"A liberdade de imprensa é a permissão de qualquer aleijado bater-se com um professor de esgrima." (Luís da Câmara Cascudo)

Da autonomia em política - Cornelius Castoriadis

A filosofia não é filosofia se não expressa um pensamento autônomo. Que significa autônomo? Isto é autônomo, "que se dá a si mesmo sua lei". Em Filosofia, está claro: dar-se a si mesmo sua lei, quer dizer estabelecer as questões e não aceitar autoridade alguma. Pelo menos a autoridade de seu próprio pensamento prévio.

O poder na era das redes sociais

A comunicação de masas é aquela que tem o potencial de chegar ao conjunto da sociedade e é caracterizada por uma mensagem que vai de um a muitos, com interatividade inexistente ou limitada. Autocomunicação de massas é aquela que vai de muitos para muitos, com interatividade, tempos e espaços variáveis, controláveis.

Hayek contra Keynes: o debate do século

As linhas divisórias que hoje cruzam pensamento econômico devem muito a este debate. Por exemplo, a análise do papel do Estado e da política na gestão econômica depende essencialmente desta polêmica.

O Califado contra o resto do mundo

Quem ganha e quem perde com o novo realinhamento geopolítico no Médio Oriente?

Colapso do petróleo e do sistema financeiro ameaça expropriar os fundos de pensão

Desde os resgates bancários de 2008 houve um debate produtivo sobre a necessidade de mudar o sistema e evitar os monstros bancários "grandes demais para falir", que tiveram que ser resgatados pelos governos.

sábado, 9 de maio de 2015

O que vale são as circunstâncias

Durante a votação da MP do ajuste fiscal nesta semana na Câmara Federal o Deputado do PSB, Glauber Braga, diz na tribuna que a oposição se posicionava ali contra uma medida que ela faria se tivesse ganho a eleição. Quanto a isso não há dúvidas, mas na política há o momento e a retórica do momento.

Luiz Rodrigues

Já não é mais espanto ou segredo para ninguém  o desfecho da campanha eleitoral de 2014, o partido com a candidatura vencedora nas urnas anunciou medidas depois do pleito e perdeu depois de eleito. A oposição, conforme o pronunciamento de Glauber, faria o mesmo ajuste ou talvez até mais duro, o faria sob os argumentos, sendo novo governo, de que seria necessário e poria muitas culpas no governo anterior.

Curiosamento o slogan de campanha de Dilma fora "Governo novo, ideias novas", justo, o detalhe é que o governo é novo mas se tiver que culpar alguém ter´que culpar a si mesmo, aí o nó.

A oposição ganhou, assim, a chance de se voltar para o público com o qual o PT mais se identifica até então, as classes populares. Procura mostrar que o ajuste impacta sobremaneira neste público e alia as "novas classes médias" a setores mais definidamente ideologizados com o anti-petismo.

A única solução para o PT é em meio ao desgaste esperar a retomada do crescimento econômico. De toda forma a eleição de 2014 criara uma nova situação política para o país que se desenrolará nos próximos anos.

Os escândalos de corrupção e os protestos todos geraram uma ânsia de reforma política no Congresso, embora sejam sempre limitadas, gera novos discussões que podem vir a favorecer o grau de participação política.

A base da ideologia

Já se viu no mundo figura mais insuportável do que seguidor de alguma doutrina, e fica pior quando o criador morre, já não pode mais fazer um balanço das especulações e aí os que querem interpretar o mundo exclusivamente a partir da doutrina, pelo menos com relação aos outros, a si próprio pode haver desvios já que está no controle da situação. Insuportáveis também são os especializados em derrubar uma doutrina, em essência apenas seguem o contrário da primeira se dizendo realista e isento que qualquer doutrina. A crença no intelectual imbatível não condiz com a realidade do mundo, se apresentar com perfeição retilínea é antagônico à instabilidade do mundo.

Luiz Rodrigues

Mas são, como Keynes alertava, os intelectuais que influenciam até mesmo os "realistas", dos quais Nietzsche zombava. O que faz a diferença são os espíritos abertos e pragmáticos e aqueles que reduz o mundo a uma interpretação escrita. Geralmente se deixa os princípios de lado quando o que prevalece são privilégios particulares. Daí nasce a hipocrisia política.

A crítica da ideologia pode se tornar ideologia advindo a dúvida de se seria o mundo uma ideologia, a parcialidade imparcial. Não um mundo a priori mas um mundo eminentemente existencial, só que com fatores culturais mais longamente imbutidos na consciência do sujeito.

Sendo isso o que forma a ideologia, na tese marxista seria as condições materiais das sociedades, no materialismo histórico a ideologia seria superada superando-se a dominação de classes, se universalizaria a ética humana destituindo a sociedade valores morais advindo da dominação de classes.

A reação ao materialismo se apega aos valores morais religiosos, o homem é um ser eminentemente espiritual, o material é apenas extensão da obra divina. O darwinismo social de Spencer justificaria a competição e o prevalecer dos mais aptos, embora Spencer fosse adepto da obra de Darwin a qual sustenta a teoria da evolução das espécies, outro tabu para a religião.

No fim tudo que sustenta as sociedade humanas são constituídos sobre uma base fragilíssima repleta de furos contraditórios, ali´s procurar dar coerência inexorável ao mundo é um perigo apesar de sempre cobrarem uns dos outros coerências, principalmente na política, o mais instável dos terreno humanos.

Índia continua marcada pelo “apartheid de castas”

A celebração do 122º aniversário de Bhimrao Ramji Ambedkar (1891-1956), arquiteto da Constituição da Índia e defensor dos mais oprimidos, pôs em destaque em abril a patente discriminação que continuam a sofrer as comunidades sem casta ou as castas inferiores, que representam 16% dos 1200 milhões de habitantes deste país. 

Por Neeta Lal, da IPS.

Na Índia, cerca de um milhão de mulheres dalits trabalham como limpadoras manuais de latrinas. Foto: Neeta Lal/IPS

O Direito à Igualdade, consagrado na Constituição de 1950, garante que nenhum cidadão seja discriminado por sua religião, raça, casta, por seu sexo ou lugar de nascimento. A Lei de Castas e Tribos (Prevenção de Atrocidades), de 1989, estabelece penas de prisão, de seis meses até um ano, para quem a infringir.

Apesar da proteção legal, a Índia continua marcada pelo o que ex-primeiro-ministro Manmohan Singh descreveu como “apartheid de castas”, um complexo sistema de estratos sociais profundamente arraigados na cultura indiana. Milhões de dalits, considerados intocáveis no sistema de castas, sofrem de forma permanente a discriminação, constantemente reforçada pelo Estado e por entidades privadas.

Um estudo feito no ano passado pelo Conselho Nacional de Investigação Econômica Aplicada (NCAER) revelou que um em cada quatro entrevistados, de diferentes grupos religiosos, reconheceu ter praticado a intocabilidade. Lamentavelmente, a prática se manifesta de várias maneiras.

Em algumas aldeias os estudantes das castas superiores negam-se a comer alimentos preparados pelos dalits, um grupo que inclui várias comunidades marginalizadas. Um estudo detalhado, feito por Sarva Shiksha Abhiyan, um programa estatal para conseguir a educação primária universal, concluiu que existem três tipos de discriminação, dos professores, dos colegas e de todo o sistema educativo.

O sistema de castas, considerado uma característica dominante da religião hindu e praticamente visto como uma divisão divina do trabalho, dá aos dalits as tarefas mais servis, entre as quais a recolha de lixo, remoção de excrementos humanos, varrer, pavimentar e eliminar corpos humanos e de animais. Dados do censo de 2011 revelam que cerca de 800 mil dalits trabalhavam esvaziando manualmente latrinas, embora se estime que essa tarefa poderia afetar 1,3 milhão de pessoas.

Apesar da promulgação da Lei de (Proibição) do Emprego de Limpadores de Latrina e Construção de Latrinas Secas, de 1993, que pune e impõe multas para quem empregar limpador manual, centenas de milhares de dalits continuam retirando excrementos humanos das latrinas secas, limpando os esgotos, esfregando fossas sépticas e abrindo drenagens, tudo com as próprias mãos. Além disso, várias dependências estatais continuam a empregar dalits para essas tarefas, e a maioria deles é de mulheres.

