como Marx continua: “A pressão deve ainda tornar-se mais premente pelo facto de se despertar a consciência dela e a ignomínia tem ainda de tornar-se mais ignominiosa pelo facto de ser trazida à luz pública”. (Crítica da filosofia do direito de Hegel, p. 148)

Esta, exatamente, é a nossa situação hoje: estamos diante do cinismo descarado dos representantes da ordem global existente, que só imaginam que acreditam em suas ideias de democracia, direitos humanos etc.

No seu texto clássico “O que é esclarecimento?”, Kant contrasta o uso “público” e “privado” da razão – “privado” é , para Kant, a ordem institucional em que vivemos (o nosso estado,  a nossa nação…), enquanto o “público” é a universalidade transnacional do exercício da razão:

“O uso público da razão deve ser sempre livre e só ele pode trazer entendimento entre os homens; o uso privado da razão, por outro lado, pode muitas vezes ser muito limitado, sem particularmente impedir o progresso do entendimento. Por uso público da razão eu refiro-me ao que um académico faz perante o público leitor.”

Segundo Kant, o domínio do Estado é “privado” e contido por interesses particulares, enquanto indivíduos que refletem sobre questões gerais usam a razão de forma “pública”. Esta distinção kantiana é especialmente pertinente com a internet e outros novos media. Na nossa era da computação em nuvem, não precisamos mais de grandes computadores individuais: softwares e informações são fornecidos sob pedido e os utilizadores podem aceder às ferramentas ou aplicativos da web através de browsers.

Este maravilhoso novo mundo, no entanto, é apenas um lado da história. Utilizadores estão a aceder a programas e arquivos de software que são mantidos longe de salas climatizadas com milhares de computadores.

Para gerir uma nuvem é preciso um sistema de monitorização que controla o seu funcionamento, e este sistema é, por definição, escondido dos utilizadores. Quanto menor e mais personalizado o item (smartphone) que eu tenho em mãos, e mais fácil de usar, mais a sua configuração tem de confiar no trabalho que está a ser feito noutro lugar, num vasto circuito de máquinas que coordena a experiência do utilizador. Quanto mais a nossa experiência é espontânea e transparente, mais ela é regulada pela rede invisível controlada por agências estatais e grandes empresas privadas, que seguem as suas agendas secretas.

Uma lei secreta, desconhecida dos indivíduos, legitima o despotismo arbitrário daqueles que a exercem, como indicado no título de um recente relatório sobre a China: “Mesmo o que é segredo é um segredo na China.” Intelectuais incómodos que informam sobre a opressão política, catástrofes ecológicas, a pobreza rural etc ficam anos na prisão por trair um segredo de Estado. Como muitas das leis são confidenciais, torna-se difícil para as pessoas saberem como e quando as estão a violar.

O que torna o controlo das nossas vidas tão perigoso não é o facto de perdemos a nossa privacidade e de todos os nossos segredos íntimos serem expostos ao Big Brother. Não existe agência estatal capaz de exercer tal controlo – não porque eles não saibam o suficiente, mas porque sabem demais. A quantidade de dados é muito grande, e apesar de todos os programas para a detecção de mensagens suspeitas, os computadores são demasiado estúpidos para interpretar e avaliar corretamente, resultando erros ridículos em que pessoas inocentes são listadas como potenciais terroristas – e isso faz com que o controlo estatal das comunicações seja mais perigoso. Sem saber por quê, sem fazer nada ilegal, todos nós podemos ser listados como potenciais terroristas.

Lembre-se da resposta lendária de um editor de um jornal do grupo Hearst à dúvida do dono de por que ele não tirava longas e merecidas férias: “Tenho medo de que se eu sair haverá caos e tudo vai desmoronar – mas eu tenho ainda mais medo de descobrir que, se eu sair, as coisas vão continuar normalmente sem mim, a prova de que eu não sou realmente necessário!” Algo semelhante pode ser dito sobre o controlo estatal das nossas comunicações: devemos temer que não temos segredos, que as agências estatais secretas sabem tudo, mas devemos temer ainda mais que elas não consigam sair-se bem nessa empreitada.

É por isso que os whistleblowers têm um papel crucial na manutenção da “razão pública”. Assange, Manning, Snowden são os nossos novos heróis, casos exemplares da nova ética que convém à nossa era de controlo digital. Eles não são mais apenas os denunciantes das práticas ilegais de empresas privadas e autoridades públicas; eles denunciam essas próprias autoridades públicas quando elas se engajam no “uso privado da razão”.

Precisamos de Manning e Snowden na China, na Rússia, em todos os lugares. Há estados muito mais opressivos do que os EUA – apenas imagine o que teria acontecido a alguém como Manning num tribunal russo ou chinês (provavelmente sem direito a julgamento público). No entanto, não se deve exagerar a suavidade dos EUA: é verdade, os EUA não tratam os prisioneiros com tanta brutalidade como a China ou a Rússia – por causa da sua prioridade tecnológica, os Estados Unidos simplesmente não precisam da abordagem brutal. Nesse sentido, os EUA são ainda mais perigosos do que a China na medida em que as suas medidas de controlo não são percebidas, enquanto a brutalidade chinesa é exibida abertamente.

Portanto, não é suficiente jogar um Estado contra o outro (como Snowden, que usou a Rússia contra os EUA): precisamos de uma nova rede internacional para organizar a proteção dos informadores e a disseminação da sua mensagem. Os informadores são os nossos heróis porque eles provam que, se quem está no poder faz o que faz, nós também podemos fazer.

 * Publicado em inglês no The Guardian em 3 de setembro de 2013,
e em português no DCM