Beena J Pallical, membro da Campanha Nacional para os Direitos Humanos dos Dalits, que reúne várias organizações de dalits, disse à IPS que mesmo no século XXI a comunidade continua sendo a mais vulnerável, marginalizada e maltratada do país.

Desde o quinto plano quinquenal (1974-1975), destinaram-se fundos a serviços e benefícios para as castas relegadas. Programas como o Subplano Tribal para Tribos Desfavorecidas e o Subplano para Castas Desfavorecidas foram criados para destinar uma parte de fundos do orçamento anual para cada setor da população necessitado. Atualmente, as castas marginalizadas representam 16,2% da população e as tribos desfavorecidas, 8,2%.

O ativista dalit Paul Divakar disse que os orçamentos federal e estadual mostram que a não utilização e o desvio de fundos destinados à melhoria das castas e tribos marginalizadas é uma prática rotineira.

“Claramente mostra que o desenvolvimento económico do setor não é uma prioridade do governo. Os dalits continuam atrasados porque não são implantadas as políticas e por falta de desenvolvimento com fins específicos, o que deveria ser punido pelo artigo 4 da Lei de Castas e Tribos Desfavorecidas, de 1989”, disse Divakar à IPS.

Segundo o Gabinete Nacional de Registo Criminal, um dalit sofre uma ação delitiva de uma pessoa de uma casta superior a cada 16 minutos. Todos os dias, mais de quatro mulheres das castas inferiores sofrem um violação, e 13 dalits são assassinadas ou sequestradas por semana.

As meninas e mulheres dalits continuam sendo exploradas como “escravas do templo”, também chamadas “joginis” ou “devadasis”, uma prática que tem vários séculos, segundo a qual as meninas dalits, inclusive a partir dos cinco anos, nasceram para servir a Deus e são obrigadas a servir uma divindade especifica.

Presas ao templo, são obrigadas a passar a infância trabalhando e quando são adultas são obrigadas a se prostituírem, apesar da prática ser proibida desde 1989. Annamma (nome fictício), uma jogini de 27 anos de um templo do Estado de Tamil Nadu, recordou como os homens (incluídos os sacerdotes) a violaram durante cinco anos antes de conseguir fugir no mês passado. “Era como se não fosse humana. Os homens entravam e saíam do meu quarto à noite com se eu não tivesse direito sobre meu corpo, só eles. Destruiu-me completamente”, relatou à IPS.

Em sânscrito, a palavra dalit significa suprimida, sufocada ou feita em pedaços. Sessenta e sete anos depois da independência da Índia, milhões de pessoas ainda estão física, emocional e economicamente destruídas por um sistema e uma sociedade que se nega a tratá-las como iguais.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

508 mil mortes violentas foram registradas no mundo entre 2007-12

Alerta consta do relatório "Peso da Violência Armada Global 2015", divulgado esta sexta-feira em Genebra; conflitos armados se tornaram mais letais; países mais violentos em 2012 foram Síria, Honduras e Venezuela.
Quase 36 mil das mortes violentas no Brasil foram causadas por armas de fogo. Foto: ONU/Sophia Paris
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
O relatório "Peso da Violência Armada Global 2015" alerta que o número de mortes violentas no mundo atingiu 508 mil no período entre 2007 e 2012.
A ONG "Pesquisa sobre Armas Pequenas", autora do documento e parceira do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, afirmou que houve uma redução em relação as 528 mil mortes violentas registradas entre 2004 e 2009.
Países Violentos
O estudo alerta que os três países mais violentos do mundo em 2012 foram Síria, Honduras e Venezuela. A Líbia ficou um pouco mais atrás.
A violência letal está concentrada num pequeno grupo de nações, 25% dessas mortes ocorreram em 18 países que representam apenas 4% da população mundial.
Os especialistas explicam que a tendência é clara em países que não passam por conflitos. Houve uma pequena queda no índice de mortes violentas de mulheres e meninas nessas regiões, que passou de 17% para 16%.
Mas a situação é oposta nos países em guerra. O número de mortes violentas subiu de 55 mil para 70 mil por ano entre os dois períodos.
Brasil
O relatório afirmou que o Brasil registrou uma média de 50.985 mortes violentas por ano entre 2007 e 2012, o que corresponde a 26,2 mortes para cada 100 mil habitantes.
Citando dados do Ministério da Saúde brasileiro, o documento diz que quase 36 mil dessas mortes foram causadas por armas de fogo. As mulheres representaram 4,2 mil do total.
Além disso, o estudo mostra que apesar dos registros de mortes violentas terem diminuído no Rio de Janeiro e em São Paulo, eles aumentaram em capitais do norte do país e em pequenos municípios, sem alterar o índice nacional.
Impacto Econômico
O relatório informou que além do sofrimento humano, as mortes violentas têm um impacto econômico.
Ele mostra que o custo global com os homicídios em 2010 chegou a US$ 171 bilhões, bem mais do que os US$ 160 bilhões registrados em 2000.
Os especialistas disseram que quanto mais produtiva e segura for a vida da população, mais alto será o custo econômico com os homicídios.
Segundo eles, os países em crescimento e com altas taxas de homicídio são os que mais podem se beneficiar dos esforços de prevenção da violência.

100% energia renovável

Cresce no mundo a consciência de que é preciso construir uma sociedade livre do petróleo, carvão e gás. Para isso, a alternativa é ter energia, totalmente, limpa e com baixa emissão de carbono, construída com o menor impacto ambiental possível. Países, como a Alemanha, a Dinamarca e a China, já estão se movendo nesse sentido, mas o Brasil ainda não tem conseguido acompanhar o ritmo da produção internacional.

Por José Eustáquio Diniz Alves

Os combustíveis fósseis são uma fonte de energia não renovável e, necessariamente, vão se esgotar algum dia. Enquanto não acabam, vão poluindo o ar, as águas e o solo e aumentando os efeitos negativos do aquecimento global. Portanto, quanto mais cedo o mundo eliminar a dependência dos combustíveis fósseis, melhor. Cresce a consciência de que é preciso construir uma sociedade livre do petróleo, carvão e gás. Para
tanto, a alternativa é ter 100% de energia renovável e com baixa emissão de carbono, construída com o menor impacto ambiental possível (embora o caminho não seja tão tranquilo segundo ZEHNER, 2012 e TVERBERG, 2014).

Vantagem nos preços da eólica e solar

O preço da energia eólica e solar tem caído tanto que já atingiu a paridade com outras formas de energia fóssil e brevemente poderá ter vantagem significativa. A perspectiva é de que o preço do petróleo suba nas próximas décadas enquanto acontece o contrário com o preço das renováveis. Com vantagem nos preços, cresce a possibilidade de o mundo ter 100% de energia renovável no futuro.

Países como a Alemanha e a Dinamarca estão se movendo no sentido de obter 100% de energia renovável e, até certo ponto, buscam fazer isso de forma descentralizada e fortalecendo o desenvolvimento local e o empoderamento das pessoas e das comunidades (“power to the people”). Na Alemanha, a implantação de energias renováveis já resultou em mais de 380 mil postos de trabalho e isto tem ocorrido de forma descentralizada. Quanto maior é a cadeia de criação de valor nos municípios, mais receitas fiscais são obtidas e menos custos para os consumidores Dinamarca estimula produção local Outro exemplo de produção de energia controlada pela comunidade vem da Dinamarca. A ilha de Samso iniciou os esforços para se tornar autossuficiente em termos energéticos, em 1997, dependendo apenas  das energias renováveis. Hoje está perto de conseguir e os habitantes não só cobrem as suas próprias necessidades energéticas como vendem energia à rede pública.

Embora tenha havido alguma resistência inicial por parte da população, majoritariamente dedicada à agricultura, hoje os habitantes de Samso são entusiastas da causa das energias renováveis, dispondo a nível doméstico de painéis fotovoltaicos ou pequenos aerogeradores que não só suprem as suas necessidades como ainda lhes dão lucro através da venda do excesso de energia produzido.

Samso dispõe de 11 cataventos que podem fornecer a energia elétrica necessária a toda a ilha, a par de quatro estações de biomassa e 2500m2 de colectores solares que cobrem 70% dos gastos associados ao aquecimento. A estes há ainda que adicionar os aerogeradores situados 3,5 km da costa. A ilha de Samso continua ligada à rede elétrica da Dinamarca, mas a energia que chega à ilha é muito menor do que a energia que sai, sendo que o valor da exportação de energia superou o das batatas.

Cabo Verde conta com apoio europeu

Mesmo países pequenos podem atingir 100% de renováveis, desde que haja vontade política e apoio internacional. A pequena Cabo Verde tem buscado apoio europeu para atingir os 100% de utilização de energias renováveis. Para tanto conta com o apoio da União Europeia via Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental – CEDEAO – que considera a energia eólica e solar uma grande prioridade. A Índia tem avançado com projetos de minirredes de energia solar fotovoltaica, buscando incluir 300 milhões de pessoas que não têm acesso à eletricidade.

Para o caso latino-americano, a Costa Rica é um exemplo de país que sempre teve uma tradição democrática e que tem uma política de desenvolvimento sustentá- vel avançada, pois dissolveu o exército e não possui Forças Armadas (apenas uma guarda nacional de segurança) e já planejou ser o primeiro país das Américas “Carbono-neutro” até 2030.

A produção em pequena escala e descentralizada deve ser combinada com a construção de redes inteligentes de energia (smart grids). Nestas redes, o fl uxo de energia ocorre nos dois sentidos e o superavit de uma casa, por exemplo, pode ser vendido para outras casas ou estabelecimentos, possibilitando o desenvolvimento do fenômeno do “prosumidor”, aquele que é produtor e consumidor ao mesmo tempo.

Google e Apple também buscam energias limpas

Descarbornizar a economia e produzir energia limpa e renovável é uma necessidade que não pode ser procrastinada, pois a emissão de CO2 é o principal componente da pegada ecológica. Mas não são apenas os governos que buscam investir em energias limpas. Companhias como Google e Apple fazem planos para se tornarem totalmente “verdes” e utilizarem 100% de energia renovável no mais breve espaço de tempo. Estas empresas buscam não só a independência energética e lucros crescentes, mas também cuidam de transmitir uma imagem moderna e amiga do meio ambiente. 

Brasil ainda não acompanha ritmo internacional

Já o Brasil está muito atrasado na produção da energia do futuro. A despeito de projetos como o de energia eólica na Chapada do Araripe, no Piauí, o país não tem conseguido acompanhar o ritmo da produção internacional de energias alternativas. Em vez de investir no pré-sal, no gás de xisto, nos caças supersônicos e em aposentadorias milionárias para uma minoria de privilegiados, o Brasil poderia incentivar o investimento na produção de energia limpa e utilizar o enorme potencial que o país possui em termos de vento e sol para descarbonizar nossa economia e avançar na democratização e na descentralização da utilização das forças energéticas que a natureza nos deu de forma abundante. Com o esforço correto, o Brasil tem tudo para avançar rumo à meta 100% energia renovável.

Evidentemente, a produção de qualquer tipo de energia é cara e tem efeitos nocivos para o meio ambiente. Portanto, investir em energia eólica e solar não é uma panaceia para manter o modelo de produção e consumo que degrada a natureza e aumenta a pegada ecológica. O mundo precisa se livrar dos combustíveis fósseis, mas também precisa caminhar rumo ao decrescimento demoeconômico com redução da pegada antrópica. Como afi rmou Herman Daly, “Precisamos decrescer até chegar a uma escala sustentável que, então, procuramos manter num estado estacionário. O decrescimento, assim como o crescimento, não pode ser um processo permanente” (Daily, 2011). A energia renovável pode ajudar, sem dúvida, mas será preciso renovar todo o estilo de desenvolvimento.


JOSÉ EUSTÁQUIO DINIZ ALVES é colunista do Portal EcoDebate, doutor em demografi a e professor titular do mestrado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas - ENCE/IBGE; e apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

quinta-feira, 7 de maio de 2015

As causas ignoradas e/ou silenciadas da Grande Recessão

Artigo publicado por Vicenç Navarro na coluna "domínio público" no Jornal Público da Espanha, 07 de maio de 2015.
Este artigo descreve as causas da Grande Recessão, ignoradas ou silenciadas nos principais meios de comunicação, onde foi analisado o impacto negativo que o crescimento da desigualdade de renda (com um enorme aumento nas rendas do capital em detrimento das rendas do trabalho) tem tido sobre o panorama econômico e social das sociedades de ambos os lados do Atlântico Norte.
Nos últimos anos tem-se publicado uma série de relatórios consistentes em mostrar que algo preocupante e alarmante vem acontecendo na distribuição de renda na maioria dos países em ambos os lados do Atlântico Norte (ver Determinants of functional income distribution – Theory and empirical evidence, International Labour Organization, 2013; Global Wage Report 2012/13. Wages and equitable growth, International Labor Organization; Effects of Globalization on Labor’s Share in National Income, Anastasia Guscina, Inernational Monetary Fund, 2006). Estes e outros estudos concordam que:
1. Os rendimentos do trabalho diminuíram (em percentagem de toda a renda) desde o final dos anos setenta e início dos anos oitenta. Embora esse declínio tenha ocorrido na maioria dos países em ambos os lados do Atlântico Norte (América do Norte e União Europeia), foi mais acentuada nos países europeus do que nos países da América do Norte (EUA e Canadá). Na Alemanha e na França, foi bastante pronunciada (queda de 9 pontos), enquanto em Espanha foi ainda maior (10 pontos).
2. Esta diminuição no rendimento do trabalho tem sido acompanhada por um aumento na renda do capital (como uma porcentagem de toda a renda).
3. As renda que cresceu em maior medida seu rendimento dentro das rendas derivadas do capital foram aquelas rendas de propriedade do capital financeiro.
4. Dos rendimentos do capital não financeiro, uma percentagem muito elevada deles, 35%, foi sob a forma de pagamentos de dividendos aos acionistas) à custa de  sub-financiamento da compensação dos salários.
5. A ênfase no pagamento de dividendos determinou uma mudança de atitude no mundo dos negócios, focada em obter o máximo benefício o mais rapidamente possível (short-term benefits). Gestores de grandes empresas têm enfatizado a curto prazo, em vez de a longo prazo, em seu comportamento de gestão. Como resultado, os proprietários e gestores de grandes capitais não financeiro aumentaram a sua dimensão financeira, comprando ativos financeiros, diluindo a linha de expansão entre capital financeiro e capital produtivo. A grande maioria das empresas de automóveis, por exemplo, financiam suas próprias vendas, tornando-se também empresas financeiras, que se expandem à custa de investir em produtos financeiros.
6. O fato de que os rendimentos do trabalho diminuíram como porcentagem de todas as rendas significa que os rendimentos do capital tem crescido mais rapidamente do que a renda do trabalho como resultado de que o aumento da riqueza e renda total tem sido distribuído de forma muito desigual, favorecendo sistematicamente durante o período de 1980-2014, os ganhos do capital sobre o do trabalho. Ou seja, o mundo do capital conseguiu mais e mais renda à custa do mundo do trabalho.
O contexto político de mudanças econômicas
Os relatórios não analisam o contexto político dessas mudanças. Mas qualquer observador da vida política do mundo capitalista pode ver que as causas mais importantes do que estava acontecendo (ver meus livros Neoliberalismo e o Estado de Bem Estar. Ariel Economic, de 1997;. E Globalização Econômica, poder político e  Estado de bem-estar, Ariel Econômica, 2000) eram as intervenções públicas dos Estados, das administrações do presidente Reagan nos Estados Unidos e de Mrs. Thatcher  na Grã-Bretanha, espalhados por muitos países em ambos os lados do Atlântico Norte, ou seja, EUA e Europa Ocidental. Estas intervenções, conhecidas como neoliberais, foram a resposta do mundo do capital para as conquistas laborais e sociais que o mundo do trabalho foi alcançado durante a idade de ouro do capitalismo (1945-1980). Elas consistiam no que eles chamam de "mercados de trabalho flexíveis", que é o termo usado para definir a possibilidade de despedir trabalhadores e enfraquecer os sindicatos, um aumento de precariedade e uma diminuição dos salários,  destruindo postos de trabalho, gerando desemprego (uma das medidas mais eficazes para disciplinar o mundo do trabalho). Além disso, como parte de seu objetivo de enfraquecer o último, estas políticas públicas recortavam direitos sociais e direitos trabalhistas. O neoliberalismo não é, então, nada menos, que as práticas em defesa do mundo do capital em detrimento do mundo do trabalho. E o aumento na renda de investimento em detrimento da renda do trabalho é um indicador disso.
A crise econômica resultado da dominação mundial do capital sobre o mundo do trabalho
Esta redução na renda do trabalho resultou em uma queda da procura interna, uma vez que a maior parte desta é gerada pelo consumo popular, que depende de salários e do tamanho da população ativa. Quando estes vão para baixo, a demanda doméstica sofre.
No entanto, ocorreram dois eventos que permitiram que o declínio na renda do trabalho não causaria uma queda ainda maior na demanda interna realizada. O crescimento econômico foi inferior no período neoliberal (1980-2014) do que no período anterior (1945-1980) nos países capitalistas mais desenvolvidos, mas teria sido ainda menor se não tivesse acontecido a reunificação da Alemanha, por um lado, e o crescimento explosivo do capital financeiro, por outro. O primeiro envolveu um grande investimento público nesse país, o que, por causa da centralidade da economia alemã na Europa, estimulou a economia europeia toda (ver meu artigo "Capital-Trabalho: a origem da crise atual", Le Monde Diplomatique, Julho de 2013).O segundo, o grande crescimento do setor financeiro foi um resultado direto da necessidade de famílias ( e das pequemas e medianas empresas) de se endividarem, como resultado do declínio da renda do trabalho. Daí o item 3 acima enunciado, ou seja, que a renda do capital financeiro tem crescido muito rapidamente durante o período neoliberal. Além disso, a rentabilidade relativamente baixa da economia produtiva, ou seja, a economia que produz bens e serviços (precisamente por causa da diminuição da procura), explica que a renda do mundo do capital, tais como administração de empresas sem fins lucrativos têm ido e investimentos mais especulativos do capital financeiro, o que explica os pontos 4 e 5. Isto é, a atividade especulativa foi amentando muito mais rápido do que a produção. E é aí que reside a origem da Grande Recessão, a exploração das bolhas especulativas (as bolhas que sejam), quebraram o sistema financeiro altamente especulativo, gerando a crise mais aguda que conhecemos desde a Primeira Grande Depressão no início do século XX. O colapso do sistema financeiro permitiu ver o enorme problema econômico que estava sendo escondido pelo crescimento econômico gerado por bolhas, e que foi a grande lacuna na demanda (com a agravante de que agora este problema é a falta de demanda  tem se somado uma dívida enorme, tanto privada como pública).
Soluções necessárias e urgentes são fáceis de ver
As soluções são realmente muito fácil de se ver. As evidências acumuladas historicamente tanto na forma como se saiu da Grande Depressão nos anos trinta e quarenta, e, como na forma como a Europa se recuperou após a Segunda Guerra Mundial mostra que se teria que fazer uma volta de quase 180° nas políticas públicas que se seguiram, com um grande aumento na renda do trabalho em detrimento dos rendimentos do capital, e especialmente de rendimentos do capital financeiro, que são hipertrofiados. A Espanha é um exemplo claro disso: o setor financeiro é três vezes maior, em termos proporcionais, ao existente nos EUA, absorvendo um número excessivo de recursos. De facto, a banca deveria ser considerada um serviço público - que poderia ou não pode ser um banco público - da mesma forma como táxis, que são privados, fazem um serviço público, como condição de sua existência, deve ser o de fornecer crédito. 
O Estado, tanto a nível central e regional e local, deve comprometer-se a alcançar o pleno emprego, com os salários médios  mais altos - e melhores condições de trabalho (incluindo o declínio do tempo de trabalho), aumentando o poder do mundo do trabalho, tanto no local de trabalho (incluindo os sistemas de co-gestão e/ou cooperação) e na negociação coletiva. 

*Adaptado

Crise de liquidez é a nova ameaça para a economia mundial

O preço dos títulos da dívida soberana começou a entrar em colapso causando um forte aumento das taxas de rendibilidade revertendo a tendência de queda no prêmio de risco e fazendo países como a Espanha, Itália ou os Estados Unidos pagar mais pela dívida.

Artigo de Marco Antonio Moreno - El Blog Salmón

O ex-Trade Balance US Petroleum

Enquanto a crise grega continua por resolver e se intensifica a pressão é pela dívida, a liquidez do sistema financeiro dilui criando novos temores nos mercados. Pode ser um paradoxo que a crise financeira iminente seja desencadeada por uma crise de liquidez num momento em que os bancos centrais de todo o mundo têm derramado injeções pesadas de liquidez para combater, entre outras coisas, com a deflação. O volume dessas injeções atingiu a marca de 20 trilhões de dólares (U$D 20000000000000), mais de 25 por cento de todo o PIB global. Mas a evolução dos mercados financeiros e sua magreza de créditos, juntamente com o baixo nível de crescimento, é o prenúncio de uma falta de liquidez anunciando tempos sombrios à frente. 

A criação de liquidez está associada com o risco e à medida que aumenta o risco de não pagamento seca o financiamento. Este é um círculo vicioso que se retroalimenta para baixo o em potencial o ciclo recessivo. À medida que declina a economia, o comércio, a demanda e os investimentos, os fluxos financeiros se tornam mais estreitas desestabilizando e asfixiando a economia real. Prova dessa deterioração é o declínio do comércio mundial. China, Europa e Estados Unidos enfraqueceram seu comércio e disso dá conta o índice Baltic Dry que se encontra em mínimos históricos.

Mínimos em 40 anos
O índice Baltic Dry  se encontra em mínimos de 40 anos e o elevado déficit comercial dos Estados Unidos (o maior em sete anos, ver gráfico) dá conta que o sistema está oscilando em uma corda bamba a ponto de romper-se. A fragilidade do sistema tornou-se evidente e o estoque cai na terça-feira (com o Dax alemão deslizando -2,51%, o espanhol IBEX -2,74%, o inglês FTSE -2,76 e o Francês Cac -2,22%) é um prelúdio do que está por vir. Não é hora de comprar, porque a demanda e o investimento estão em níveis de asfixia. Políticas de dinheiro barato dos principais bancos centrais (Fed, BCE e Banco do Japão) têm cimentado a base da destruição maciça da economia e a próxima recessão vai significar novas perdas maciças  para os contribuintes.
Índice Baltic Dry 20150506
O mundo está a caminhar para uma trágica deriva de maior desigualdade pelos erros de projeto do sistema financeiro que permitiu o nível mais volumoso de abusos maciços. O colapso do sistema financeiro em 2008, apenas foi adiado pelas políticas de Ben Bernanke e a impressão de dinheiro barato e estímulos quantitativos. O que não aconteceu em 2008 está vindo em 2015. O colapso do sistema financeiro ponzi (ou pirâmide invertida de dinheiro) está em pleno andamento. O Baltic Dry Index atingiu 580 pontos em seu nível mais baixo em cinco anos. Lembre-se que em 2008 ultrapassou 11 mil.
Isto confirma que a aparente calma nos mercados financeiros e o inchaço de novas bolhas tem mascarado a crise real. O preço dos títulos da dívida soberana começou a entrar em colapso causando um forte aumento das taxas de rendibilidade revertendo a tendência de queda no prêmio de risco e fazendo países como a Espanha, Itália ou os Estados Unidos pagar mais pela dívida. São os sinais de falta de liquidez sentida pelo sistema ante os enormes desequilíbrios que se acumularam entre a esfera financeira e a esfera real, que correm caminhos separados confirmando que a teoria da neutralidade da moeda é dada apenas em circunstâncias muito especiais. Quando a economia é feita altamente dependente da dívida, o dinheiro não pode ser neutro. E isso confirma a guerra de divisas desencadeada em escala global .
A debilidade dos dados de comércio dos Estados Unidos, entregues na terça-feira (gráfico que encabeça este post), é uma dessas bordas. O déficit na balança comercial dos Estados Unidos foi significativamente maior do que todas as expectativas: 51.4 bilhões de dólares. Uma cifra desta magnitude não era conhecida desde o final de 2008. Despeja-se ali a falsa fortaleza do dólar forte para os mercados financeiros deixando sobre suspeita o euro e o iene. Mesmo Bill Gates e Warren Buffet chamaram para criar uma cesta de moedas, no qual incluiu o yuan chinês, para acabar com a incerteza do dólar como moeda mundial. O dólar terminou por ser o principal inimigo para a economia americana. E o dólar fraco também é uma grande ameaça para os produtores europeus.

A pirâmide populacional brasileira por ‘classe’ social

Artigo de José Eustáquio Diniz Alves

estrutura etária

Todo país que passa pela transição demográfica experimenta uma mudança da estrutura etária. Num primeiro momento a redução das taxas de mortalidade infantil aumenta a base da pirâmide de idade e sexo (homens no lado esquerdo e mulheres no lado direito). Nos momentos seguintes, a queda da taxa de fecundidade reduz a base da pirâmide e aumenta a parte central, onde estão as pessoas em idade de trabalhar. No longo prazo, a conjugação da queda da fecundidade com o aumento da esperança de vida faz crescer a população idosa, localizada no topo da pirâmide.
O Brasil vem passando por uma transição da estrutura etária. Mas esta transição não ocorre de maneira uniforme entre as “classes” sociais. Considerando os diferentes níveis de renda, as mudanças na pirâmide populacional ocorrem de maneira diacrônica.
Como a transição da fecundidade foi liderada pelas camadas de mais alta renda e maiores níveis educacionais, a pirâmide da “classe” de maior posição de renda começou a mudar há mais de 50 anos. As classes médias seguiram o mesmo caminho com um certo lapso de tempo.
As “classes sociais” mais pobres, abarcando a população coberta pelo Programa Bolsa Família, iniciaram o processo de declínio da fecundidade com um certo atraso e só apresentaram uma redução da natalidade na primeira década do século XXI. Ou seja, na última década, diminuiu o número absoluto de nascimentos de crianças morando em domicílios com renda per capita menor de R$ 70,00 (valor de 2010).
A redução da base da pirâmide é um fato positivo, pois com a mesma quantidade de recursos, o Estado brasileiro pode melhorar as condições de saúde e educação das crianças brasileiras. O Brasil tem vivido uma janela de oportunidade demográfica que começou favorecendo as camadas sociais de maior renda e educação. Agora a janela está aberta também para a população mais pobre.
O Brasil não poderia desperdiçar esta situação favorável, pois no futuro vai haver um processo de envelhecimento da população e a razão de dependência demográfica vai voltar a crescer. A crise econômica atual ameaça o bônus demográfico. Assim, o momento para erradicar a pobreza e avançar com os direitos de cidadania é agora. As vindouras gerações ficarão agradecidas se a população brasileira atual souber melhorar as condições atuais e garantir uma vida cada melhor no futuro.


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Publicado no Portal EcoDebate, 06/05/2015

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Para Primeiro-ministro...

Não há dúvidas de que Eduardo Cunha tem a certeza ou pelo mesmo a visão de deter algum controle sobre a atual situação, como afirmei aqui Cunha é um homem da crise atual,  PMDB pondo manguinhas de fora, governo debilitado, aglutinamento do centrão e do baixo clero. 

Monitorando o desenrolar dos fatos se puder ir até o final, com um impeachment de Dilma, fatalmente tornaria o Brasil parlamentarista, e se colocaria como Primeiro-ministro, é o que convém a Eduardo Cunha, com isso ele poderia passar mais tempo  no cargo.

O desemboque da atual crise política vivida pelo governo petista tem como escoadouro o presidente da Câmara dos deputados Eduardo Cunha, ele quem define as circunstâncias, ele quem tem a capacidade de impor condições, ele quem se dá bem com a fragilidade do PT.

Sempre que um governo ou um regime sofre um abalo emerge um sujeito catalisador, aquele que reorganiza o poder vigente e ocorrerá possivelmente a fusão entre PSB e PPS, formando a quarta maior bancada no Câmara, fazendo oposição o PT. A crise do PT é a reorganização de forças de oposição, da presidência da Câmara vai organizando uma nova confluência de forças, a sua, é claro.

Cunha é um homem de parlamento, para ele seria confortável governar como primeiro-ministro, embora tenha mencionado o argumento no Roda Viva há algum tempo de que o parlamentarismo é bom para solucionar crises, no caso brasileiro seria fácil criar mecanismos de desafogo, ou seja, sair, deixar e esfriar e poder retornar.

O parlamentarismo, da mesma forma que o presidencialismo de hoje, necessita de partidos de verdade, sigla inventada mantém o regime podre qualquer que seja a forma de governo. Fica a impressão que o parlamentarismo criaria um movimento pelo presidencialismo...

Deslocados internos devido a conflitos chegam a 38 milhões no mundo

Pesquisa foi feita em 60 países e dados mostram situação registrada no ano passado; relatório foi preparado pelo Conselho Norueguês de Refugiados, parceiro da ONU.
Deslocada na República Centro-Africana. Foto: Acnur/A.Greco
Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.
Um relatório preparado pelo Conselho Norueguês de Refugiados, NRC, parceiro da ONU, afirmou que os conflitos armados e a violência deixaram 38 milhões de deslocados internos em todo o mundo no ano passado.
Especialistas em assuntos humanitários disseram que o documento serve de alerta para governos e para a comunidade internacional.
Problemas Fundamentais
O chefe do NRC, Jan Egeland, disse que 30 mil pessoas tiveram de fugir de suas casas todos os dias em 2014, um nível nunca visto nos 10 anos em que o relatório vem sendo preparado.
Segundo Egeland, o documento "é um sinal de que o mundo tem problemas fundamentais na proteção dos vulneráveis de homens armados violentos".
Ele citou que o problema é particularmente ruim no Oriente Médio e na África.
O alto comissário assistente para proteção de refugiados, Volker Türk, disse que "cada vez mais pessoas são forçadas a fugir dentro de seu próprio país, em alguns casos, múltiplas vezes".
Türk deu como exemplo a região do Mediterrâneo, dizendo que "o desespero leva pessoas a assumirem o risco de viagens de barco perigosas".
Para ele, "a solução óbvia é um esforço geral para levar a paz aos países arrasados por guerras".
Iraque e Síria
O relatório mostra que o Iraque teve 2,2 milhões de deslocados internos no ano passado, todos forçados a fugir de suas casas pelos extremistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.
Na Síria, foram mais 1,1 milhão de deslocados em 2014, totalizando 7,6 milhões desde o início do conflito no país há quatro anos.
O Sudão do Sul teve 1,3 milhão de deslocados internos e dois outros países africanos, Congo e Nigéria, adicionaram mais dois milhões a esse total.
Na Europa, a Ucrânia entrou na lista pela primeira vez. O país registrou 650 mil deslocados internos no ano passado sendo que o número atual já passou de 1,2 milhão.
Na América do Sul, o relatório cita que a razão para o deslocamento interno é a violência gerada por gangues criminosas. Mais de 500 mil pessoas foram obrigadas a fugir de suas casas em El Salvador, na Guatemala e em Honduras.

Terceirização e Racismo

Por Valdete Souto Severo


Existem muitos aspectos da terceirização que podem e devem ser enfrentados. Suas consequências sociais, seus problemas reais, são facilmente verificados: acidentes, doença, invisibilidade, redução da qualidade do trabalho e de sua remuneração, fragmentação da classe trabalhadora com prejuízo concreto à organização sindical. A lista é longa.

A tarefa, portanto, num encontro em que o tema será abordado por tantos e tão autorizados intérpretes e estudiosos do direito do trabalho, é apontar um aspecto específico, no qual seja possível por luz. Esse aspecto é o da relação direta entre terceirização e racismo. Muitos estudos apontam que a terceirização, além de tudo o mais que provoca em termos de retrocesso social, tem estimulado o estigma da diferença, aumentando a segregação e sublinhando as diferenças entre mulheres e homens, brancos e negros.

Segundo a pesquisadora Patricia Galvão, da UNICAMP, terceirização tem raça e gênero: os serviços de limpeza e manutenção, por exemplo, mantém a maioria absoluta de mulheres negras como empregadas. Trata-se da reprodução de uma cultura que admitiu (e em certa medida ainda admite) a escravidão e que é pautada pela ideia de que as mulheres são mais aptas às  tarefas domésticas. Dados revelados por uma pesquisa do Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Rio de Janeiro apontam que 92% dos trabalhadores nos serviços de limpeza terceirizados são mulheres, enquanto 62% são negros. Dados do Instituto de Pesquisa Econômicas Aplicadas apontam que em 2009 existiam 7,2 milhões de brasileiros trabalhando na limpeza, cozinha e manutenção de casas e escritórios, dos quais 93% do total (cerca de 6 milhões) eram mulheres e 61,6% do total (4 milhões) eram negros e negras. A taxa  de desemprego em 2009  era de  12% entre mulheres negras,  comparada  a  9%  para  mulheres  brancas,  7%  para  os  homens negros e 5% para homens brancos. De acordo com o mesmo instituto, IPEA,  em 2011 a taxa de  escolarização  de  mulheres brancas  era de  23,8%,  enquanto  entre  mulheres  negras  era  de  apenas  9%. Nesse mesmo ano, a renda média das mulheres negras era equivalente a 30,5% da renda percebida pelos  homens  brancos. Por fim, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) de 2013, aponta que 70,6% das mulheres negras que trabalham nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal estão nos setores de serviços, na sua enorme maioria já como terceirizadas. Nos serviços de telemarketing a escolha de mulheres, negros e negras, para o trabalho, é por vezes justificada pela invisibilidade que esse trabalho promove. Longe dos olhos do consumidor, o atendente não precisa preencher o requisito perverso e racista da "boa aparência". A aprovação do PL 4330 não altera essa realidade, antes a sublinha e, por isso mesmo, atinge diretamente e com especial crueldade negros e mulheres. É importante perceber: as principais atividades que sofrem há décadas com a terceirização são aquelas consideradas, a partir dos termos ilegais e precarizantes da súmula 331, como atividades-meio. Por isso, a discussão em torno dos limites possíveis à terceirização revela-se um engodo. Por isso, nossa luta deve ir além do PL 4330, firmando-se como contrária a qualquer forma de regulamentação ou permissão da terceirização na relação de trabalho.

Embora o projeto seja nocivo e por isso mereça incansável combate, o mal que a terceirização causa o antecede e supera. Estamos já há algum tempo convivendo pacificamente numa sociedade em que parte expressiva da população é tratada como trabalhador de segunda classe. Ontem, em um ato público contra a terceirização em São Paulo, um sindicalista propôs que definíssemos, de uma vez por todas, o empregado como aquele que exerce atividades permanentemente necessárias ao desenvolvimento da empresa. É esse o conceito de subordinação com que a doutrina contemporânea já trabalha. É esse o conceito da CLT. Precisamos apenas torná-lo efetivo, reconhecendo sua completa incompatibilidade com qualquer forma de atravessamento de terceiros na relação entre capital e trabalho. Na realidade da vida, isso significa reconhecer e combater a invisibilidade, a segregação e o racismo!
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(*)Por Valdete Souto Severo - (*) Juíza do Trabalho na 4ª Região (RS)

Arábia Saudita bombardeia o Iêmen, depois doa ajuda milionária

Os sauditas são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis. Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iêmen”. 

Por Thalif Deen.

Casas destruídas em Sana após bombardeamentos da coligação árabe, liderada pela Arábia Saudita

A mão direita da Arábia Saudita não sabe o que faz o seu pé esquerdo, afirma um diplomata asiático para descrever a paradoxal política militar em curso no Iêmen.

Os sauditas, que lideram uma coligação de países árabes em apoio ao presidente iemenita, Abdu Rabbu Mansur Hadi, cujo governo foi derrubado por forças rebeldes xiitas hities em janeiro, são acusados de bombardeamentos indiscriminados que causaram a morte de 1.080 pessoas, na sua maioria civis, e deixaram 4.352 feridos, o que criou uma crise humanitária em grande escala no Iêmen.

Como se quisesse compensar os seus pecados, a Arábia Saudita anunciou no mês passado a doação de 274 milhões de dólares “para as operações humanitárias no Iêmen”, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

No dia 22 de abril a Arábia Saudita suspendeu temporariamente os ataques aéreos, que duraram quase um mês, presumivelmente pela pressão dos Estados Unidos, cujo governo se preocupa com a mortandade civil. O jornal “The New York Times” perguntou a um funcionário norte-americano não identificado por que Washington interveio para que Riad cessasse os bombardeamentos. “Muito dano colateral”, respondeu, referindo-se às mortes de civis.

Os ataques da chamada Operação Tempestade Decisiva no Iêmen demoliram fabricas e bairros residenciais, e também afetaram um centro de armazenamento pertencente à organização humanitária Oxfam, com sede em Londres, que informou que ali eram guardadas provisões humanitárias sem valor militar. A Oxfam recebeu com satisfação o anúncio sobre a suspensão dos bombardeamentos no Iêmen, mas alertou que o trabalho para levar ajuda a milhões de iemenitas apenas começou.

Grace Ommer, diretora da organização no Iêmen, afirmou à IPS que os bombardeamentos aéreos e a violência dos últimos 28 dias antes da trégua teriam matado 900 pessoas, das quais metade eram civis. “A notícia de que os ataques aéreos terminaram, pelo menos temporariamente, é bem-vinda e esperamos que isto prepare o caminho para que todas as partes no conflito atual encontrem uma paz negociada permanente”, afirmou.

Segundo Ommer, “a notícia também dá enorme alivio aos 160 trabalhadores iemenitas que temos no país, bem como ao resto da população civil, que luta para sobreviver a esta última crise no seu frágil país”. Como a instabilidade, a insegurança e os combates continuam, as partes em conflito devem permitir que as organizações de ajuda entreguem a assistência humanitária aos milhões de pessoas que dela precisam, acrescentou.

A Oxfam também informou que o Iêmen é o país mais pobre do Médio Oriente, onde 16 milhões dos seus 26 milhões de habitantes dependem da ajuda para sobreviver. A recente escalada da violência só agravou a catástrofe humanitária existente, ressaltou a organização.

Sara Hashash, da Amnistia Internacional disse que mais de 120 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas desde que começou a campanha militar saudita em março, o que provocou “uma crescente crise humanitária”.

O porta-voz da ONU, Stephane Djurric, disse à imprensa que a doação saudita será destinada às necessidades de 7,5 milhões de iemenitas nos próximos três meses. Os fundos proporcionarão “assistência alimentar a 2,6 milhões de pessoas, água potável e saneamento a cinco milhões de pessoas, serviços de proteção a 1,4 milhões e apoio nutricional para cerca de 79 mil pessoas”, acrescentou.

No mês passado os bombardeamentos destruíram uma fábrica de produtos lácteos matando 31 trabalhadores, e um bairro inteiro, com saldo de 25 mortos. “Os ataques aéreos reiterados contra uma fábrica de produtos lácteos situada perto de bases militares mostram um cruel desprezo pelos civis por ambas as partes do conflito armado no Iêmen”, disse Joe Stork, subdiretor para o Oriente Médio e norte da África da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

“O ataque pode ter violado as leis da guerra, por isso os países envolvidos devem investigar e tomar as medidas apropriadas, incluindo a indemnização das vítimas dos ataques ilegais”, afirmou Stork. A morte de civis não implica necessariamente que se tenha violado as leis da guerra, mas a elevada perda de vidas numa fábrica aparentemente utilizada com fins civis deve ser investigada de maneira imparcial, recomendou a HRW em comunicado.

“Se os Estados Unidos proporcionaram informação ou outro apoio direto aos bombardeamentos, compartilharia, como parte no conflito, da obrigação de minimizar os danos a civis e investigar supostas violações das leis”, acrescentou a HRW. Segundo a organização, a coligação liderada pela Arábia Saudita e responsável pelos ataques aéreos é integrada por Bahrein, Egito, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Qatar e Sudão.

Para Stork, “se os Estados Unidos estão a fornecer informação (para realizar os bombardeamentos) é uma parte no conflito e está obrigado a acatar as leis da guerra. Embora não seja assim, no seu apoio à coligação Washington irá querer garantir que a totalidade dos bombardeamentos e demais operações sejam feitas de modo a evitar perda de vidas e propriedades civis, que já atingiram níveis alarmantes”.

Quanto às denúncias de mortes civis, Dujarric disse que “à primeira vista, esse tipo de denúncia é extremamente preocupante quando se vê a probabilidade de um nível elevado de vítimas civis. Mas, creio que toda a violência que temos visto serve como lembrança para que as partes atendam ao apelo” feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, no dia 17 de abril, para que “cessem as hostilidades e se pronuncie o cessar-fogo”.

Artigo de Thalif Deen, publicado por Envolverde/IPS

Os ciclos de negócios, raízes unitárias e espíritos animais

por Michael Roberts

A Era de Ouro do capitalismo, quando as principais economias cresceram a mais de 4% do PIB real em um ano e não havia inflação relativamente moderada e sem variações significativas no emprego, ou seja, as quedas, durou apenas um curto período de tempo - do final dos anos 1950 ao início dos anos 1970.

Depois disso, as principais economias capitalistas experimentaram uma série de quedas regulares e recorrentes a partir da primeira recessão simultânea internacional do pós-guerra, em 1974-5, a profunda recessão 'double-dip' de 1980-2, a crise industrial de 1990-2 , a recessão moderada, mas global de 2001 e, finalmente, a Grande Recessão de 2008-9, a recessão mais profunda e de mais longa duração desde 1930. A Grande Depressão.

A Macroeconomia mainstream não ver essas recessões vindo e até mesmo depois que eles chegaram, os economistas não tomaram em consideração as suas causas ou mesmo aceitam que o mainstream economics usados ​​para chamar os ciclos de negócios '' estavam de volta.

A Grande Recessão forçou o mainstream a considerar causas e explicações com mais cuidado. Keynesianos continuam a reviver a visão de que quedas são devidas a colapsos repentinos na "demanda efetiva" e/ou alterações nos "espíritos animais" (o temperamento psicológico ou de confiança dos empresários sobre o futuro). À medida que a Grande Recessão se transformou em uma Grande Depressão, em que não há recuperação para o crescimento na tendência anterior de produção, de investimento ou os rendimentos, a teoria keynesiana foi dragada para idéias do pré-guerra, o keynesiana Alvin Hansen que propôs que no imediato pós-guerra as economias capitalistas entrariam em "estagnação secular", devido a um abrandamento do crescimento populacional e demanda fraca crônica (ele estava errado).

Os decanos da economia keynesiana moderna, Paul Krugman e Larry Summers, agora sustentam que as principais economias (ou pelo menos os EUA) estão em uma armadilha de liquidez permanente, onde mesmo com taxas de juros perto de zero, o investimento das empresas não vai pegar o suficiente para restaurar o pleno emprego (não que o capitalismo jamais conquistou, que, exceto talvez naqueles poucos anos dourados "da década de 1960). Esta estagnação só pode ser quebrada por uma intervenção e/ou investimento do governo.

A escola neoclássica ainda dominante da economia nega que tal estagnação existe ou é endógena ao sistema econômico capitalista. Para esta escola, a Grande Recessão foi um particularmente grande "choque" a um desenvolvimento constante de saída de outra forma, o investimento e o emprego. Mas era temporária - Ben Bernanke em seu novo blog está determinado a fornecer as razões pelas quais é temporário (ver o meu post, https://thenextrecession.wordpress.com/2015/03/30/ben-bernanke-and-the-natural-rate-of-return/ ). Esses economistas calculam que a questão se deve a má política monetária (Bernanke) ou a falta de controle sobre os bancos e de crédito, causando crises financeiras (Rogoff, https://thenextrecession.wordpress.com/2013/04/24/the-two-rrs-and-the-weak-recovery/) - não é um problema da falta de demanda ou de "estagnação secular". Portanto, a resposta é não mais o investimento do governo e empréstimos do governo, mas a estabilidade financeira e política monetária sólida.

Como Brad de Long coloca em um post recente (http://equitablegrowth.org/2015/05/01/project-syndicate-even-dismal-science/)", Summers e Krugman acreditam agora que as políticas fiscais mais expansionistas poderiam realizar uma grande dose positiva. Em contraste, Rogoff ainda acredita que a tentativa de curar uma saliência de má dívida privada subaquática via emissão de montanhas de dívida do governo atualmente julgado seguro é muito perigoso - quando a dívida privada foi emitida também foi considerado como seguro".

O conceito da natureza das economias capitalistas modernas como os que têm um caminho de crescimento de equilíbrio que às vezes é batido fora de ordem por eventos aleatórios e em seguida, retorna ao equilíbrio levou a um programa de investigação em todo os ciclos de negócios ''baseado em equilíbrio geral dinâmico estocástico (DSGE) modelos que se propõem a considerar o impacto de vários "choques" em uma economia capitalista modelo - choques como mudanças nas atitudes dos investidores ou consumidores e políticas de governos (dos agentes representativos)."

Infelizmente, os modelos DSGE têm fracassado e não oferecem qualquer explicação clara do que está acontecendo nas economias capitalistas modernas, vamos ao longo fornecer um guia para prever crises futuras no "ciclo de negócios" - ver o meu post, https://thenextrecession.wordpress.com/2013/04/03/keynesian-economics-in-the-dsge-trap/.

Recentemente, dois economistas de primeira linha, Roger Farmer (keynesiano) e John Cochrane (neoclássico) tentaram sentir seu caminho para uma posição de compromisso entre as economias capitalistas se pode ficar trancado no crescimento abaixo da tendência depois de uma queda ou não.

E é tudo sobre o que é chamado de raízes unitárias. Raízes unitárias são um fenômeno estatístico onde, digamos, quando há um colapso na produção ou desemprego, isso pode ser apenas temporário e de saída ou o desemprego vai começar a voltar para a sua tendência anterior, mas não todo o caminho. Isto contrasta com fenômenos "estacionários", onde o choques são eventualmente corrigidos e as tendências anterior é re-estabelecida e um "random walk", onde a tendência se mantém em uma nova (inferior) nivelar permanentemente. O gráfico é de postagem do blog de ​​John Cochrane (http://johnhcochrane.blogspot.co.uk/2015/04/unit-roots-in-english-and-pictures.html ).

raíces unitarias

Roger Farmer tem vindo a defender que as economias podem sofrer uma queda na demanda e, portanto, da produção, investimento e emprego que pode mover uma economia a partir de uma tendência de equilíbrio para outro menor, que é onde se estabelece - e essa mudança é devido a uma fraqueza crônica em não exigir a mudanças nos fatores do lado da oferta a longo prazo, como a produtividade ou o crescimento populacional, como considera isto a teoria neoclássica do crescimento (http://rogerfarmerblog.blogspot.co.uk/2015/04/there-is-no-evidence-that-economy-is.html).

Farmer calcula que existem ambos os elementos transitórios e permanentes no ciclo de negócios, de modo a saída ou o desemprego podem exibir movimentos perto de raízes unitárias. Na verdade, uma descrição de raiz unitária de um ciclo de negócios que não retorna à tendência anterior está muito perto de minha própria caracterização esquemática de uma depressão como tomando a forma de uma raiz quadrada - veja meu post, https://thenextrecession.wordpress.com/2015/04/18/the-global-crawl-and-taking-up-the-challenge-of-prediction/.

Farmer avalia que os ciclos econômicos são causados ​​por mudanças nos "espíritos animais": "Minha resposta é que a demanda agregada, impulsionada por espíritos animais, está puxando a economia de um equilíbrio ineficiente para outro." Assim, "Se os movimentos permanentes na taxa de desemprego são causados por mudanças na demanda agregada, como eu acredito, podemos e devemos estar reagindo contra essas mudanças por conduzir a economia de volta para a taxa de desemprego socialmente ótima ".

Então Farmer estima, como o ciclo de negócios é uma raiz unitária, ele faz não auto-correto e os governos devem intervir para suavizar as flutuações e levar o desemprego para baixo. John Cochrane não está convencido da necessidade de uma intervenção do governo, é claro, mas ele reconhece que pode haver um elemento crônico ou permanente em mudanças no desemprego e pode não ser totalmente auto-correção. Uma raiz de unidade é um bom compromisso, que parece.

Boas notícias, eh! A economia keynesiana e neoclássica mudaram-se para um compromisso na teoria de que as economias capitalistas que flutuam (devido a "choques" na demanda ou oferta) e não pode sempre voltar às tendências anteriores. E algo exógeno (governo) pode ter de agir para corrigi-lo.

O fato de que nem as políticas de não-intervenção neoclássica nem as políticas keynesianas de macro-gestão tiveram qualquer efeito em parar o reaparecimento do "ciclo de negócios" a partir da década de 1970 ou controlá-los parece ter escapado tanto Farmer e Cochrane. Em vez disso, eles continuam a debater a natureza dos "choques" para o sistema.

Há pouca dúvida de que as economias capitalistas não são "auto-corregidas" e um nível de desemprego ou crescimento real do PIB que existia antes de uma importante recessão pode muito bem não voltar depois do fim da recessão - na verdade o rastreamento lento atual de "valorização" uma vez que a calha da Grande Recessão em 2009 prova que com uma vingança.

E não há novas evidências teoricamente. Um novo documento de trabalho por Daron Acemoglu, Ufuk Akcigit, e William Kerr olha para o padrão de como as perturbações econômicas se propagam em toda a rede industrial e regional (http://conference.nber.org/confer/2015/Macro15/daron.pdf). Eles examinam vários tipos de distúrbios, tais como mudanças nas importações chinesas, gastos do governo e de produtividade. Alguns destes 'choques' propagam o montante através da cadeia de valor, desde varejistas aos fornecedores. Eles chamam esses choques de demanda. Outros se movem na direção oposta, e eles chamam esses choques de oferta.

O Blogger keynesiana, Noah Smith é muito animado com esta pesquisa. Como ele diz: "a implicação é que o quadro róseo da economia como uma máquina funcionando sem problemas não é necessariamente correta. O web-funileiro brinquedo de fornecedores e clientes e as economias regionais em Acemoglu et al. De papel é uma coisa frágil, facilmente perturbada pelos ventos de randomness”. http://www.bloombergview.com/articles/2015-05-01/a-little-disruption-can-cause-a-big-economic-shock .

Os autores do estudo concluem: "Em termos quantitativos, a propagação baseado em rede é maior do que os efeitos diretos dos choques, às vezes por várias vezes. Mostramos também quantitativamente grandes efeitos a partir da rede geográfica, capturando o fato de que a propagação local de um choque para uma indústria vai cair mais pesadamente em outras indústrias que tendem a colocar com ele em todos os mercados locais. Nossos resultados sugerem que a transmissão de vários tipos diferentes de choques por meio de redes econômicas e interligações indústria poderia ter implicações ORST ordem para a macroeconomia ".

Além disso, Smith conclui que "um dos maiores e mais duradouros debates econômicos é se os gastos do governo podem afetar a economia real. Lucas e outros (os neoclássicos) alegaram que ele não pode. Mas em Acemoglu et al de modelo, ela pode, absolutamente, uma vez que o governo faz parte -. Muito grande, uma parte muito importante -. Da rede de compradores e vendedores "

Mas todos confirmam o papel, usando conexões de entrada e saída de baixo para cima, é que o colapso ou falência de uma grande empresa ou banco ou mudança acentuada no comércio pode desencadear uma crise em cascata através de uma economia. Isto mostra como quedas pode começar, mas sugere que eles são devido a eventos aleatórios. Isso não explica a natureza recorrente das quedas e por isso não explica nada.

Smith afirma que o papel "resolveria o problema de o que faz com que as recessões. Atualmente, temos muito pouca ideia do que dicas de crescimento  de economias ao longo de busto - geralmente não há nenhuma grande mudança óbvia na produtividade, tecnologia ou política governamental no início de uma recessão. Se a economia é um sistema complexo frágil, ela só pode levar um pequeno choque para enviar a coisa toda em convulsão. "

Assim, a causa das recessões são choques aleatórios que se multiplicam. Isso não é mais uma explicação do que Nassim Taleb proferida por em seu livro, Black Swan, ou pelos chefes dos bancos norte-americanos durante a crise financeira, que era uma chance em um bilhão (https://thenextrecession.wordpress.com/2010/05/26/how-the-official-strategists-were-in-denial/).

Em nenhum desses debates atuais há qualquer menção do papel do lucro no "ciclo de negócios" no que é essencialmente um sistema de tomada de lucro da produção. Os ciclos de negócios estão de volta de acordo com a macroeconomia - um pouco tardiamente. Mas é aleatório ou não é aleatório; é a demanda ou não é exigir; é monetária ou não é monetária. Teoria tradicional continua a ser em uma névoa de confusão.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Pátria Educadora: Mangabeira Unger defende intervenção no ensino e mudança radical dos currículos

Proposta preliminar de Mangabeira Unger para o projeto “Pátria Educadora” inclui nova divisão de recursos da educação e carreira única para professores de todo o País
O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, apresentou, em audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, uma proposta preliminar que prevê alterações profundas no sistema de ensino brasileiro. Ele disse ter sido incumbido de formular a proposta pela presidente Dilma Rousseff, dentro do projeto “Pátria Educadora”. “Este é um projeto de Estado e é a prioridade número um da presidente”, disse.

Mangabeira Unger responde à deputada Professora Dorinha Seabra Rezende, sobre o piso nacional dos professores: “O importante deve ser a carreira e não o piso.” Foto de Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

A proposta de Mangabeira prevê uma intervenção na educação, principalmente na qualidade das escolas de municípios com fraco desempenho. Ele chama isso de “cooperação federativa”. “Tudo em matéria de educação passa pelo federalismo cooperativo, que é a maneira de organizar a cooperação entre governo federal, estados e municípios”, explicou.
Ele propõe mudanças na divisão de recursos para União, estados e municípios, e a transferência de investimentos para lugares com ensino deficiente a partir da avaliação de órgãos colegiados inspirados no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso seria feito por meio de um órgão que teria a participação dos três entes federativos, com a missão de identificar os problemas regionais e intervir para que a qualidade do ensino aumente.
O plano de Mangabeira prevê ainda uma alteração radical nos currículos escolares, a adoção de uma carreira nacional para os professores, mudança no processo de formação de docentes e na forma de escolha de diretores de escolas baseada em mérito.
Currículo

Mangabeira Unger fez críticas ao ensino tradicional. “A tradição no Brasil é de enciclopedismo raso. É um decoreba. Como se o melhor aluno fosse aquele que conseguisse decorar a enciclopédia. Esse modelo briga com os pendores dos brasileiros, não é nossa natureza. O Brasil é uma anarquia criadora”, disse.

A proposta da Secretaria de Assuntos Estratégicos sugere mudança em todos os currículos, com menos conteúdos e maior profundidade no ensino. “É uma maneira de desenvolver as capacitações analíticas. Aprende-se criticando e criando”, explicou. “Profundidade conta mais que abrangência. Temos que enxugar o currículo.”
Recursos

Ele também propõe a extensão do período escolar, além do aumento da qualidade do ensino, e para isso ele sugere uma nova divisão dos recursos e das atribuições dos entes federados para a implantação de um sistema nacional de ensino, em especial a transferência de recursos dos lugares mais ricos para lugares mais pobres. Ele admitiu a criação de um novo fundo para isso.

“O Fundeb (Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico) tem sentido apenas levemente distribuidor. Ele ajuda a elevar os estados mais carentes a um patamar mínimo. Mas estamos discutindo agora formas de fortalecer esse sentido distribuidor. Ou dentro do Fundeb ou dentro dos recursos do FNDE ou definindo, no futuro, um terceiro fundo”, disse.
Diretores

O ministro defendeu a criação de centros regionais de formação de diretores de escola e afirmou ser contra a seleção apenas mediante eleição. “Diretores são muito importantes. Eles teriam que ser escolhidos entre os mais qualificados. A qualificação tem que ser o primeiro critério, mesmo que o segundo seja o processo eletivo”, disse.

A proposta prevê também que os professores tenham dedicação exclusiva a apenas uma escola e que não ensinem apenas uma disciplina, mas várias disciplinas dentro de uma área.
Piso salarial

Mangabeira Unger quer ainda mudança na formação de professores, com uma carreira nacional e a adoção de um piso nacional salarial que permita a progressão funcional. “A ideia é propor aos estados diretrizes de uma carreira comum, nacional, e essa carreira tem que ser vinculada ao piso salarial nacional, definido de modo a respeitar as diferenças regionais e a permitir uma progressão dentro da carreira”, disse.

Ao responder pergunta da deputada Professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), autora do requerimento da audiência pública, ele disse que a discussão do piso salarial não pode superar a da carreira. Segundo a deputada, muitos estados não estão cumprindo o piso por falta de recursos.
“Há um perigo a enfrentar em relação ao piso. Não podemos permitir que a questão maior, da carreira nacional, seja inibida pelo piso. O piso é um tema menor. O importante deve ser a carreira e não o piso”, disse.
Reportagem – Antonio Vital
Edição – Daniella Cronemberger

Informações da Agência Câmara Notícias, publicadas pelo Portal EcoDebate